A seguir à Quinta dos Lombos e ao Bairro do Junqueiro, é agora a vez de divulgar as opinões, avaliações e sugestões do Bairro Quinta do Barão, que tem duas associações: Associação de Moradores da Quinta do Barão (AMQB) e a Associação de Moradores e Ambiental da Quinta do Barão (AMAQB). Nesta edição publicarmos as respostas da AMQB, no seguimento de um conjunto de artigos que visam dar a conhecer vários aspectos relacionados com a vida nos bairros da freguesia.

● Nesse sentido, propusemos um questionário que procura avaliar o índice de satisfação e os problemas identificados pelos fregueses. São abordados vários assuntos, desde a segurança ao estacionamento, passando pela mobilidade, limpeza e higiene, comércio e serviços, iluminação, entre outros temas. Com esta iniciativa, procuramos dar uma ideia da realidade vivida pelos fregueses nas suas zonas de residência, dando, simultaneamente, voz aos seus protestos, reclamações e sugestões com vista à manutenção ou melhoria da qualidade de vida nos bairros, num contexto de democracia participativa que norteia o projecto jornalístico do ‘FREGUÊS DE CARCAVELOS PAREDE’.
Hoje, damos a palavra a Joana Urban Vitorino e a João Machado, em representação da direcção da AMQB, que contaram com a colaboração do Tutor de Bairro, ao qual se juntaram também alguns moradores e o dono de um estabelecimento comercial local, que ajudaram a responder às questões colocadas pelo nosso jornal.
Como ponto prévio à publicação das respostas, existe uma coincidência em relação às queixas formuladas pelos representantes da Quinta dos Lombos e do Bairro do Junqueiro: também na Quinta do Barão se repetem os problemas de estacionamento, considerado “caótico”, “por vezes selvagem”. Um problema que parece estar a ser complicado de resolver por parte de quem de direito.
No rol de queixas, críticas e sugestões da AMQB, merecem também destaque a preocupação com os projectos imobiliários previstos para o bairro, a necessidade de uma abordagem mais pró-activa por parte da Junta de Freguesia, a falta de um serviço adequado de transportes públicos rodoviários e uma análise crítica à consulta pública do novo projecto de urbanização da Quinta do Barão, a decorrer em plena pandemia.

Jornal ‘Freguês’ (JF) – Como é que a associação de moradores avalia o nível de segurança existente no bairro?
AMQB – Existe uma sensação de segurança. Periodicamente, a polícia é vista a passar no bairro. O que causa mais insegurança é a velocidade excessiva na Rua Doutor Baltazar Cabral, que é muito movimentada.

JF – Notam que tenha ocorrido um aumento dos actos de vandalismo ou criminalidade?
AMQB – Não notamos actos de vandalismo ou criminalidade no nosso bairro.

JF – A segurança prestada pelas entidades oficiais é suficiente? Que reparos ou sugestões têm a fazer?
AMQB – Gostaríamos que a Polícia Municipal zelasse para que o Campo de Jogos existente no Bairro não fosse utilizado fora de horas. Se até há pouco tempo não tinha horário de funcionamento, agora já tem: das 09h00 às 21h00. O Campo de Jogos é muitas vezes usado para a prática desportiva até muito mais tarde, gerando muito ruído e pertubando o descanso dos moradores dos prédios mais próximos.

Projectos imobiliários preocupam

JF – Como é que a associação avalia o estacionamento e circulação automóvel?
AMQB – O estacionamento no bairro é caótico, por vezes selvagem, e este problema faz-se sentir desde há muitos anos. Sabemos que quando o bairro foi construído se tinha de assegurar um número de estacionamento nas garagens, que rapidamente se tornou insuficiente relativamente à média de carros ‘per capita’, pelo que os passeios começaram a ser ocupados.
Os carros ficam muitas vezes bloqueados por outros mal-estacionados e o camião do lixo tem frequentemente dificultado o acesso às ilhas ecológicas, ficando o trânsito no bairro interrompido enquanto é feita a recolha do lixo.
Através do recurso ao orçamento participativo, construiu-se um estacionamento no bairro, mas essa medida apenas atenuou o problema, não o resolveu.
Neste contexto, preocupam-nos todos os projectos imobiliários previstos para a nossa zona, como o Plano de Reconversão Urbanística da Antiga Fábrica da Legrand, o Plano de Pormenor da Quinta do Barão e o Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul, entre outros.
Neste momento, o acesso à Rotunda do Barão nas horas de ponta da manhã e ao final da tarde já é muito congestionado, perdendo-se muito tempo em filas e causando bastante poluição.

JF – Como é que a associação avalia a limpeza e manutenção de ruas, passeios, jardins e outros espaços verdes?
AMQB – A limpeza da rua por regra é feita de forma regular, mas por vezes os moradores deixam lixo fora dos contentores (quer por falta de civismo, quer porque estão cheios) e o lixo espalha-se.
Os passeios nos espaços verdes, no campo de jogos e as papeleiras nesse mesmo espaço infelizmente não são alvo de intervenção diária como os demais passeios. A sua manutenção está incluída na dos espaços verdes e, portanto, no melhor dos casos, só é feita quinzenalmente, o que é claramente insuficiente.
Os espaços verdes nem sempre têm recebido a manutenção periódica devida e, portanto, acumulam-se a falta do corte da relva, apanha de folhas e detecção de falhas na rega.
Os resíduos verdes que resultam da manutenção dos jardins não são levados imediatamente após essa intervenção e por vezes ficam dias à espera de ser recolhidos, podendo espalhar-se com o vento.

JF – Como classificam os equipamentos de lazer, zonas de recreio, parques infantis e corredores para bicicletas existentes?
AMQB – Temos a sorte de ter um Campo de Jogos, que é amplamente utilizado por pessoas de dentro e fora do bairro. Este espaço tem tido problemas com a limpeza, já mencionados, e que pretendemos resolver com a colaboração da Junta de Freguesia. Mas é sobretudo gerador de muito ruído. A fixação de um painel com os horários de utilização, há muito pedido pelos moradores, foi realizada. Agora, aguardamos que se resolva o problema do ruído causado pelo impacto das bolas nas redes metálicas dos campos. A Junta de Freguesia informou já ter pedido orçamentos, pois pretende resolver este problema detectado há anos e que é fonte de muitas reclamações por parte dos moradores.

Falta de pro-actividade da Junta

JF – Como avaliam a resposta dada pela Junta de Freguesia relativamente aos assuntos colocados pela associação de moradores? Têm sido resolvidos os problemas identificados no bairro? Que reparos ou sugestões têm a fazer?
AMQB – Tivemos de esperar vários meses para conseguir uma reunião na Junta. Recentemente, fomos recebidos por dois elementos do Executivo, dos pelouros do associativismo e limpeza e espaços verdes, que têm sido muito receptivos nas questões que colocámos. Mas sentimos que a ligação que a Junta deveria fazer com a Câmara, de levar as questões dos fregueses e trazer respostas da Câmara, não é de todo assumido pelo seu presidente, que descarta liminarmente as questões de âmbito camarário.
Sentimos falta de uma abordagem mais pró-activa da Junta, informando e auscultando os fregueses quanto a projectos urbanísticos e demais acontecimentos na nossa freguesia, que tenham impacto na qualidade de vida dos que aqui vivem ou trabalham, como foi o caso do Plano de Reconversão Urbanística da Antiga Fábrica Legrand e como é agora o caso da Alteração ao Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística da Quinta do Barão (PPQB).

JF – Quais as iniciativas que a associação gostaria de ver concretizadas por parte das entidades competentes e que ainda não foi possível realizar?
AMQB – Gostaríamos que a Junta se interessasse por ouvir as questões dos moradores e chegámos a perguntar se o Presidente da Junta teria disponibilidade para participar numa reunião de moradores. Na altura, esta nossa proposta foi declinada.

JF – O comércio local, de proximidade, está bem representado dentro do bairro?
AMQB – No nosso bairro temos dois cafés, uma mercearia, uma loja de roupa e acessórios, uma papelaria, um cabeleireiro, um restaurante e uma lavandaria. Temos a curta distância uma grande variedade de supermercados, restaurantes, farmácias, bombas de gasolina e alguns serviços, pelo que nos parece desapropriado colocarem mais retalho, restauração e outra bomba de gasolina no Parque empresarial e comercial da Legrand, actualmente em construção.

JF – O bairro está bem servido de serviços (escolas, clínica médica, farmácia, ginásio, veterinário)?
AMQB – Na proximidade do bairro temos duas escolas primárias, uma preparatória e outra secundária, duas farmácias, ginásios, veterinários e laboratórios de análises e exames médicos. O Centro de Saúde encontra-se em formato provisório no estacionamento da CP de Carcavelos e só atende um muito pequeno número de pacientes, sendo a maioria dos utentes remetida ao Centro de Saúde da Parede.

Transportes públicos insuficientes

JF – O bairro está bem servido de transportes públicos?
AMQB – O bairro está bem servido de transportes ferroviários, pois encontra-se a um quilómetro da estação de Carcavelos (10 minutos a pé), mas é muito mal servido por transportes públicos rodoviários. As carreiras são pouco frequentes, não são pontuais e não têm boas ligações com os concelhos limítrofes de Oeiras, Sintra, Lisboa e Amadora.

JF – A iluminação pública dentro do bairro é adequada/suficiente? Que reparos ou sugestões têm a fazer?
AMQB – A iluminação no bairro é satisfatória, com excepção do Campo de Jogos, cuja iluminação poderia incidir mais nos campos e passeio adjacente e estar mais afastada dos prédios que o ladeiam. É de notar também a queixa de alguns moradores em relação à fraca iluminação da Rua Doutor Baltazar Cabral, que tem bastante trânsito.

JF – Numa escala de 0 a 10 (em que 0 é péssimo e 10 é excelente), como é que a Associação de Moradores avalia a qualidade de vida dentro do bairro?
AMQB – A qualidade de vida no bairro tem vindo a decrescer ao longo dos anos, e neste momento avaliá-la-íamos com 5/6 pontos numa escala de 10. O bairro está rodeado por três vias com muito trânsito, ruído e poluição. Também se ouve cada vez mais ruído de tráfego aéreo (Tires). O Parque Empresarial e Comercial da Legrand irá trazer mais afluência de trânsito, ruído, densidade habitacional, comércio, serviços, perdendo esta zona as características mais residenciais. Um bairro que até agora tem um trânsito fechado, só para o bairro, pretende ser aberto para poder escoar o trânsito de um empreendimento de comércio e serviços. Muitos residentes sentem que as suas necessidades não são valorizadas pelas entidades autárquicas, uma vez que nem sequer existe interesse em ouvi-los.

JF – Com quantos sócios conta a associação de moradores actualmente? Promove reuniões periódicas? Em média, quantas vezes por ano e quantas pessoas costumam estar presentes?
AMQB – A Associação de Moradores da Quinta do Barão (AMQB) conta actualmente com 81 sócios. A AMQB promove reuniões regulares da sua direcção (6 moradores) e dos seus corpos sociais (10 moradores). Uma vez por ano, realiza uma Assembleia Geral de Sócios, estatutária, e quando as necessidades o obrigam promove reuniões sobre assuntos relativos à vida do bairro.No segundo semestre 2019, a nossa associação promoveu várias reuniões e acções no bairro, respeitantes ao projecto de urbanização da antiga fábrica Legrand (actualmente em curso) e os impactos ambientais prováveis no nosso bairro. Nas assembleias, em média, costumam estar entre 30 a 50 moradores. Este ano, com a crise sanitária e todas as medidas restritivas respeitantes a ajuntamentos, não promovemos assembleias de moradores. A direcção e os corpos sociais continuam a reunir-se presencialmente ou por videoconferência.

JF – A associação de moradores tem sede própria? Onde costumam reunir-se os sócios?
AMQB – A sede provisória da AMQB é o escritório de um elemento dos corpos sociais, que se localiza no bairro. Até agora, as reuniões com os moradores decorreram numa sala gentilmente disponibilizada pelo Centro Comunitário, sendo que a Junta de Freguesia também sempre disponibilizou a sala da assembleia de freguesia.

Consulta pública inoportuna

JF – Nas reuniões realizadas, quais os temas mais debatidos, que mais preocupam os moradores?
AMQB – O tema mais debatido e que mais preocupa os moradores é seguramente a urbanização da antiga fábrica Legrand, limítrofe do nosso bairro, e as consequências que daí advêm: maior densificação populacional, aumento do trânsito, ruído, poluição, etc.. Com o novo projecto de urbanização da Quinta do Barão, também limítrofe do nosso bairro, uma assembleia de moradores impõe-se. Esperamos realizá-la em breve.
Achamos, no entanto, que lançar consultas públicas sobre projectos urbanos desta dimensão em plena pandemia é inadequado e inoportuno, pois impedem as populações de debaterem em conjunto os benefícios ou os prejuízos que empreendimentos desta importância acarretam.

JF – De que forma a pandemia de COVID-19 tem alterado o quotidiano do bairro?
AMQB – Desde o início da pandemia que temos tido muito receio de convocar qualquer acção com os moradores e nunca mais promovemos reuniões de moradores ou assembleias gerais, do qual nos ressentimos muito, pela falta de diálogo, interacção e camaradagem. No passado mês de Outubro, retomámos algumas acções pontuais com os moradores, mas sempre com o máximo de precauções e cuidados.f

PUB













Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.