Moradores da Quinta do Barão contestam as alterações do Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística da Quinta do Barão promovidas pela Câmara Municipal de Cascais (CMC). Estes residentes, reunidos na Associação de Moradores e Ambiental da Quinta do Barão (AMAQB), consideram que as soluções urbanísticas “lesam a sua qualidade de vida e ambiental e o seu património”.

● Os moradores da Quinta do Barão reconhecem que o Plano de Pormenor em vigor, aprovado em 2009, “deve ser alterado, mas não nestes moldes, que apenas os prejudicam, e muito, pelo que usarão os meios ao seu alcance para combater a iniciativa da CMC”.
De acordo com as alterações preconizadas pela autarquia, prevê-se na área envolvente à zona residencial da Rua Bernardo Costa, a instalação de 160 residências de estudantes da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), “em vez da construção dos equipamentos do Museu da Vinha e do Vinho de Carcavelos (na antiga adega da Quinta do Barão, classificada como imóvel de interesse público) e das sedes dos Escoteiros e Guias de Carcavelos (junto ao jardim ao fundo da Rua Bernardo Costa e à Rua Luís Piçarra)”.
A prevista construção de até 40 habitações é também contestada. Segundo os moradores, estes fogos serão “certamente de tipologia reduzida e mais não serão do que outras 40 residências de estudantes”, em vez da construção de 25 habitações de tipologia T2, T3 e T4, na Rua Raúl Dinis, defronte das habitações orientadas a nascente com entrada pelos números 68, 40, 36 e 8 da Rua Bernardo Costa.
De acordo com a AMAQB, “esta área e a comunidade local ficam desprovidas de qualquer equipamento de utilização colectiva, pois as residências de estudantes não são um equipamento escolar, constituindo a sua exploração – mesmo a preços bonificados – uma actividade económica como qualquer outra”.
Por outro lado, as novas 200 residências de estudantes (a que se somam 10 espaços comerciais de apoio) que também estão previstas nos planos da CMC “terão um tremendo impacto negativo na zona residencial e de trânsito local da Quinta do Barão, em termos de acessibilidades, tráfego, ruído, segurança, higiene urbana e espaços verdes”.
Na sequência das alterações propostas pela CMC, “os moradores das habitações orientadas a nascente com entrada pelos números 68, 40, 36 e 8 da Rua Bernardo Costa, perderão ainda a vista desafogada e a iluminação natural que detêm, vendo o desempenho energético das suas habitações próprias permanentes ou arrendadas para habitação, a médio e longo prazos, irremediavelmente comprometido a favor de usos de duração limitada ou inferior a um ano”.

Sem benefícios para a população
A AMAQB refere que na área envolvente ao solar da Quinta do Barão, classificado como imóvel de interesse público, também se prevê construir outras 160 residências para estudantes, “em vez de um centro de congressos”, além de um hotel com 70 unidades de alojamento.
Para os moradores, “estas alterações transformarão a Quinta do Barão numa área de suporte ao funcionamento da Nova SBE, sem quaisquer benefícios para a população residente e para a comunidade local”.
Os planos da CMC estiveram em consulta pública no final do ano. A oportunidade da proposta deve-se à “vontade conjunta do actual proprietário da Quinta do Barão e do Munícipio de Cascais, que pretendem adequar os usos e a disciplina de ocupação do solo a padrões de desenvolvimento sustentáveis, dotando a área de intervenção de condições para responder, de forma eficaz, às solicitações decorrentes do desenvolvimento ocorrido nos últimos 10 anos nesta zona do concelho.f REDACÇÃO

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