Desporto e olimpíadas

● Para mim, escrever sobre desporto é um tema difícil e um verdadeiro desafio. O que se pode considerar desporto? As mais correntes definições remetem para uma actividade física e até para o conceito de competição que pressupõe que haja concorrência entre os participantes para uma classificação. Mas encontramos mais matéria para reflexão quando tomamos conhecimento dos esforços feitos para se considerar ou não o xadrez um desporto olímpico ou tão somente um jogo. E o Motocross? E o Críquete, o Squash, o Bowling e a MMA (artes marciais mistas)? Não se espantem por estar em vias de ser considerado desporto nas olimpíadas, o eSports, ou seja, jogos de computador. Muitas modalidades, sem dúvida físicas, esperam aprovação pelos diversos Comités Olímpicos.
Jogos políticos, pressões económicas e sociais, tudo a lançar a confusão num evento que devia ser transparente e de grande prazer para participantes e público. Acredito que atletas o façam com grande empenho, pelo prestígio e amor ao desporto e, talvez em muitos casos, pelo dinheiro!
“Nas olimpíadas distinguem-se amadores de profissionais”, pensei para mim? Ocorreu-me ligar a uma amiga, a que chamarei ‘Cê’, parceira das letras e muito experiente em Psicologia no Desporto. A surpresa foi quando ela me esclareceu: “o critério que prevalece é o de ir às Olimpíadas quem faz marcas para isso”, disse-me. Também fiquei a saber que, entre modalidades olímpicas, os apoios variam muito a ponto de alguns tenistas de topo não acreditarem na diferença existente nos diversos meios com que são apoiados. No ténis, o apoio é de luxo, enquanto noutras os apoios são ridículos, a roçar a ofensa para os atletas. E quem os apoia? Os governos dos países e as marcas comerciais bem conhecidas de todos nós!
A minha amiga exerce a função de ‘psicóloga no desporto’, profissão que em Espanha, onde vive, é conhecida como ‘facilitadora da equipa técnica’ para que junto do atleta ou equipa, seja promovido o bem-estar psicológico e optimizado o rendimento. Neste caso, o seu trabalho vai de atletas olímpicos individuais apoiados pelas marcas comerciais (corrida em pista) a equipas nacionais, por exemplo, de hóquei em campo.
Aproveito para lembrar o nosso carcavelense atleta olímpico, falecido o ano passado, Raul Diniz. Era um amigo que encontrava muitas vezes porque tínhamos netos no mesmo colégio. Pouco antes de morrer, presenteou-me com um recorte de uma revista, menos vulgar, sobre o desaparecimento de meu irmão em 2010, o actor António Feio, também seu amigo. Saudades dos dois!
Chegámos à meta, por hoje.f

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