O ‘FREGUÊS DE CARCAVELOS PAREDE’ dá início nesta edição à publicação de um conjunto de artigos que pretende dar a conhecer vários aspectos relacionados com a vida nos bairros da nossa freguesia. Para isso propusemos às associações de moradores e aos ‘tutores de bairro’ um questionário que procura avaliar o índice de satisfação e os problemas identificados por quem lá reside, os fregueses. Abordamos uma variedade de assuntos, como, por exemplo, a segurança, o estacionamento, a mobilidade, a limpeza e higiene, o comércio e serviços, a iluminação, entre outros temas. Procuramos, assim, dar uma ideia da realidade vivida pelos fregueses nas suas zonas de residência e dar voz aos seus protestos, reclamações, sugestões, no contexto de democracia participativa que norteia o projecto editorial do ‘FREGUÊS DE CARCAVELOS PAREDE’.
O artigo inaugural é dedicado à Quinta dos Lombos. Em representação dos moradores, tem a palavra o ‘Tutor do Bairro’, Fernando Pedreira, que assumiu este cargo em 2009, e que é também um dos sócios fundadores do Centro Recreativo e Cultural da Quinta dos Lombos (CRCQL), do qual é actualmente o Presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Jornal ‘Freguês’ (JF): Como é que os moradores avaliam o nível de segurança pública existente no Bairro?
Fernando Pereira (FP): A Quinta dos Lombos tem um nível de segurança que satisfaz os moradores, quer pela sua localização quer pelas suas próprias características. De referir que os moradores desde sempre se recusaram a aceitar que o espaço fosse um dormitório.
O bairro nunca registou actos de vandalismo ou criminalidade. Situações que tenham ocorrido, esporádicas, nunca foram graves, nem indiciaram preocupações para que se tomassem medidas drásticas.
Embora sem situações preocupantes, é sempre importante saber que se pode contar com o apoio da PSP e da Polícia Municipal cuja presença, mesmo que esporádica, geram maior confiança e um pleno sentimento de segurança.

JF: Como os residentes avaliam o estacionamento e circulação automóvel no bairro?
FP: Com a abertura da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), o caos instalou-se na Quinta dos Lombos. O bairro passou de um local sossegado e com lugares de estacionamento à medida das necessidades dos seus moradores para uma anarquia completa, situação agravada pelo facto de ter sido instalado o parqueamento pago na Quinta de S. Gonçalo.
Os lugares que normalmente eram ocupados pelos moradores do nosso bairro e por quem os visitava, passaram a ser ocupados por estudantes da Nova SBE, comerciantes e moradores dos bairros adjacentes.
Em consequência desta situação, os moradores, com os seus lugares já ocupados, passaram a estacionar em cima dos passeios, circunstância que veio dificultar a circulação viária e pedonal.
Os estudantes, em princípio, deveriam ocupar o Parque de Estacionamento da Nova SBE que, talvez pelo elevado preço, raramente está acima dos 50 por cento de ocupação. Além de que os moradores da Quinta de S. Gonçalo, com garagens nos seus condomínios, o que não acontece na Quinta dos Lombos, habituaram-se a deixar as suas viaturas no nosso bairro.
Como medida para normalizar a situação, os moradores da Quinta dos Lombos reuniram com a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Cascais (CMC) com vista à resolução da situação. Depois, foi implementado um sistema de parqueamento pago no bairro. As medidas implementadas não são da total satisfação dos moradores, que não viram respeitadas algumas das suas sugestões.
Embora os moradores tenham o estatuto de utilização especial, consideramos que o horário seguido, além de sábados e domingos estarem sujeitos ao pagamento de parque, é uma situação injusta para os nossos familiares, que nos visitam normalmente nestes dias, em especial ao domingo. Maior insatisfação é saber que o concelho tem filhos e enteados, dado que os exemplos são inúmeros. Não queremos acreditar que apenas houve um objectivo: o lucro.

JF: Como avaliam os moradores o estado de limpeza e manutenção dos espaços públicos do bairro?
FP: De um modo geral, a situação é satisfatória. A presença de um ‘Tutor do Bairro’ consegue junto da ‘Cascais Ambiente’ que as situações de inconformidade sejam resolvidas em tempo útil.
Os moradores têm assumido um papel fundamental que permitiu dotar o espaço de boas condições de habitabilidade. É preciso recordar que o bairro foi abandonado pelos seus promotores a seguir ao 25 de Abril e que foram os moradores, numa primeira fase e às suas custas, que se encarregaram de plantar árvores e definir um espaço para a prática desportiva, que começou por ser em terra batida e, hoje, é um Polidesportivo com bancadas e piso de relva sintética. Contudo, existem situações que gostaríamos de ver normalizadas como, por exemplo: a conservação dos passeios, já que em alguns deles existem buracos; a demora da recolha dos desperdícios os jardins, em especial na zona de moradias, que ocupam os passeios, obrigando os peões a circular pela via rodoviária; e a melhoria da poda de árvores, não só na Quinta dos Lombos, mas também na zona da ciclovia onde existem árvores em risco de queda, situação que já ocorreu diversas vezes, felizmente sem provocar acidentes pessoais.

JF: Como classificam os equipamentos de lazer, zonas de recreio, parques infantis e corredores para circulação de bicicletas no Bairro?
FP: O bairro tem um logradouro central que serve de zona de lazer, sendo muito utilizado por todos nós. O Parque Infantil necessita de melhorias. Este equipamento é da responsabilidade da Junta de Freguesia, mas parece que vai passar para a alçada da ‘Cascais Ambiente’. A possibilidade de alterar a circulação deverá ser alvo de estudo. O bairro tem arruamentos com dois sentidos que poderão passar a ser de um só. As soluções a implementar deverão ter a participação dos moradores.

JF: Como avaliam a resposta dada pela Junta de Freguesia relativamente aos assuntos dados pelos moradores? Têm sido resolvidos os problemas identificados?
FP: Entre o bairro e o poder autárquico tem havido, desde sempre, uma boa colaboração. No geral, os assuntos são tratados e a maioria deles é resolvida.

JF: O comércio local está bem representado dentro do bairro, ou tem vindo a perder força? Quais as causas?
FP: O nosso bairro foi projectado nos anos sessenta e tinha por objectivo ser vendido nas antigas províncias ultramarinas como ‘Campanha de Habitação na Praia’. Deste modo, as pessoas que viviam em África quando vinham à ‘Metrópole’ tinham a sua residência. Portanto, o bairro tinha por destino ser um dormitório, situação alterada com o 25 de Abril com os ‘retornados’ a regressarem a Portugal e a habitarem as suas casas.
Infelizmente, o bairro não foi dotado de uma área comercial ajustada às necessidades dos moradores, contrariamente ao que sucedeu com a Quinta de S. Gonçalo. Assim, o comércio na área central do bairro não é o mais assertivo, dado que apenas dispomos de um Minimercado, um Cabeleireiro, um Restaurante e um Salão de Chá. Existem ainda duas lojas devolutas onde funcionaram uma loja de reparação de aparelhos eléctricos, que fechou em tempo de pandemia, e um Veterinário, que há uns anos se deslocou para a Quinta de S. Gonçalo. A todo o momento aguardam-se que as lojas devolutas possam vir a acolher serviços de utilidade para a população. Os moradores têm ainda acesso ao ginásio na sede do CRCQL. Na zona envolvente, existem diversos serviços e equipamentos.

JF: O bairro está bem servido de transportes públicos?
FP: Os transportes públicos existentes, com a melhoria resultante do pós-Nova SBE, dão resposta às necessidades, embora se sinta que seria importante garantir aos estudantes do bairro uma ligação às escolas da zona.

JF: A iluminação pública dentro do bairro é suficiente?
FP: A iluminação é adequada, no entanto por vezes há falhas que, como ‘Tutor do Bairro’, dou conhecimento aos serviços competentes. Nem sempre tem sido dada resposta em tempo útil.

JF: Existe alguma entidade representativa dos moradores?
FP: Na Quinta dos Lombos não existe Associação de Moradores. Estas funções foram assumidas pelo CRCQL, na qual os moradores delegaram a sua representação. A colectividade tem na sua estrutura uma área destinada aos assuntos do bairro. O CRCQL tem a sua sede na Rua das Tulipas, n.º 52 e o Pavilhão Desportivo dos Lombos está localizado na Rua da Feitoria, ambos na Quinta dos Lombos, com condições para acolher as reuniões para discutir os problemas do bairro.

JF: De que forma a pandemia COVID19 tem alterado o quotidiano do bairro?
FP: Atendendo à situação pandémica, os moradores da Quinta dos Lombos, que na sua maioria se conhecem há longo tempo, têm vivido com as responsabilidades de cumprirem as determinações das entidades de saúde. As pessoas fazem uso regular de máscara e os estabelecimentos abrem com as condições de circulação, higiene e distanciamento estabelecidas.
Também o CRCQL, responsável pela gestão dos equipamentos desportivos e de lazer, criou as condições para prevenir o contágio. Embora muitos de nós já se encontrem numa idade avançada, alguns mesmo em grupo de risco, não se conhecem situações de COVID-19 na Quinta dos Lombos.f

LUIS CURADO

Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.