Museu da Música

O Museu Nacional da Música (MNM) vai deixar as instalações do Metropolitano no Alto dos Moinhos para se instalar no Palácio Nacional de Mafra. Para a Assembleia de Freguesia tratou-se de uma decisão “meramente política” sem sustentação técnico-científica, pelo que acusa Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, de ser conivente com opção governamental. E recomendou que a Junta de Freguesia que avançasse com uma providência cautelar, o que não se verificou. A Assembleia Municipal recomendou que se procurassem alternativas para a continuidade do MNM na cidade, o que não aconteceu. António Cardoso, presidente da JFSDB, ainda propôs dois locais na freguesia e Fernando Medina descartou responsabilidades, afirmando que teve conhecimento da decisão pela Comunicação Social.

● Graça Drummond Ludovice, directora do MNM, explica que nas actuais instalações “há falta de espaço para a colecção que tem vindo a crescer”, e que a mudança para o Palácio Nacional de Mafra “vai permitir criar sinergias, dar maior visibilidade, que o museu merece, e atrair mais público”. Também Graça Fonseca, ministra da Cultura, admitiu que “há muito que o acervo do museu se encontra em instalações provisórias, que não permitem o desenvolvimento de todo o seu potencial, nem tão-pouco uma experiência museológica aos visitantes, proporcional à riqueza dos bens culturais que o museu guarda”. Em Mafra, vai também funcionar um centro de investigação e de formação dedicado às ciências musicais, fruto de uma parceria com a Universidade Nova de Lisboa.

Decisão “meramente política”

A decisão de retirar este equipamento cultural da freguesia mereceu diversas manifestações de desagrado por parte de diversos agentes político sociais. A Assembleia de Freguesia (AF) aprovou, por unanimidade, em várias ocasiões desde 2014, várias moções e recomendações a defender a permanência do MNM na freguesia. Na última recomendação proposta pelo CDS-PP, aprovada por unanimidade a 29 de Abril de 2019, a AF considerou a decisão governamental de ser “meramente política”, sem um “projecto sustentado para a mudança do museu”, citando as palavras de Mário Pereira, director do Museu Nacional de Mafra: “Primeiramente, foi tomada uma decisão política, agora estudam os melhores processos para viabilizar esta transferência.” Para os eleitos, a decisão não se baseou “num projecto sustentado onde seja demonstrada a sua credibilidade e responsabilidade”, pelo que acusam Fernando Medina, presidente da CML, de “conivência política” com o Governo. Na moção apresentada exigia-se “todas as responsabilidades políticas e jurídicas por transferir o actual Museu da Música sem existir um projecto alternativo sustentado academicamente de forma científica, colocando em causa a preservação de um espólio único no Mundo pertencente à cidade de Lisboa”. Os eleitos lembravam ainda que a ‘Europa Nostra’, uma federação pan-europeia para o património cultural europeu, considerou que as duas torres do Palácio Nacional de Mafra se encontravam com falta de manutenção e uma deficiente conservação e salientavam que “as famílias doaram os instrumentos ao Museu em Lisboa” e não em Mafra. No documento recomendava-se que o Executivo da Junta de Freguesia avançasse com uma providência cautelar contra a saída do MNM de Lisboa. Esta intenção não passou do papel.

Leia também  Habitação: 'Renda Acessível' nas Furnas

Alternativas em Lisboa

Entretanto, a 6 de Setembro de 2019, entrou na Assembleia Municipal de Lisboa uma petição “Pela manutenção do Museu Nacional da Música em Lisboa” liderada por Bagão Félix, com 803 assinaturas. Entre outros argumentos, os peticionários alegavam que “existência de doações e legados a favor do MNM é favorecida pela sua visibilidade e proximidade que lhe é dada pela sua permanência na cidade de Lisboa”. Estes cidadãos lembraram que têm ocorrido apoios e doações relacionados com a manutenção definitiva das instalações do museu na Capital. Esta petição deu origem a uma moção, aprovada por unanimidade pelos deputados municipais em Julho do ano passado, que defendia a apresentação de “alternativas na cidade de Lisboa para a colocação da totalidade dos serviços e espólio do Museu Nacional da Música, como um núcleo museológico e cultural agregador, tendo como objectivo continuar a aproximar o Conservatório de Música e o Museu Nacional da Música, como uma extensão prática do mesmo, bem como de outras escolas de Música, de investigadores e do público de concertos”. Na altura, António Cardoso, presidente da Junta de Freguesia, que subscreveu a referida petição, disponibilizou-se na Comissão Permanente de Cultura, Educação, Juventude e Desporto da AML para encontrar um espaço alternativo na freguesia para a instalação do museu, nomeadamente um edifício devoluto ao lado do Palácio Marquês da Fronteira com uma área aproximada de cinco mil metros quadrados ou o antigo edifício do INFARMED na Estrada de Benfica, pertença da ESTAMO, uma empresa pública. Entretanto, Fernando Medina, presidente da CML, descartou na AML qualquer responsabilidade na decisão governamental, argumentando que só teve conhecimento desta pela Comunicação Social e que a CML não recebeu qualquer pedido para encontrar instalações alternativas.

Leia também  S.D. Benfica: 350 mil euros para campos de Padel

Curvas de uma decisão

O MNM está desde 1994 instalado na estação de Metro ‘Alto dos Moinhos’ e a sua transferência foi determinada na sequência do fim do protocolo entre o Metropolitano de Lisboa e o MNM. Posteriormente, foi decidida a sua transferência para Mafra, tendo sido assinado um protocolo entre a CML e a Direcção-Geral de Património Cultural (DGPC).
Esta decisão governamental teve várias versões. Uma delas, proposta por Castro Mendes, ex-ministro da Cultura, previa dois pólos: uma exposição permanente em Mafra, ficando o Arquivo Nacional Sonoro e património alusivo à música portuguesa e à etnomusicologia em Lisboa. Graça Fonseca optou por uma instalação por inteiro no Palácio de Mafra, na ala norte, onde estará a partir do início do próximo ano, segundo as previsões. Note-se que entre 1991 e 1994, o espólio do museu já esteve no Palácio Nacional de Mafra (PNM), na sequência de uma “decisão da Secretaria de Estado da Cultura, e correspondendo à vontade da direcção da Biblioteca Nacional”, onde esteve desde 1975. Do Palácio Nacional de Mafra, o museu foi transferido para a estação de Metropolitano de Alto dos Moinhos, de onde sairá para regressar ao PNM.
Em 2019, o Governo decidiu instalar definitivamente, o MNM em Mafra. Graça Fonseca salienta que esta decisão “mostra uma clara intenção do Ministério da Cultura em dotar um acervo de bens culturais, que é único na Europa, das condições necessárias para a sua preservação, estudo e divulgação, ao mesmo tempo que se cria uma simbiose com o património cultural e natural de Mafra”. Até ao final deste ano, será lançado o concurso para as obras de instalação do MNM no PNM representando um investimento de 3,8 milhões de euros.f REDACÇÃO

Leia também  Benfica: 106 milhões para renda acessível

PUB







Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.