Embora com menos funcionários do que o necessário, a direcção da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho começou o ano lectivo confiante no seu Plano de Contingência. Os balneários são a maior preocupação, mas só depois de testadas as soluções poderão ser ajustadas às necessidades. Segundo especialistas, o começo do ano lectivo vai potenciar a segunda vaga da pandemia.

● A Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (ESMAVC) carecia, no início do ano lectivo, de seis elementos não-docentes. Esta necessidade foi comunicada pela direcção escolar à Câmara Municipal de Lisboa (CML), em 1 de Setembro.
Segundo apurámos junto dos responsáveis, este estabelecimento de ensino tinha falta de dois elementos no âmbito do ratio legal, a que acresciam quatro em situação de baixa e que requeriam substituição.
A CML terá uma bolsa de funcionários em preparação para enfrentar este tipo de casos. Uma carência problemática no contexto da pandemia e com o regime presencial como regra do sistema escolar. A direcção da escola admitiu ter poucos funcionários para a higiene que tem de ser feita, mas considera que só depois de implementar o Plano de Contingência e os procedimentos recomendados para enfrentar o COVID-19 é que terá uma noção real da situação.
As aulas de Educação Física (EF) merecem especial atenção. Segundo a direcção da ESMAVC, a escola tem dois ginásios num total de quatro espaços capazes de acolher aulas de EF, entre espaços interiores e exteriores. Em condições normais, seriam suficientes para que “várias turmas tivessem aulas em simultâneo”. No contexto COVID-19, “vamos tentar que cada espaço só seja usado por uma turma”, referiu-nos Fátima Lopes, directora da escola. Mas só a prática ditará a melhor solução.
Mais complexa é a questão dos balneários, insuficientes para acolher os alunos habituais nas condições impostas pela pandemia. A escola tem dois, um masculino e outro feminino.
Com uma turma em cada um dos quatro espaços desportivos em simultâneo, e com turmas mistas, implica, pelo menos, a permanência do dobro de alunas ou alunos em cada um dos dois balneários. A flexibilização do início e do fim das aulas para que os alunos possam preparar-se em grupos menores, será uma das soluções que só depois de testada poderá ser ajustada. A escola pondera adaptar um espaço como vestiário para facilitar este procedimento.

Direcção confiante
A direcção da ESMAVC está confiante. Existe uma sala de isolamento pronta e outra em ‘stand-by’, para acolher casos positivos, as salas de aula (cada turma usará somente uma) estão, quase todas, aptas a acolher os alunos nas condições de segurança exigidas (um metro de distância entre si), a entrada e a saída da escola (que tem mais de 900 estudantes só no período diurno) fazem-se por locais diferentes para minimizar a concentração de alunos nesses momentos, as escadas de acesso ao piso superior contemplam uma área para subir e outra para descer, existem dispensadores da solução higienizadora no estabelecimento, os professores terão horários desfasados, tal como os alunos, o ensino à distância está previsto para os casos em que venha a ser necessário e o uso do refeitório será adaptado às exigências.
Fátima Lopes, directora da ESMAVC, admitiu que só a experiência diária permitirá ajustar os procedimentos. O que poderá ser facilitado pela idade dos alunos, todos do 10.º ao 12.ºano, logo, numa fase em que compreendem sem dificuldade os procedimentos e até tenderão a colaborar na higienização do espaço. Mas nada dispensará a educação dada pelos pais nem a necessidade de manter o distanciamento social fora da escola. “Se os procedimentos que as escolas têm da porta para dentro forem mantidos da escola para fora, mitigamos a questão, mas se esquecermos os procedimentos no exterior, não há plano de contingência que resista”, referiu Manuela Santos, directora-adjunta da ESMAVC, que insiste nesta mensagem. Fátima Lopes acrescenta que “é importante a consciência da cidadania, ninguém é culpado, mas temos que ser responsáveis”. Para a direcção ESMAVC existem mais dois desafios: um corpo docente em boa parte sénior, nalguns casos com doenças e em grupos de risco, e uma novidade na escola que é a sua inclusão num Plano de Inovação Curricular que envolverá um calendário por semestre.f

Jorge Alves

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