● Ser português aumenta a probabilidade de já não morar onde se nasceu – sina nossa, a de nos deslocarmos dentro e fora do País para outras paragens. Temos a felicidade de vivermos num País, tal como os ‘olhos castanhos’, de encantos tamanhos!
Viajar e conhecer mundo é agradável; emigrar ou ter de vir do interior para o litoral pode ser agradável ou não, até porque na maior parte das vezes o fazemos por obrigação. Para viver melhor. Sempre considerei emigrantes o meu Pai e a família próxima. De Lisboa fomos para Moçambique à procura de uma vida folgada! Diziam que Moçambique e outros luso-territórios eram províncias, mas na verdade eram colónias. Mas ficamos agarrados às memórias. Eu já podia dizer que as minhas terras eram Lourenço Marques (Maputo) e Lisboa. No regresso ‘das Áfricas’ para continuar a estudar, já não aterrei em Lisboa, mas nos arredores, em Carcavelos. Não esqueço ainda os dois anos vividos em Leiria, talvez a cidade com o mais belo castelo do nosso Portugal.
Mais tarde, garantia a minha ligação a Carcavelos escrevendo o poema:

“Carcavelos Agora
ruas estreitas abstractas
corredores na folhagem
casas com jardim
fora de época ou talvez não
local resignado
da calma em contramão
aceitar que assim é
nada esperar do que já foi
em sonhos descubro restos
de quintas já sem verdura
paraísos condenados
monumentos de amargura”

Mas posso também acrescentar a Achada (Ericeira) onde passei dezenas de verões, Mafra, Santarém e Porto, onde fui militar, e nesta última cidade estudei e trabalhei. Não esqueço Azurara (Vila do Conde) onde tive casa e, finalmente, Carcavelos onde casei, tive filhos e iniciei a minha vida literária e onde vivo actualmente. Lisboa é uma cidade única em beleza e localização, pois Tejo há só um; a capital moçambicana além do seu encanto, é a mais bela cidade do oceano Índico na memória da minha estadia na meninice e adolescência. A Ericeira é uma vila à beira Atlântico, das mais belas. Santarém, também na mesma margem do Tejo que Lisboa, tem o diferente encanto do interior. Termino com a minha ligação a Vila do Conde, outra bela cidade nortenha, e com uma referência a Carcavelos, vila das quintas que deram um vinho que nos levou a todo o Mundo e que tem a mais bela praia portuguesa. Já estou a ser tendencioso porque foi a vila escolhida para viver a minha vida e onde tenho casa, mesmo quando andei por outras paragens. Qual é a minha terra? Decida o leitor.f

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