A Junta de Freguesia concorda com a introdução de nove zonas de estacionamento de curta duração, propostas pela Câmara Municipal de Lisboa. Logo no terceiro parágrafo do seu parecer favorável, os autarcas benfiquenses consideram que “dada a dificuldade de estacionamento já sentida em algumas zonas da freguesia, consideramos relevante a entrada da EMEL, como elemento dissuasor de estacionamento”. E noutro ponto do documento afirma que a proposta “é na sua generalidade adequada”.
 
 
● A Junta de Freguesia apenas propôs duas alterações aos planos iniciais da EMEL. Segundo estes autarcas, a freguesia está transformada “num grande parque dissuasor gratuito, agravando as dificuldades já sentida pelos moradores, dado que as freguesias vizinhas (São Domingos de Benfica e Carnide) têm estacionamento tarifado”, reconhecendo que “Benfica tem problemas de estacionamento distintos de zona para zona e de bairro para bairro, às quais é necessário dar respostas diferentes”.
Não obstante, não se descortina a diferenciação de respostas: a freguesia é esquartejada em pequenas zonas  que vão dificultar a mobilidade da população, mesmo para fazer compras no comércio local. Por outro lado, zonas, como o Bairro de Santa Cruz onde não existem problemas de estacionamento a não ser ao sábado, passam a ser tarifadas para residentes. O mesmo se passará com o Bairro das Pedralvas e o Bairro da Boavista. A CML apenas refere que a aprovação das ZEDL “não implica a sua imediata entrada em exploração pela EMEL em toda a freguesia, sendo esta feita de forma articulada entre a CML, a Junta de Freguesia e a EMEL”.
Não obstante, Inês Drummond, presidente da Junta de Freguesia, defendeu na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no passado dia 14 de Maio, que a EMEL deveria entrar rapidamente na freguesia.

Premissas esquecidas
O parecer favorável da Junta de Freguesia deita por terra as afirmações públicas dos seus autarcas, segundo as quais a instalação da EMEL obedeceria a premissas “absolutamente decisivas” para que se possa admitir a eventual instalação de parquímetros da EMEL em Benfica” que mereceriam “a concordância do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina”.
Essas condições eram as seguintes: realização de um amplo debate com os moradores; verificação de um alargado consenso entre os moradores das zonas a envolver; criação de mais lugares de estacionamento e zonas de estacionamento exclusivo para moradores; realização prévia de obras por parte da EMEL visando a requalificação dos respectivos espaços públicos envolventes.
Por outro lado, os deputados municipais aprovaram, em Outubro passado, uma recomendação ao executivo da Edilidade, segundo a qual a CML deveria efectuar “um estudo exaustivo dos problemas de estacionamento existentes nesta zona em Benfica” e encontrar “soluções de estacionamento que sejam as mais consensuais, cumprindo a lei e que minimizem os impactos negativos da notória falta de estacionamento”.
A introdução da EMEL em Benfica foi objecto de uma consulta pública, como determina a lei, entre 21 de Fevereiro de 2019 e 14 de Março de 2019, tendo sido apresentadas 132 participações.
Entretanto, deu entrada na AML uma nova petição, intitulada “EMEL em Benfica, não!”, com cerca de duas mil assinaturas.f
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