A Câmara Municipal de Oeiras (CMO) desconhece o que está planeado ser construído na Quinta da Bela Vista, em Carcavelos, paredes meias com a Quinta do Marquês, onde é produzido o afamado Vinho de Carcavelos, no qual a autarquia oeirense tem investido de forma sustentada nos últimos anos. 
 
• “A CMO desconhece o projecto referido”, foi a resposta dada pelo gabinete de Imprensa da autarquia presidida por Isaltino Morais ao contacto estabelecido pelo “FREGUÊS DE CARCAVELOS E PAREDE”, a propósito de eventuais consequências, nomeadamente alterações climáticas, que o referido projecto possa vir a causar, na região demarcada. Os responsáveis da CMO não fazem comentários sobre este tema, nem confirmam se houve contactos entre os dois municípios a propósito deste assunto, alegando desconhecer o projecto.
Em causa está o Projecto Municipal de Habitação que a autarquia de Cascais pretende construir na Quinta da Bela Vista, amplamente divulgado, e cujo vencedor foi anunciado pela Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul na sua página de Internet e esteve exposto no Centro Cultural de Cascais.
De acordo com técnicos citados pelos moradores, que contestam as intenções camarárias, a nova construção afectará o túnel de vento que areja e seca a vinha e provocará o aumento da humidade, favorecendo o aparecimento de fungos.
Esta ideia é negada por fontes conhecedoras do processo de produção, que sublinham que os efeitos, a registarem-se, serão meramente residuais e afectarão apenas uma pequena área da vinha, no caso, a mais antiga e menos produtiva, pelo que tudo não passa de uma “questão política”, garantem.
 

O Projecto Municipal de Habitação em Carcavelos é apresentado pela autarquia cascalense como “uma das acções integradas na Estratégia Local de Habitação do Município de Cascais”. Um dos vectores desta estratégia é “o aumento do parque habitacional municipal destinado ao arrendamento, tanto no âmbito das rendas apoiadas como das rendas acessíveis”.
A Câmara Municipal de Cascais (CMC) precisa que o objectivo da construção do edifício concebido pelo arquitecto Gil Correia Cardoso, vencedor do concurso público, é o “arrendamento para jovens, estudantes e jovens casais que, pela actual dinâmica do mercado, perderam a capacidade de acesso à habitação”. A autarquia refere que, “tendencialmente, estes arrendamentos serão de curto a médio prazo (períodos de 5 anos) com vista a multiplicar as oportunidades de mobilidade social por um maior número de pessoas”.
Estes argumentos não convencem os moradores do bairro, que avançaram com uma petição pública contra a construção do edifício num terreno que faz fronteira com os terrenos agrícolas da Estação Agronómica de Oeiras. Os residentes consideram que o projecto vai agravar a pressão urbanística e os problemas de tráfego e estacionamento, implicando a perda da sua qualidade de vida. O edifício tem  uma configuração em ‘U’ com cinco andares e uma centena de fogos.f
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1 comentário

  1. De facto os habitantes do bairro, sabendo que se manterão os mesmos acessos para entrar e sair, não gostam da implantação de um edifício de grande volumetria que virá alterar a serenidade, o fluir do trânsito já difícil a certas horas, e frustrar as expectativas de quem procura casa em lugar tranquilo e paga caro esse “privilégio”. As intenções são sempre as melhores, na propaganda, mas o concelho vai ficando descaracterizado pela moda de construção em tudo quanto é espaço de qualidade, enquanto edifícios antigos degradados dificilmente se mantêm de pé. E podiam ser recuperados, para fazer frente às necessidades apregoadas.

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