“Concorda com a vinda da EMEL para a zona do Mercado de Benfica?” , foi a pergunta que fizemos a todos os comerciantes do mercado.


A zona envolvente do Mercado de Benfica é uma das primeiras áreas da freguesia onde a Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) prevê regularizar o estacionamento e implementar o estacionamento pago. Em causa está o terreno adjacente à “praça”, cujo ordenamento deverá ocorrer durante este ano, e o futuro estacionamento subterrâneo que vai ser construído no novo pavilhão do Clube Futebol Benfica, para além do ordenamento de outras de outro estacionamento à superfície. Embora a freguesia tenha sido apontada como exemplo de “resistência” à introdução do estacionamento pago, a verdade é que a EMEL já gere o estacionamento junto da sede da Lusa, na fronteira com Carnide. A este propósito, o FREGUÊS conversou com todos os comerciantes do Mercado de Benfica. “Concorda com a vinda da EMEL para a zona do Mercado de Benfica?”, foi a pergunta que fizemos a todos. A maioria deles responderam negativamente, mais precisamente 37 comerciantes são contra a introdução do estacionamento pago; 16 responderam positivamente; 10 afirmaram não saber, ou seja, não concordam, nem discordam. Sábado: o dia mais difícil Os sábados são os dias mais caóticos na praça. Para conseguir um lugar de estacionamento é preciso chegar cedo à zona.
O estacionamento disponível serve moradores, comerciantes e quem se dirige ao mercado. Para além de uma maior afluência de pessoas, o trânsito e o estacionamento por vezes selvagem (segunda fila, etc.) acabam por entupir as artérias envolventes. Os moradores sabem que são dias em que sair de carro no horário de funcionamento do “Mercado” significa estacioná-lo mais longe de casa. Na verdade, não existem lugares suficientes que sirvam as necessidades da população. Embora não seja a opinião da maioria, há quem defenda que a gestão do estacionamento devia ficar a cargo da EMEL: o estacionamento pago promoveria a rotatividade, aumentando as possibilidades de estacionamento, sem ter de percorrer distâncias consideráveis ou perder demasiado tempo à sua procura. “Pintar riscas no chão não cria mais lugares, por isso não faz sentido pagar a EMEL”, referem. Outros comerciantes são mais peremptórios: “se a EMEL entrar na zona então a Junta de Freguesia está mesmo a matar e a acabar com o Mercado por ter outros interesses para o espaço”, salientam.
A MAIORIA DOS COMERCIANTES É CONTRA A INTRODUÇÃO DO ESTACIONAMENTO PAGO. “ESSA MEDIDA PREJUDICARIA O COMÉRCIO, MAS TAMBÉM OS MORADORES E A POPULAÇÃO EM GERAL”, AFIRMAM-NOS.
Perder clientes Não obstante, a maioria dos comerciantes é contra a introdução do estacionamento pago. “Essa medida prejudicaria o comércio, mas também os moradores e a população em geral”, afirmam-nos. Na verdade, mostram-se indignados com a possibilidade de terem de pagar estacionamento para acederem ao local de trabalho. Os comerciantes e respectivos colaboradores entram por volta das 4h00 da manhã “pelo que têm dificuldades em arranjar transportes públicos a essa hora, ou seja, não têm outra alternativa senão deslocarem-se de automóvel” afirmam-nos. Por outro lado, “não podem pagar parquímetro de terça-feira a sábado dese as 8h00 (hora a que começam os parquímetros) até às 17h00 da tarde”, sublinham. Por outro lado, garante que tal medida prejudica o negócio e receiam a perda de mais clientes para outros espaços comerciais na zona que têm estacionamento gratuito. Contíguo ao Mercado de Benfica existem dois supermercados e prevê-se o aparecimento de uma terceira marca. Para outros comerciantes as dificuldades estão a aumentar: a burocracia ou as rendas., são exemplo apontados. Os comerciantes reforçam a ideia de que a solução para o estacionamento passaria pela construção de mais lugares na zona envolvente ao Mercado. Uma das questões que mais levanta interrogações e o projecto de requalificação deste equipamento. Alguns temem o projecto autárquico acabe com as características populares do Mercado de Benfica.
