O Jardim de Infância nº 1 (JF1) vai ser transformado num centro de rastreio COVID-19, permitindo a reabertura da Unidade de Saúde Familiar (USF) Rodrigues Miguéis, que desde 26 de Março passou a ser um centro de atendimento exclusivo para doentes afectados pela pandemia. A mudança conta com o apoio da Junta de Freguesia e do Agrupamento Escolar, mas os encarregados de educação alegam não ter sido ouvidos nem achados na questão e contestam a intenção dos autarcas e das autoridades sanitárias.

A partir de 1 de Junho, as crianças que frequentam o JF1 vão ser transferidas para a Escola Pedro de Santarém. As aulas decorrerão no edifício dos alunos do 5.º e 6.º anos, que este ano não voltam a ter aulas presenciais. A cedência do Jardim de Infância nº 1, na Rua Fernanda Botelho, em Benfica, para ali instalar um centro de atendimento Covid 19 mereceu fortes críticas dos pais e valeu uma carta aberta apelando à revogação da decisão.

A missiva foi enviada ao Governo, à Câmara Municipal de Lisboa (CML), à Junta de Freguesia (JFB), ao Agrupamento de Escolas de Benfica (AEB), à Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), à Direcção-Geral da Saúde, à Direcção Regional de Educação, ao Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde e à Direcção Executiva do Agrupamento de Centros de Saúde Lisboa Norte.

PAIS DISCORDAM

Na carta, assinada por pais e encarregados de educação, os subscritores lamentam não terem sido previa mente consultados, referindo que o espaço para onde os seus filhos serão deslocalizados “não se encontra neste momento adaptado a crianças em idade pré-escolar (tanto assim que irão ser realizadas obras de adaptação no edifício)”. Segundo referem, souberam da decisão 12 dias antes da data prevista para que o Jardim de Infância acolha o centro de atendimento Covid-19.

Nas redes sociais, os pais consideram que a decisão vai desenraizar as crianças do único espaço escolar que conhecem. Para aqueles responsáveis, existem outras alternativas na freguesia.

Os encarregados de educação consideram a decisão “desproporcional, desadequada e lesiva do normal desenvolvimento e superior interesse das crianças” e apelam para a sua revogação.

REQUALIFICAÇÃO ADIADA?

Os subscritores referem ainda que tomaram conhecimento “de que se encontra previsto o início da empreitada de remodelação e renovação do JI1 Benfica, para Setembro/Outubro de 2020”, altura em que seria construída uma escola provisória em contentores ou monoblocos “para onde seriam novamente deslocalizadas as crianças.

Esta obra tem sido várias vezes anunciada e adiada. Os subscricores da carta temem que tal equipamento não esteja pronto no reinício do ano escolar, suspeitando que não existe “projecto de adaptação das instalações provisórias projectadas construir (em tempo em que não existia pandemia) às actuais orientações e recomendações técnicas da Direcção-Geral da Saúde para fazer face à COVID-19”.

PEDIDO URGENTE DEIXA PAIS DE LADO

Segundo Manuel Esperança, director do Agrupamentos de Escolas de Benfica, os pais não foram consultados “porque foi uma questão urgente”, a pedido da Junta de Freguesia e da ARS. Este responsável, em sintonia com a autarquia, sugeriu o JI 1, afirmando que “está tranquilo com a decisão, compreendendo a posição dos pais”.

Manuel Esperança admitiu, no entanto, que se a saída das crianças do JI 1 não estivesse já prevista por causa de obras que ali decorrerão em Setembro, “talvez a decisão fosse diferente”. Nesse caso, uma alternativa poderia ser a montagem de uma tenda com dimensão maior do que as disponíveis pela CVP, num campo de futebol da Escola José Gomes Ferreira.

Quanto às obras de adaptação na Escola Pedro de Santarém, este responsável refere que apenas se trata da colocação de redutores nas sanitas para conferir maior segurança e conforto às crianças.

AUTORIDADES E AUTARCAS DE ACORDO

À Lusa fontes da CML afirmaram que a decisão resultou de um pedido da ARSLVT e que em Benfica não se dispunha de outras instalações para dar uma resposta urgente ao pedido. Aquela autoridade sanitária referiu ao ‘FREGUÊS DE BENFICA’, que a opção por aquele estabelecimento escolar foi tomada “após uma avaliação cuidada e criteriosa do espaço” que cumpria as orien- tações definidas pela Autoridade de Saúde Local.

A ARSLVT concluiu que o referido equi- pamento “reúne as necessárias condições de segurança para ser adaptado à criação de uma Área Dedicada à COVID-19 (ADC)”.

Aquela entidade garante que foram ouvidos os encarregados de educação, bem como os parceiros locais do Agrupamento de Centros de Saúde Lisboa Norte.

A um dos pais, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Norte esclareceu que a decisão não foi unilateral e que várias propostas foram consideradas pela JFB e outras Juntas de Freguesia, bem como com o Município e a Cruz Vermelha Portuguesa. O ACES Lisboa Norte entende que “é agora necessário retomar os cuidados de saúde habituais aos cerca de 15 mil utentes da USF Rodrigues Miguéis, pelo que é imperioso o retorno desta equipa às suas instalações”. Este equipamento passou a funcionar, desde final de Março, no Centro de Saúde de Sete Rios.

Segundo a Junta de Freguesia, “foram avaliados vários edifícios na freguesia” e o único que “cumpre todos os requisitos inerentes à sua função futura, segundo a ARS, é o JI n.º 1”.

Entretanto, o grupo do PCP questionou o Executivo camarário sobre a decisão, afirmando que “não são conhecidas as razões da opção pela abertura deste centro de rastreio e consequente encerramento do JI no 1 de Benfica, nem tão pouco se estão garantidas as condições de acolhimento destas crianças nas instalações para onde serão encaminhadas”

MÁSCARAS NO COLÉGIO MILITAR

Com a reabertura de serviços, o Metropolitano de Lisboa (ML) disponibiliza máscaras e outros equipamentos de segurança nas máquinas de venda automática das estações. Em Benfica, elas estão instaladas no Colégio Militar.

Esta estação dispõe destas máquinas no átrio e em ambos os sentidos do cais de embarque, segundo dados disponíveis no site oficial da empresa.

De acordo com o ML, estão disponíveis um kit com máscara (3 camadas) e gel desinfectante, por 1.50 euros, um kit com máscara lavável e gel desinfectante por 3 euros, e ainda gel desinfectante e luvas cirúrgicas descartáveis.

Desde 4 de Maio, o ML está a implementar “um plano de retoma de oferta faseada que inclui a abertura de serviços que estiveram condicionados durante o período de confinamento, e reforço de medidas de segurança em matéria de saúde pública para contenção e redução do risco de contaminação por Covid-19”.

Entretanto, desde 3 de Maio, que o ML repôs a obrigatoriedade de uso de título de transporte válido. Os títulos podem ser obtidos nas máquinas de venda em todas as estações ou nos postos de atendimento presencial.

FREGUESES QUEIXAM-SE DE DISTRIBUIÇÃO

Alguns fregueses queixam-se de que a distribuição de máscaras a grupos de risco pela Junta de Freguesia não está a chegar a todos.

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