Home

  • Referendo local: Comissão Nacional de Eleições adverte Junta de Freguesia de Benfica

    Referendo local: Comissão Nacional de Eleições adverte Junta de Freguesia de Benfica

    Comissão Nacional de Eleições (CNE) advertiu Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica (JFB), para a necessidade de “cumprir rigorosa e escrupulosamente todos os atos, prazos e formalidades legalmente impostas, sob pena de, com a sua conduta, poder pôr em causa a integridade e transparência dos respectivos processos” em relação ao Referendo Local de 12 de Fevereiro.



    ● Não obstante, a CNE afirmar “que foi cumprida a publicitação do edital relativo à convocação e data de realização do referendo nos dois jornais diários” (Público e Correio da Manhã), adianta que não “foi perfeita” a sua afixação nos locais de informação pública da freguesia.

    A CNE acrescenta que  o próprio Presidente da Junta de Freguesia de Benfica assumiu que, em alguns daqueles locais, não foi possível a sua afixação, “em virtude de não se encontrarem em boas condições”.

    Também o processo de formalização da fixação dos editais merece críticas da CNE: “a Junta de Freguesia não dispõe das certidões de afixação dos editais que lhe foram solicitadas”, bem como as várias imagens fotográficas que foram remetidas àquele órgão:  “a grande maioria delas, sem possibilidade de qualquer leitura quanto ao seu teor e quanto ao local”, acrescentando que “apenas consta de um edital  a frase “Em conformidade, se publica o presente Edital, que será afixado nos locais públicos habituais da Freguesia, bem como no sítio da internet http://www.jf-benfica.pt ”.

    Para a CNE, “tal formulação não preenche os requisitos necessários para fazer fé, porquanto não indica quem, em que data e em que locais será efectivamente afixado o edital de convocação e fixação de data de realização do referendo”.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Ambiente: como evitar os riscos da utilização do cloro na água

    Ambiente: como evitar os riscos da utilização do cloro na água

    O cloro dá-nos segurança na desinfeção da água potável mas também pode representar um risco de toxicidade, segundo a médica Manuela Cerejeira.



    ● Temos o enorme privilégio de viver numa zona do planeta com água segura e potável, (ou seja, desinfectada) disponível nas torneiras de nossas casas. Garantimos assim que não vamos sofrer de doenças infecciosas transmitidas por microrganismos existentes na água.
    Mas nem todos têm a nossa sorte. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2017, cerca de 2.1 mil milhões de pessoas ainda não tinha acesso a água potável — a verdade é que a desinfeção da água, tornando-a potável, foi um dos maiores avanços da saúde pública no século passado.
    Como sabemos, o cloro adicionado à água garante a sua desinfecção. No entanto, porque a água em bruto contém matéria orgânica que reage com o cloro, geram-se subprodutos de desinfecção que são tóxicos: os chamados trihalometanos.
    E a toxicidade dos trihalometanos, mesmo que em concentrações reduzidas, pode ter efeitos (por acumulação) na saúde humana.
    Acresce o facto de que os trihalometanos aumentam a sua concentração por acção do calor, como no caso da água aquecida para um duche, agindo directamente na nossa pele, podendo identificar-se a sua presença no sangue após um banho de 10 minutos.
    Por outro lado, os Trihalometanos também podem ser dissipados no vapor de água e serão inalados por nós quando respiramos.
    O vapor de água durante o duche pode constituir um risco elevado de exposição a trihalometanos, podendo aumentar a sua concentração em 50% em relação à água fria.
    Existem dezenas de estudos que procuram identificar uma possível relação causa-efeito entre a exposição a estes compostos e o aparecimento de cancro, em particular da bexiga, cólon e recto.
    E também se tem estudado a possibilidade da existência de outros efeitos adversos — vários estudos identificaram nomeadamente efeitos reprodutivos adversos (acção sobre hormonas e sobre órgãos reprodutores) assim como toxicidade directa nos rins e no fígado com consequências nas suas funções.
    Uma vez que a desinfecção por cloro condiciona, de modo inevitável, a formação de trihalometanos e outros subprodutos, eventualmente tóxicos, é indispensável usar equipamentos de filtragem da água que garantam a sua remoção, seja para beber e cozinhar, seja para um duche ou banho.
    E é esta a boa notícia: há forma de evitar esta exposição, colocando filtros de qualidade à saída do duche, pois têm a capacidade de reter essas substâncias.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
    Patrocinado, Estúdio F, desenvolvimento de marcas

    Área de desenvolvimento de marcas do Freguês. Soluções de comunicação e posicionamento para negócios e organizações.

  • Voos nocturnos: Assembleia da República discute poluição sonora

    Voos nocturnos: Assembleia da República discute poluição sonora

    Há semanas, foi criada uma plataforma cívica “Aeroporto fora, Lisboa melhora”, que lançou uma petição online dirigida à Assembleia da República e ao Governo a defender o fim dos voos nocturnos que conta com 573 subscritores. Entretanto, quatro projectos de lei para acabar ou restringir os voos nocturnos na Capital estão a ser discutidos no Parlamento.



    ● É observável a olho nu a passagem de aeronaves por diversas zonas da freguesia principalmente quando fazem a aproximação à pista. A situação torna-se mais grave quando existem diversos equipamentos nessas trajectórias, como o Hospital Santa Maria, o Instituto Português de Oncologia ou a Cidade Universitária.
    Mais de 388 mil pessoas estão expostas a níveis de ruído superiores a 45 decibéis [Ln 45 (dB)] durante a noite”, causado pelas descolagens e aterragens das aeronaves no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, segundo um estudo realizado por um grupo de trabalho parlamentar que vai apresentar conclusões em breve.
    No mesmo documento, aponta-se que os custos dos impactos totais na Saúde e no Ambiente ascendam a €266,9 milhões por ano e a €2,2 mil milhões em 10 anos (entre 2019 e 2029), dos quais cerca de 506 milhões são associados a emissões de Co2 equivalente.
    A ANA – Aeroportos de Portugal concebeu um ‘Plano de Ação do Ruído 2018-2023’ para o aeroporto Humberto Delgado para mitigar os efeitos da poluição sonora. Não obstante, as intervenções de insonorização nos edifícios identificados como críticos estão por executar e continua-se sem saber quando estará a funcionar a plataforma online para os proprietários se candidatarem a financiamento para isolarem as suas casas do ruído.
    Aliás, os queixosos tem dificuldade em encontrar uma forma directa de fazer chegar as suas queixas às entidades responsáveis, como a ANA ou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

    Acabar com os voos nocturnos
    Segundo os subscritores, o Aeroporto Humberto Delgado, além de ser o único que ainda funciona dentro de uma capital europeia, “fustiga mais de 200.000 cidadãos de Lisboa com um número de aviões sem precedentes a passar a baixa altitude”, acrescentando que “são em média voos a cada 2,5 minutos”. Actualmente, realizam-se mais de 200.000 voos por ano, ou seja mais de 600 voos por dia. Entre as 23h00 às 07h00, ocorrem mais de 20.000 voos por ano.
    Os signatários lembram que nos outros aeroportos europeus com um potencial de afectação da população semelhante ou inferior, encerram à noite, salvo excepções e emergências. No documento afirma-se que “não é o caso de Lisboa, onde são permitidos 26 voos por noite e 91 por semana entre as 0h00 e as 06h00, os quais são muitas vezes superados”.
    Para os subscritores, “os cidadãos de Lisboa estão exaustos de conviver com esta situação, com impactos negativos no seu descanso e na sua saúde”.
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha a que o ruído não ultrapasse os 45 décibeis (dB) durante o dia e os 40 dB à noite por considerar que a exposição a níveis de poluição sonora é prejudicial à saúde.
    Perturbações no sono, aumento de stress, hipertensão arterial, mudanças de estado de humor, diminuição da capacidade de concentração e do desempenho no trabalho ou na escola são algumas das patologias associadas à exposição do excesso de ruído.

    <h2>Imposto sobre ruído aéreo</H2>

    ● Um grupo de moradores mobilizou-se há anos para defender a criação de um “imposto sobre o ruido aéreo”, mas sem grande sucesso. Os moradores defendiam a cobrança às companhias aéreas de um valor por cada passageiro que chega ou parte do aeroporto da Portela. Segundo os seus promotores, “pretende-se reverter essa receita para a insonorização das habitações”. As verbas obtidas seriam geridas “por uma comissão formada por elementos independentes”. Mas a iniciativa não teve grande sucesso e segundo nos afirmam vai ficar em stand by até final do ano.

    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Escola Mestre Arnaldo Louro de Almeida: alunos contra má nutrição infantil

    Escola Mestre Arnaldo Louro de Almeida: alunos contra má nutrição infantil

    A Escola Básica Mestre Arnaldo Louro de Almeida (MALA), situada no Bairro Santos, é o único estabelecimento de ensino da freguesia que participa no programa ‘Heróis da Fruta’ promovido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) para combater a má nutrição infantil.



    ● O programa suporta-se num ‘Passaporte dos Heróis da Fruta®’ que as crianças devem colorir diariamente como recompensa por porem em prática hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis.
    Frutas e legumes são considerados ‘super alimentos’ que consumidos segundo as recomendações durante 25 dias transformam as crianças em ‘Heróis da Fruta’.
    Através da estimulação da imaginação, o programa visa aumentar a ingestão de frutas e vegetais junto das crianças para alcançar as quantidades mínimas diárias recomendadas; reduzir o consumo de ‘Super Industriosos’ (com açúcar, sal ou gordura em excesso) junto das crianças para não ultrapassar limites máximos; e promover a literacia alimentar, junto dos encarregados de educação, para incentivar hábitos familiares mais saudáveis e sustentáveis.
    Trata-se de um método que combina materiais educativos protagonizados por um grupo inspirador de ‘personagens-modelo’ que ganham ‘superpoderes’ através da ingestão de alimentos saudáveis e técnicas de educação não-formal como storytelling ou gamification.
    Os conteúdos são desenvolvidos por uma equipa multidisciplinar de especialistas e respeitam todos os referenciais de nutrição infantil e alimentação saudável, educação para a saúde e literacia em saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Direção Geral da Saúde (DGS) e Direção Geral da Educação (DGE).
    Os resultados do método Heróis da Fruta® são continuamente avaliados por investigadores do Instituto de Saúde Ambiental (ISAMB) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Desde 2011 quase meio milhão de crianças participantes já melhorou os hábitos alimentares através deste programa.

    Promover o consumo
    O objectivo da APCOI é promover o consumo diário de fruta e produtos hortícolas, “um dos factores mais importantes de uma alimentação saudável, porque são alimentos que contêm nutrientes insubstituíveis como as vitaminas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos”.
    O baixo consumo destes alimentos essenciais tem efeitos negativos para a saúde: provoca alterações nos níveis de energia, de concentração e aprendizagem e diminui as defesas do organismo (imunidade), tornando as crianças e também os adultos mais sujeitos às bactérias, vírus e doenças em geral. Segundo a OMS, o reduzido consumo diário de fruta e produtos hortícolas é indicado como um dos dez principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, como a obesidade.
    A recomendação nutricional mundial para garantir a ingestão dos nutrientes mínimos necessários para a saúde tanto para crianças quanto para adultos é, pelo menos, cinco porções de frutas e legumes, todos os dias.
    Consumir diariamente fruta e produtos hortícolas é um dos comportamentos mais importantes de uma alimentação saudável, porque estes alimentos contêm nutrientes insubstituíveis como as vitaminas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos.
    Em Portugal, 74,9% das crianças entre os dois e os dez anos não cumpre esta recomendação da OMS.

    Modelo premiado
    O modelo pedagógico do programa ‘Heróis da Fruta’® já foi diversas vezes distinguido e premiado por vários especialistas nacionais e internacionais, preocupados em combater a obesidade e a má nutrição nas escolas, melhorando a alimentação diária das crianças.
    Em 2021, chegou a vários canais de televisão e rádio, com uma série de animação de 26 episódios, retratando as aventuras deste grupo de três pequenos amigos que querem salvar o planeta “à dentada” e para isso partem à descoberta de frutas e legumes de origem nacional para ganharem superpoderes. Neste programas são também promovidos os produtos nacionais como a melancia do Ladoeiro, a uva do Ribatejo, a abóbora de Soza, o amendoim do Rogil ou o agrião de água de Almancil.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Mercado Bairro Santos: comerciantes defendem eventos para atrair clientes

    Mercado Bairro Santos: comerciantes defendem eventos para atrair clientes

    A maioria dos comerciantes faz um balanço positivo da requalificação do Mercado do Bairro Santos que atraiu ao local clientes novos num duplo sentido: primeiro, várias pessoas que não frequentavam o local, começaram a fazê-lo; depois, a modernização das instalações acabou por atrair clientes de faixas etárias mais novas. Mas os comerciantes defendem a realização de eventos para dar vida e para explorar as potencialidades do mercado, mostrando-se apreensivos quanto ao futuro.



    ● À atracção de novos frequentadores não é alheia à loja âncora que é o supermercado Mini Preço, além de uma oferta diversificada das lojas que se distribuem por dois andares no átrio do mercado. Não obstante, os comerciantes olham com alguma apreensão para as lojas fechadas “que não é bom para quem fica”. Após a requalificação do equipamento, que representou um investimento de um milhão e 80 mil euros, prometia-se nova vida para os 20 comerciantes que ocupavam a praça central (12 dos quais na galeria do primeiro andar).
    Depois de 14 de Maio de 2018, as dificuldades de vária ordem foram acabando com os negócios. No primeiro andar restam quatro resistentes: a barbearia, a lavandaria, um restaurante (A Cantina do Mercado) e uma churrascaria. A padaria desapareceu sendo ocupada provisoriamente pela ‘Costureira do Mercado’, cuja loja no r/c apresenta problemas estruturais, assim como o Centro de Cópias.
    Os serviços da Junta de Freguesia foram crescendo e ocupam hoje seis lojas. No piso térreo, a paisagem é marcada pelas duas lojas que apresentam problemas estruturais e que estão desocupadas há longos meses e por outras duas lojas, cujos comerciantes pagam as rendas mas que, no geral, estão fechadas. A este propósito, alguns comerciantes consideram que o regulamento do mercado deveria impor a abertura das
    lojas. “Há interessados que não tem oportunidade de dispor das lojas disponíveis”, sublinhando que a autarquia devia abrir concursos”, afirmam.


    Problemas continuam
    Embora os comerciantes considerem “positiva” as alterações introduzidas pela requalificação do equipamento em 2018, todos sublinham que os problemas não acabaram e, alguns, acusam a Junta de Freguesia de não “olhar com olhos de ver o local”.
    E dão um exemplo, com as obras a decorrer por fases em diversas artérias do Bairro Santos, “o trânsito automóvel é obrigado a dar grandes voltas para quem pretenda chegar ao mercado, acabando por desistir”, afirmam os comerciantes.
    O problema mais grave tem a ver com rachas que surgiram em duas lojas do r/c que obrigaram a fechar a lojas por medidas de segurança, cujos negócios foram deslocados para outros espaços. Uma situação que surpreendeu dado a recente qualificação do edifício. Apesar de promessas de obras rápidas, o certo é que a situação se mantem há tempo demais para os comerciantes. Um deles, a ‘Costureira do Mercado’, ainda está no segundo andar, provisoriamente, numa loja que era uma antiga padaria. “Os clientes continuam a vir porque já me conhecem”, afirma a responsável ao ‘FREGUÊS DE AVENIDAS NOVAS’. O cheiro proveniente dos esgotos continua a invadir, por vezes, a loja de produtos regionais do R/C.
    A falta de manutenção do espaço também gera críticas. A maioria das lâmpadas LED’s da praça exterior não funcionam, o que nos dias curtos de Inverno, rapidamente a iluminação deficiente afasta os fregueses deste espaço. Há quem defenda que os animais de estimação não deveriam aceder à praça central do mercado “porque fazem as suas necessidades nas caldeiras das árvores”, sendo este um recinto onde se vendem produtos alimentares.
    Mas a passagem do tempo também se faz notar noutros aspectos: a sinalética na entrada do mercado está praticamente apagada e mal se lê, a lavagem do empedrado da praça central raramente é feita, ficando a antiga calçada portuguesa preta e as instalações sanitárias frequentemente não têm água e apresentam falta de limpeza. Além de que os comerciantes deixaram de ter instalações sanitárias privadas, o que motiva reparos.
    Outra questão, tem a ver com a falta de lugares de estacionamento reservados aos comerciantes. Só existem dois lugares para cargas e descargas desde a requalificação de 2018. Os os comerciantes perderam o direito de estacionar no parque do mercado.
    Entretanto, a estratégia municipal para os ‘Mercados de Lisboa’ está a ser revista e deverá ser anunciada em breve. Até ao fecho da edição, a Junta de Freguesia não respondeu às questões colocadas pelo ‘FREGUÊS DE AVENIDAS NOVAS’.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • João Palmeiro, Associação Portuguesa de Imprensa: ‘Freguês’ é um jornal local de terceira geração

    João Palmeiro, Associação Portuguesa de Imprensa: ‘Freguês’ é um jornal local de terceira geração

    “O ‘FREGUÊS’ é um jornal local de terceira geração”, afirmou João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Impensa (AIP), durante as comemorações do Dia Nacional de Imprensa que decorreram a 14 de Dezembro na Universidade de Évora, acrescentando que “o seu âmbito de cobertura está directamente relacionado com os seus leitores enquanto parte de uma comunidade local, seja ela uma pequena aldeia isolada, seja uma circunscrição administrativa no meio de uma grande cidade”.



    ● Para João Palmeiro, “os jornais, no que respeita ao âmbito da cobertura noticiosa que prometem aos seus leitores, estão dependentes da vontade do editor que define o objectivo da recolha de notícias, e da evolução da logística que foi oferecendo, ao longo da história do jornalismo, diferentes capacidades de fazer chegar o jornal mais longe e mais depressa, com o consequente alargamento da cobertura disponível”.
    Na opinião do presidente da API, “com a chegada das disponibilidades digitais, que origina comunidades autónomas de interesses de vizinhança, os jornais voltaram a poder escolher com toda a diferenciação o âmbito geográfico ou comunitário da sua cobertura”. “Assim o ‘FREGUÊS’ insere-se na terceira geração já que determina o seu título e a sua identidade pela divisão administrativa, em Portugal chamada freguesia”, salienta.
    João Palmeiro refere que “ao assumir o nome que se atribui aos cidadãos da circunscrição de menor dimensão em Portugal, o ‘FREGUÊS’ assume-se genuinamente como um jornal hiperlocal de terceira geração”.

    O que são os jornais de terceira geração
    João Palmeiro considera que “os jornais locais de terceira geração, ou hiperlocais, são o regresso voluntario e assumido editorialmente à comunidade definida pelos interesses comerciais, culturais e administrativos de vizinhança”, acrescentando que “a logística e mesmo a mobilidade pública ou privada só interessa quando se contém dentro dos limites da circunscrição”. Esta visão “afirma a grande relevância e importância destes jornais que publicam e tratam jornalisticamente tudo o que fica esquecido ou escondido na falta de espaço ou de dimensão de impacto — audiência”.
    Os jornais de terceira geração são, por isso, “os mais desprotegidos e os que necessitam de maior supervisão por parte dos reguladores”, sublinha o presidente da AIP.

    Iniciativa inovadora
    Este responsável considerou o ‘FREGUÊS’, “uma interessante e importante iniciativa no panorama mediático português e até europeu”. João Palmeiro afirmou que “seguindo uma tradição de publicações hiperlocais em Portugal de que restam alguns casos de freguesias semi-rurais ou paroquiais, o âmbito deste jornal é muito inovador e contém grandes potencialidades não só na sua edição em papel como em suportes digitais”, acrescentando que esta iniciativa editorial “é uma importante oportunidade para o comércio local e tradicional, bem como para a economia social que está em grande desenvolvimento”.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Palhavã Praça de Espanha

    Palhavã Praça de Espanha

    A Praça de Espanha (até 1979 designada por Praça Espanha) é uma das principais praças de Lisboa na fronteira entre as freguesias de Avenidas Novas, São Domingos de Benfica e Campolide.



    ● Situada numa zona antigamente conhecida por Palhavã, a “praça” não parece uma praça dadas as suas actuais características: é mais um local com grandes vias e elevado trânsito rodoviário de atravessa[1]mento da cidade, além de ser um importante interface de transportes públicos. A Câmara Municipal de Lisboa pretende construir um grande parque urbano na zona e criar uma nova centralidade de escritórios e serviços, reformulando todos os eixos viários da praça. O perfil socio- -económico de toda a área vai ser alterado devido aos grandes imóveis que vão ser construídos para a instalação de sedes de diversas instituições. Na praça existe uma estação do Metropolitano de Lisboa, até 1998 designada Palhavã (hoje Praça de Espanha), integrada na Linha Azul, inaugurada a 29 de Dezembro de 1959. O projecto original é da autoria do arquitecto Francisco Keil do Amaral e as intervenções plásticas da pintora Maria Keil. Em 15 de Outubro de 1980 foi concluída a ampliação da estação com base num projecto do arquitecto Sanchez Jorge e as intervenções plásticas da pintora Maria Keil. A ampliação da estação implicou o prolongamento dos cais de embarque e a construção de um novo átrio. A estação possibilita o acesso ao Edifício-sede e parque da Fundação Calouste Gulbenkian, à Mesquita de Lisboa, ao Teatro Aberto, ao Teatro da Comuna e ao terminal de auto[1]carros que se localiza nessa praça.

    Memória de Espanha
    A toponímia da Praça foi oficializada pelo Edital municipal de 29 de Janeiro de 1979, gravando a memória que o povo de Lisboa tinha deste espaço, associando-a à Embaixada de Espanha que ocupou o Palácio de Palhavã entre 1919 a 1939. A partir desta data passou a ser a residência do embaixador espanhol. A construção do edifício, em 1660, deveu-se ao 2.º Conde de Serzedas, Luís Lobo da Silveira, que o mandou construir na estrada que ligava o sítio da Pedra ao sítio de Sete Rios, especificamente nos terrenos de um cavaleiro conhecido como de Palhavã. Assim, nasceu o Palácio de Palhavã. A história dos residentes do Palácio revela a sua antiga ligação (a partir da segunda metade do séc. XVIII) ao país vizinho. O palácio passou para os Condes da Ericeira e Marqueses do Louriçal a partir de 1747, que o arrendaram a D. João V para morada dos seus três filhos, conhecidos como “Os Meninos de Palhavã”. Entre 1765 e 1769, foi a residência do Marquês de Almodóvar, Embaixador de Espanha. No início do séc. XIX, os seus terrenos foram danificados pelos franceses que lá montaram acampamento aquando das Invasões. Em 1861, foi adquirido pelo 3.º Conde de Azambuja ou dos Lumiares, que restaurou o Palácio de acordo com um plano do arquitecto Possidónio da Silva. Em 1918, os Azambujas resolveram leiloá-lo e acabou arrematado pelo Governo de Espanha, representado por Alejandro de Padilla, então Ministro Plenipotenciário, que nele instalou a Embaixada do seu país. Um marco na Praça de Espanha é a Fundação Calouste Gulbenkian, um importante centro de cultura da capital, cujos jardins fazem as delícias de muitos lisboetas e turistas.


    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Avenida Ressano Garcia (1847 – 1911)

    Avenida Ressano Garcia (1847 – 1911)

    Ressano Garcia ganhou notoriedade como um dos mentores da expansão e renovação urbana de Lisboa no último quartel do século XIX. A Avenida da Liberdade, a Praça Marquês de Pombal, a Avenida 24 de Julho, os bairros de Campo de Ourique e da Estefânia e a Linha de Sintra, são alguns dos marcos da obra deste político que foi ministro, deputado e par do Reino.



    ● Frederico Ressano Garcia nasceu nas Mercês (Lisboa), a 12 de Novembro de 1847, sendo filho de António José de Orta e de Fidélia Ressano Garcia. Depois de ter frequentado a Escola Académica até aos 14 anos, matriculou-se no curso de Engenharia da Escola Politécnica de Lisboa. Aluno brilhante, conseguiu, por concurso público, obter transferência para a École Impériale des Ponts et Chaussées, de Paris, onde concluiu o curso de engenharia de pontes e calçadas em 1869. Frede[1]rico casou em Lisboa, Encarnação, a 6 de Agosto de 1873 com Maria Leonor Barreir Marquês de Pombal, e elaborou um plano de expansão da cidade para norte, a partir das margens do Tejo, tendo como eixo principal a actual Avenida da Liberdade. Ressano Garcia foi fortemente influenciado pelos conceitos técnicos e estéticos difundidos por Georges-Eugène Haussmann na renovação de Paris nas décadas de 1850 e 1860. Tal como em Paris, as infra-estruturas para o abastecimento de água, gás e electricidade foram instaladas no subsolo, facilitando a mobilidade de pessoas e veículos à superfície. Quando chegou à CML, a Avenida da Liberdade estava a ser delineada, sobre um moroso e caríssimo processo de expropriações. Ressano Garcia actuou imediatamente na esfera política, fazendo aprovar em Côrtes, em 1878, a “Lei de expropriações por zonas” para viabilizar a “abertura da grande Avenida do Passeio Público às portas de S. Sebastião”. O engenheiro viabilizava assim a sua visão para Lisboa, garantindo não só a expropriação do leito das novas avenidas, mas também de faixas laterais para urbanização imediata e venda, gerando as receitas necessárias para a concretização das novas ideias urbanísticas. O plano, a urbanização e o loteamento foram da responsabilidade municipal, numa vasta área expropriada e depois vendida em hasta pública. O estadista orientou a construção da Avenida da Liberdade, inaugurada em 1879, da Praça Marquês de Pombal, da Avenida 24 de Julho e do Mercado da Ribeira Nova. São também da sua iniciativa os novos bairros de Campo de Ourique e da Estefânia e o vasto conjunto de avenidas, ruas, bairros e parques sitos entre a Praça Marquês de Pombal e o Campo Grande. Entre as artérias toponímia Avenida Ressano Garcia 1847 – 1911 incluídas no plano, constam os arruamentos das Avenidas Novas hoje existentes entre a Praça Duque de Saldanha e Praça de Entrecampos, com especial destaque para a actual Avenida da República. Para além destes projectos, Ressano Garcia executou os projectos de renovação da rede de esgotos da cidade e de abastecimento de água ao porto de Lisboa. Para facilitar a mobilidade, planeou a criação de uma linha ferroviária de cintura, que se prolongava pela Linha de Sintra. Esta intervenção urbanística de Ressano Garcia é considerada a maior realizada em Lisboa desde a reconstrução da cidade que se seguiu ao Terramoto de 1755. Todas estas ideias foram incluídas no “Plano Geral de Melhoramentos da Capital” (comissão 1876-1881). No final de 1907, Ressano Garcia foi demitido do seu cargo de director-geral do Serviço Geral de Obras, mas manteve o seu vínculo de engenheiro da Câmara.

    Político progressista

    Ressano Garcia foi filiado no Partido Progressista, sendo eleito deputado em 1878, mantendo-se nas Côrtes durante diversas legislaturas. Em 1887, ingressou na Câmara dos Pares, como par do Reino electivo pelo distrito de Lisboa. Na Câmara dos Pares foi primeiro-secretário e vogal da Comissão dos Negócios da Fazenda e Obras Públicas. A 23 de Fevereiro de 1889 substituiu Emídio Navarro no cargo de Ministro de Estado da Marinha e Ultramar do executivo os Cardoso, nascida em Monforte a 3 de Fevereiro de 1846. Um dos seus filhos foi Arnaldo Cardoso Ressano Garcia, professor universitário. O modernizador de Lisboa Em Lisboa foi nomeado professor de engenharia do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. A partir de 1874 foi engenheiro da Câmara Municipal de Lisboa (CML), lugar que acumulou, a partir de 1880, com o de professor na Escola do Exército. Na CML, reorganizou o departamento técnico, da qual foi responsável. Ressano Garcia retomou as ideias de expansão urbana da cidade de Lisboa, iniciadas desde o tempo do presidido por José Luciano de Castro, governo que caiu a 14 de Janeiro de 1890, na sequência do ultimato britânico. Voltou ao governo entre 7 de Fevereiro de 1897 e 18 de Agosto de 1898, também num executivo chefia[1]do por José Luciano de Castro, desta feita, com a pasta de Estado dos Negócios da Fazenda. Na fase final da sua vida, foi presidente da administração da Companhia das Águas de Lisboa, sucessivamente eleito até ao ano da sua morte, director da Companhia Portuguesa de Fósforos e director da Companhia dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques. Foi também nomeado comissário régio e presidente da comissão que organizou a participação de Portugal na Exposição Mundial de 1900, realizada em Paris.

    Ao nível da comunicação social, foi redactor do jornal “Progresso”, órgão oficioso do Partido Progressista, e director do diário “O Progressista”. Também colaborou no “Diário Popular” e na “A semana de Lisboa”.

    Duas vezes na toponímia lisboeta

    Ressano Garcia foi homenageado duas vezes na toponímia de Lisboa. Ainda em vida, o seu nome foi atribuído a uma das novas avenidas da cidade. Uma deliberação camarária de 22 de Abril e o respectivo Edital de 3 de Maio de 1897, renomeou a Avenida das Picoas como Avenida Ressano Garcia. No entanto, com a advento da Revolução Republicana, a CML voltou atrás: logo no dia seguinte à revolta, a 6 de Outubro de 1910, houve uma decisão camarária, publicada no primeiro Edital do novo ciclo político, que a transformou na Avenida da República. Foram precisos 19 anos para Ressano Garcia voltar à toponímia lisboeta, atribuída pelo Edital de 25 de Novembro de 1929, à via que entre o cruzamento da Rua do Marquês de Fronteira e Avenida de António Augusto de Aguiar e Campolide. Por parecer da Comissão de Topo[1]nímia homologado pelo Vice-presidente da CML em 16 de Abril de 1951 foi suprimida a partícula «de» no topónimo e, por edital de 25 de Outubro de 1989, o arruamento cresceu com a inclusão da via construída no prolongamento da Avenida Ressano Garcia até à Universidade Nova. A Rua da Mesquita (prolongamento natural daquela avenida e que anteriormente a integrava), faz a ligação com o Campus de Campolide onde se localiza a reitoria da Universidade Nova de Lisboa. Os seus edifícios são na maioria “art déco” e modernistas. Entre outras honras e condecorações tinha o grau de grande oficial da Legião de Honra, de França. Ressano Garcia faleceu em Lisboa a 27 de Agosto de 1911, contava então 64 anos de idade. Uma povoação fronteiriça de Moçambique tem o seu nome.


    Do Passeio Público à Avenida

    O Passeio Público, que se manteve como espaço de lazer até finais do século XIX, deu lugar à Avenida da Liberdade, “boulevard” inspirado nos Campos Elísios de Paris. Aquele jardim, integrado no plano da reconstrução da Baixa Pombalina, da autoria de Reinaldo dos Santos, foi um projecto de jardim palaciano destinado a incentivar rituais de sociabilidade da burguesia comercial. Ocupava a zona designada Valverde, na área compreendida entre o que hoje corresponde aos Restauradores e a Praça da Alegria e condicionou a construção na sua envolvente, mesmo sem planos de loteamento ou definição de quarteirões. Na sua primeira fase, foi um recinto murado, quase conventual, espaço que se quis simultaneamente privado e público, por oposição ao Rossio eminentemente popular, local que permitisse um contacto com a natureza e que simultaneamente resolvesse alguns problemas de salubridade. Em 1864, um decreto determinou a execução de “um plano geral dos melhoramentos da capital, atendendo, nele ao das suas ruas, praças, jardins e edificações existentes e à construção e abertura de novas ruas, praças, jardins e edificações, com as condições de higiene e decoração, como do alojamento e livre-trânsito do público”. Uma vez que a expansão da cidade para Norte colidia com a manutenção do Passeio Público, foi decidido rasgar a Avenida por cima do Passeio. Os trabalhos iniciaram-se em 1879 e terminaram em 1883, com a demolição total do antigo parque. Acedendo ao pedido de Ressano Garcia, foi criada em 1876 uma nova comissão para concluir o “plano geral de melhoramentos” iniciado em 1864. Em 1877, Ressano Garcia apresentou o ante-projecto para o eixo central de desenvolvimento para norte elaborado pela Repartição Técnica, e passados dois anos, foi apresentado o projecto para a primeira parte da Avenida. Em 1886, inaugurou-se a Avenida da Liberdade, estabelecendo uma nova etapa na vida da capital.

    Principais projectos
    Principais projectos para a resolução dos problemas da cidade com intervenção directa de Ressano Garcia que, a partir de 1876, participa nos trabalhos da comissão encarregada do “Plano Geral de Melhoramentos da Capital”, que só seria aprovado em 1904.
    ● o mercado da Ribeira Nova, que fora inaugurado em 1881, e a Avenida 24 de Julho, que já acompanhava o rio até Alcântara;
    ● o Plano de esgotos da capital, que fora apresentado em 1884 e se encontrava em implantação;
    ● a Avenida da Liberdade, que ficara concluída em 1889, originando novas ruas e quarteirões residenciais para poente;
    ● a Praça Marquês de Pombal, de onde irrompiam amplas vias direccionadas para os sítios do Rato (Braamcamp), de Campolide (Joaquim António de Aguiar), de Santa Marta (Duque Loulé), do Campo Grande (Fontes Pereira de Melo), e Benfica (Castilho e António Augusto de Aguiar) com o fim de facilitar as comunicações e estimular o aparecimento de novos bairros residenciais, como as Avenidas Novas;
    ● o Parque da Liberdade (actual Eduardo VII), que também já ía ganhando expressão no terreno.

    Legado em perigo?
    Para muitos fregueses, o legado urbanístico de Ressano Garcia está em perigo de desaparecer, com muitos dos imóveis dos finais do séc. XIX, início do séc. XX, em ruínas ou ameaçados de destruição. Muitos têm já pedidos de demolição aprovados pelo executivo camarário. A protecção cultural do edificado é pouco eficaz, ou mesmo inexistente, permitindo o desaparecimento da Lisboa Romântica na freguesia. A divulgação da memória e herança arquitectónica da cidade é para muitos uma questão que os poderes autárquicos deviam atender. Nenhuma outra cidade portuguesa desenvolveu e implementou planos urbanos desta escala, sublinham. Por outro lado, alguns são de opinião que, no geral, a arquitectura das Avenidas Novas não é relevante em muitos casos. O “Plano Geral de Melhoramentos da Capital” que lhe deu origem não enunciou os princípios normativos da edificação, pelo que cada promotor optou entre prédio ou moradia, pela ocupação de toda a frente do lote ou não, pelo isolamento do edifício ou pela construção em banda. Esta liberdade construtiva, marcada pelo revivalismo, exotismo e ruralismo, acabou por dar alguma incoerência ao edificado da zona.

    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • Rua Rodrigo da Fonseca (1787 – 1858)

    Rua Rodrigo da Fonseca (1787 – 1858)

    Rodrigo da Fonseca Magalhães foi um político liberal e importante figura da Regeneração. “Raposa” era a sua alcunha, tal era a sua vocação política.



    ● Rodrigo da Fonseca Magalhães nasceu em Condeixa, distrito de Coimbra, a 24 de Julho de 1787, filho de Luís da Fonseca Magalhães, senhor de Azenhas em Condeixa, proprietário e lavrador, natural de Condeixa-a-Nova, e de sua mulher Joana da Costa Carvalho Remeixa. Fez os primeiros estudos nesta localidade, sendo tutorado por um padre jesuíta. Partiu depois para Coimbra, onde frequentou os estudos preparatórios no Colégio das Artes. Por imposição familiar, a vida eclesiástica era destino marcado. Foi um estudante brilhante e um prolífero escritor, produzindo versos humorísticos que circulavam em panfletos manuscritos na academia, tradição panfletária que se manteve na sociedade coimbrã até meio do século XX. Em 1808, imprime uma “Ode pindárica à restauração de Portugal”. Rodrigo da Fonseca frequentava os cursos de Teologia, de Filosofia e de Matemática na Universidade de Coimbra. Entretanto, Jean-Andoche Junot à frente de tropas francesas que invadiram o nosso território (1807) provocando diversas revoltas. As aulas foram interrompidas devido à gravidade da situação e a instabilidade que se vivia na Universidade. O seu sentido patriótico fez com que se alistasse no Batalhão Académico, sob o comando de Tristão de Oliveira, lente de Matemática. Daí passou para o Corpo de Guias, onde permaneceu até ser colocado, como alferes, no Regimento de Infantaria n.º 15.

    Carreia militar atribulada

    A carreira militar durou 10 anos. Em 1817, já tenente, envolveu-se na conspiração de Gomes Freire (que foi executado e deu origem aos Mártires da Pátria) na sequência da qual abandona o exército. Rodrigo da Fonseca viveu na clandestinidade durante dois anos, tendo sido declarado desertor pelo general William Carr Beresford. Assim, partiu clandestinamente para o Brasil, onde o seu antigo comandante de infantaria, o general Luís do Rego Barreto, era comandante militar da província de Pernambuco. Segundo alguns, Rodrigo da Fonseca terá disfarçado a sua identidade dizendo-se galego e criado de si próprio. Aqui, foi secretário do seu antigo comandante Luís do Rego Barreto e a partir de 1821, da Junta Governativa organizada na sequência da Revolução Liberal do Porto. Ainda nesse ano de 1821, fundou o primeiro jornal político de Pernambuco, o “Aurora Pernambucana”. No ano seguinte, regressou a Portugal com o general Luís do Rego Barreto de quem já era então genro (tinha casado com Inácia Cândida do Rego Barreto). A 12 de Agosto de 1822, Rodrigo da Fonseca Magalhães foi nomeado oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça. Nesse ano, o general Luís do Rego Barreto foi nomeado comandante militar de Trás-os-Montes com a missão de acabar com a revolta absolutista liderada pelo general Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, o conde de Amarante. Rodrigo da Fonseca foi escolhido para o acompanhar, com as funções de comissário do governo. Após o triunfo da “Vilafrancada” foram ambos deportados para a Figueira da Foz. Em 1824, Rodrigo da Fonseca obteve licença para morar em Viana do Castelo. Em 1825 foi reintegrado no seu cargo de oficial da Secretaria da Justiça, o qual voltou a exercer durante o tempo em que, depois da outorga da Carta Constitucional de 1826, o sistema liberal vigorou em Portugal. Em 1828, após se recusar a aderir à causa da monarquia absoluta de D. Miguel, refugiou- -se em Inglaterra para onde partiu clandestino. Em Londres, apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, futuro Duque de Palmela, que liderava a emigração constitucional portuguesa, sendo colocado na secretaria da embaixada, encarregue de dirigir os jornais liberais “Aurora” e “Paquete de Portugal”. Em Londres, publicou uma obra intitulada “Breves Anotações ao Denominado Manifesto do Infante D. Miguel”, impressa em 1832 anonimamente e que foi reeditada em Lisboa (1833), depois da ocupação da capital por forças liberais.

    Regresso definitivo

    O regresso definitivo a Portugal, aconteceu após o desembarque de D. Pedro IV no Mindelo, tendo chegado ao Porto, então uma cidade sitiada pelas forças miguelistas (Cerco do Porto). Ficou encarregue de organizar as secretarias do Estado, retomando as suas funções como alto funcionário. Depois ocupou diversos cargos públicos: director-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional; deputado pelo Minho (1934); fundador com António Pereira dos Reis e redactor do “Revista”; Ministro dos Negócios do Reino do Duque de Saldanha (1835), pasta que também ocupou no governo do 1.º Conde de Bonfim (1839) e, novamente, no executivo de Marechal Saldanha (1851-1856); Ministro dos Negócios Estrangeiros (1841) no governo de Joaquim António de Aguiar; Conselheiro de Estado (1842); e ainda Par do Reino (1847).

    Duas lutas políticas

    Dois aspectos, que determinaram a queda dos respectivos governos, marcam este período: a criação por decreto de 5 de Novembro de 1835 do Instituto de Ciências Físicas e Ma[1]temáticas em Lisboa, com um programa que compreendia 24 cadeiras na área de ciências exactas e filosofia. A Universidade de Coimbra levantou-se em peso contra ele, temendo perder os seus foros e privilégios pela criação de um outro estabelecimento superior em Portugal. A celeuma que se seguiu contribuiu para a queda do ministério ocorrida poucos dias depois, a 18 de Novembro. A criação do Instituto revogada por decreto de 2 de Dezembro, referendado por Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, o ministro que havia sucedido a Rodrigo da Fonseca Magalhães. Em Setembro de 1836, a ala esquerda do libera[1]lismo toma o poder pela via revolucionária (Revolução de Setembro). Rodrigo da Fonseca torna-se o mais sério opositor à nova situação, defendendo os princípios da Carta Constitucional de 1826. Contudo, quando o Congresso de 1838 decretou a nova constituição, o político aceitou-a porque considerava que fora votada por uma assembleia legalmente eleita e que representava incontestavelmente o país. Esta atitude não foi bem recebida pelos seus correligionários. Também foi a sua defesa da liberdade e legalidade que esteve na base da queda do governo em 1839: o governo tinha conseguido a suspensão das garantias constitucionais para poder fazer face às revoltas militares que surgiam pelo país, coisa que obrigou Rodrigo da Fonseca Magalhães declarar ao parlamento que não podia governar sem a liberdade da imprensa. Esta dissidência abriu uma crise no governo até que a rainha D. Maria II nomeou, com efeitos a 9 de Junho de 1841, um novo gabinete ministerial agora presidido por Joaquim António de Aguiar, que acumulava com a pasta do Ministério do Reino. Tendo fixado a sua residência em Lisboa na Rua dos Navegantes, onde faleceu a 11 de Maio de 1858, com 71 anos, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres. A este propósito, Latino Coelho publicou um “Elogio Histórico”, que foi recitado na Academia Real das Ciências de Lisboa na sessão pública de 10 de Fevereiro de 1859.

    Distinções

    Entre 1856 e 1858 foi 2.º Grão-Mestre do Grande Oriente do Rito Escocês e 2.º Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente do Rito Escocês. Com Almeida Garrett fundou em 1846 o Grémio Literário, na Rua Ivens, foi sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Embora tenha recusado títulos nobiliárquicos, foi galardoado como fidalgo cavaleiro da Casa Real (2 de Agosto de 1835), com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da Guerra Peninsular e a medalha britânica de 5 batalhas. A Rua Rodrigo da Fonseca nasceu mais de 20 anos após o falecimento do político, na que era a Azinhaga do Vale de Pereiro, por Edital Municipal de 4 de Março de 1884, unindo a Rua do Salitre à Rua Marquês de Fronteira, tendo sido concluída já no século XX. Actualmente, é uma artéria de fronteira entre as freguesias de Campolide e Avenidas Novas e acolhe dois edifícios emblemáticos: o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho (1933) e o Hotel Ritz (1959).

    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail
  • ‘Avenidas’ é o primeiro teatro de bairro de Lisboa

    ‘Avenidas’ é o primeiro teatro de bairro de Lisboa

    ‘Avenidas’ é como vai ficar conhecido o ‘Teatro de Bairro’ que foi inaugurado, no dia 17 de Dezembro, nas antigas instalações da Biblioteca-Museu República e Resistência, no Bairro do Rego.



    ● Trata-se do primeiro equipamento do programa ‘Um Teatro em Cada Bairro’ que visa criar uma rede de centros culturais de proximidade e de encontro das artes com as comunidades locais e os diferentes territórios. Este espaço conta com um auditório, uma sala de exposições e uma programação ”desenhada com todos, sobretudo, com os habitantes das Avenidas Novas”.

    O ‘Avenidas’ contará com a colaboração de instituições, associações, moradores, lojistas e artistas emergentes. Neste momento, está patente a exposição “O meu bairro sou eu” da Agência Calipo. Entretanto, o acervo da Biblioteca “encontra-se actualmente num depósito de rectaguarda, disponível para empréstimo através do catálogo das Bibliotecas de Lisboa”. De acordo com a autarquia, “este acervo passará a estar disponível na Biblioteca de Alcântara, assumindo-se como um fundo especializado”. A valência museológica, “que sempre foi residual” nas instalações do Bairro do Rego, passou definitivamente para o Museu do Aljube.f

    Este artigo vale:

    €0,50
    €0,80
    €1,00

    Agradecemos o seu contributo para uma imprensa local autónoma, independente e livre.

    Donativo




    Facebooktwitterlinkedininstagramflickrfoursquaremail