O confinamento sanitário faz-nos viajar em memórias, através de lembranças e fotografias. Numa destas noites, “viajei” até Marrocos.
● No tempo em que as máquinas fotográficas ainda usavam rolo, fiz uma viagem pelas cidades imperiais de Marrocos. O cheiro, o calor, a azáfama das cidades e dos comerciantes, a condução agressiva e a construção desorganizada são memórias que o tempo não apaga.
Nas fotografias destacam-se as de Fez. Com ruas estreitas, labirínticas e sem carros, a medina de Fez é um mundo de contrastes. É possível entrar, mas impossível sair. O único transporte disponível para que a medina sobreviva, são os burros. São eles que asseguram a carga e descarga de bens, o transporte de pessoas e até de lixo.
Passaram 15 anos e a Lisboa de Medina tem muitas semelhanças com a medina de Fez.
Na Lisboa de Medina, é fácil entrar, difícil é circular e sair; a rede de transportes oferece-nos o calor do aglomerado humano; e os carros estão cada vez mais limitados a permanecer na cidade.
Medina de Lisboa sabe que por dia, na sua cidade, circulam mais de 400 mil carros e cerca de 1000 bicicletas, mas mesmo assim, entende que não deve haver freguesia, bairro, rua ou beco que não tenha um corredor para pedalar.
Medina de Lisboa, que suprimiu centenas de lugares de estacionamento com a requalificação do Eixo Central, prepara-se agora para suprimir todos os lugares de estacionamento da Avenida de Berna, para dar lugar a mais um corredor verde de betão.
Medina de Lisboa oferece-nos espaços verdes… Verdadeiras auto-estradas, a que tecnicamente se chama “ciclovia”.
Quem mora e trabalha no Eixo Central e zonas adjacentes tem que circular a pé, de bicicleta, ou talvez de burro, porquanto o Medina de Lisboa (que é vizinho mas tem garagem), elimina, a cada nova resolução, os lugares de estacionamento que aqui existem.
Sem carros, sem transportes, sem limpeza e sem organização, é caso para perguntar:
“Que diferença existe entre a medina de Fez e o que Medina fez”.f

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