Nuno Botelho, fotojornalista de profissão, quis fazer mais pela comunidade e ajudar quem precisa: é de sua iniciativa a criação das famosas ‘Caixas Solidárias’ que começaram a surgir um pouco por toda a freguesia a 6 de Abril. O Facebook foi utilizado para divulgar a ideia. “Vamos fazer caixas solidárias nos nossos bairros. Leve o que precisar. Deixe o que quiser” resume a intenção do seu fundador. A primeira caixa foi instalada no Jardim Vasco da Gama, em Sassoeiros. Hoje, a iniciativa replica-se por muitas freguesias do País.

A ideia é simples e visa ajudar pessoas necessitadas, evitando que tenham de se deslocar para fora da sua zona de residência. É proposto a quem possa que coloque bens alimentares dentro da caixa, para estarem disponíveis para quem precisa ir recolher.

“A ideia surgiu depois de muitas conversas com a minha mulher sobre o que podíamos fazer para ajudar neste contexto de pandemia”, lembra Nuno Botelho.

Dada a crise sanitária, o fotojornalista do ‘Expres- so’ continuou a trabalhar, mas sua mulher, psicóloga de profissão, passou a trabalhar a partir de casa com consultas online. “Temos um filho com quase quatro anos e, por isso, com a vida e logística que temos era impossível ajudar no terreno em regime de voluntariado”, explica.

UMA, DUAS, MUITAS

“Depois de ver notícias sobre o crescimento de pedidos de ajuda alimentar junto das associações de apoio social, lembrei-me que podíamos ajudar os mais próximos, no nosso bairro”, refere. Se pensou, melhor o fez. Pegou numa caixa em desuso que tinha em casa e colocou-a em frente da sua casa, no Jardim Vasco da Gama, com bens alimentares. Nascia assim a primeira ‘Caixa Solidária’ que rapidamente foi notada por vizinhos que começaram a divulgar a iniciativa através do passa palavra nas redes sociais. Depois de Sassoei- ros, surgiu uma segunda caixa na Parede. Seguiu-se a multiplicação de forma espontânea.

Pouco tempo depois de ter sido dada a conhecer nas redes sociais, a iniciativa lançada por Nuno Botelho ultrapassou rapidamente as fronteiras do bairro, da freguesia, do concelho a até do distrito. “Não pensei que fosse possível”, refere o fotojornalista, acrescentando que “o projecto poderá crescer na proporção da solidariedade do povo português”. “Somos um povo solidário, unido e resiliente em épocas de crise”, assinala.

Para acompanhar a dinâmica comunitária, na página do Facebook @caixa.solidaria existe um mapa com a localização das caixas, actualizado em permanência, “que facilita a divulgação para quem quer criar uma, mas também para que quem precisa de ajuda”.

Segundo dados dos dinami- zadores do projecto nas redes sociais, no fecho desta edição existiam mais de 2.300 caixas espalhadas por todo o País. O grupo no Facebook contava com cerca de 100 mil seguidores.

COMO CRIAR UMA CAIXA

Quem estiver interessado em ajudar o próximo através desta iniciativa, basta ter uma caixa e colocá-la num espaço público do bairro onde vive com um papel a dizer ‘@caixa. solidaria – leve o que precisar, deixe o que quiser’. “Aconselhamos bens alimentares não perecíveis (enlatados, massas, arroz, azeite, bolachas, papas infantis, etc) e bens de higiene (gel de banho, fraldas, toalhitas, papel higiénico, etc)”, assinala o mentor do projecto. “Aconselhamos a aproveitar a deslocação ao supermercado para trazer
e deixar na caixa os bens doados”, refere.

Actualmente, também acrescentam mais uma frase à mensagem original, porque algumas caixas desapareceram: “leve o que precisar, deixe o que quiser, mas não leve a caixa.

O projecto baseia-se, sobretudo, no apoio das ofertas particulares. “A ideia é dina- mizar o espírito de entreajuda nos bairros, onde quem pode dá o que tem e quem não pode leva o que precisa”, destaca o fotojornalista, que vai sabendo pelas redes sociais a dimensão da onda solidária que impulsionou. “Sabemos que as caixas ficam vazias e que voltam a encher-se, por isso acredito que a solidariedade se manifesta”, diz.

Nuno Botelho revela que as entidades oficiais têm reagido de forma positiva à iniciativa que lançou: “no início, não con- tactei nenhuma entidade”, diz. Mais tarde, foi contactado pela Junta de Freguesia que se propôs comprar caixas e alimentos. “A Câmara Municipal de Cascais (CMC) também deu um apoio fundamental na divulgação da iniciativa nas redes sociais”, afirma.

Para comemorar um mês de existência da iniciativa, a pri- meira ‘Caixa Solidária’ institucionalizou-se com o apoio da autarquia cascalense, da Junta de Freguesia e da empresa Fullquest. Agora, é um armário de madeira com seis cacifos transparentes, que substituiu a improvisada caixa de jardim original. A CMC pretende criar outras ‘Caixas’ do género em diversos locais da freguesia e do concelho.

INICIATIVA PARA CONTINUAR

As ‘Caixas Solidárias’ resul- tam da dinamização do espírito de proximidade e vizinhança, muitas vezes adormecido “porque todos temos falta de tempo, vivemos na correria e talvez tenhamos um pouco aquela ideia de salvar o Mundo”. Para Nuno Botelho, “é mais sensato salvarmos uma pessoa de cada vez”. “Há muitas iniciativas a nascer na comunidade a um nível ‘micro’ que ajudam muita gente e que provavelmente não estão divulgadas”, lembra.

Apesar de ter sido lançada numa situação de Estado de Emergência e de confinamento social ditados pela crise sanitária, Nuno Botelho acredita que a iniciativa vai manter-se depois de aliviadas as restrições de circulação: “pensamos que as necessidades vão manter-se ou até aumentar, por isso a iniciati- va será para continuar”.

OEIRAS: IDEIA RETIRADA DE UM FILME DE TERROR

A Câmara Municipal de Oeiras (CMO) é uma voz dissonante quanto à existência das ‘Caixas Solidárias’, tendo emitido um comunicado assinado por Isaltino Morais, presidente da autarquia. Depois de lembrar o empenhamento da Edilidade na luta contra a pobreza e de garantir que a CMO “não admitiria que ninguém, absolutamente ninguém, passasse dificuldades resultantes da pandemia do Covid-19” e que tem capacidade para apoiar “todos, absolutamente todos, que necessitem de apoio”. Recorda também que Oeiras “é o segundo município português, depois da capital, na criação do Produto Interno Bruto” e que “com esta condição de criação de riqueza tem mais obrigações do que um município com menores capacidades”.

Neste contexto, o fenómeno das ‘Caixas Solidárias’ “deve ser devidamente ponderado”. Segundo Isaltino Morais, “aceitando que a vontade de ajudar, muitas vezes sem saber como, leva a que sejam tomadas decisões sem que se pense verdadeiramente no significado do que estamos a promover”.

DEGRADAÇÃO MORAL

Segundo o autarca, “promovida como meio de ajudar a pobreza envergonhada”, a ‘Caixa Solidária’ trata as pessoas “como animais errantes, procurando alimento num canto ou numa caixa”, o que é “totalmente contrário aos princípios que devem nortear uma sociedade decente, e é violador da dignidade dos que menos têm”.

Para a CMO, a organização da distribuição da riqueza e o combate à pobreza são funções essenciais do Estado e das instituições, públicas ou privadas, com esse carácter e função.

Isaltino Morais considera que se deve ponderar no que significa “utilizar como meio de distribuição de riqueza, ou ajuda aos desfavorecidos, uma ideia retirada de uma série de televisão de terror, o ‘Walking Dead’”, acrescentando que “muito mal está a nossa sociedade quando o nosso barómetro moral é uma série de terror e, pior, quando as lideranças políticas não conseguem discernir as consequências”.

O comunicado termina com um apelo aos oeirenses que querem apoiar o próximo que contactem a Câmara, as Freguesias, as Paróquias e instituições públicas ou privadas de apoio e solidariedade social.

MÁSCARAS GRATUITAS

A Câmara Municipal de Cascais pretende instalar 400 máquinas de venda automática de máscaras de protecção no concelho, algumas das quais deverão ser colocadas nas estações de comboios e junto a instituições de solidariedade e de associações recreativas e desportivas.

O anúncio foi feito por Carlos Carreiras, presidente da autarquia, durante o lançamento do programa ‘Máscaras Gratuitas em Transportes Públicos’, que vai decorrer enquanto o seu uso for obrigatório.

Além da distribuição de máscaras gratuitas aos utentes dos transportes públicos, a autarquia vai instalar máquinas de venda automática com kits de quatro máscaras ao preço de um euro, ou seja, ao preço de 25 cêntimos por unidade.

PAREDÃO: ABERTURA CONDICIONADA

O Paredão de Cascais, que estava encerrado à circulação da população desde 25 de Março, devido à pandemia de COVID-19, reabriu ao público no passado dia 6 de Maio. Com novas regras de utilização, justificadas pela necessidade de proteger os utentes contra o risco de contágio com o novo coronavírus.

Para facilitar a observação destas condicionantes, a Câmara Municipal de Cascais pintou marcas no pavimento, com a indicação dos sentidos de circulação e da distância física de dois metros entre as pessoas, que deve ser respeitada. Para já, só é permitida a prática de actividade física individual ou com mais uma pessoa.

A circulação de bicicletas e de outros equipamentos equivalentes continua proibida. A utilização dos bebedouros e de equipamentos de exercício físico também está interdita. De forma a evitar ajuntamentos, foram retirados os bancos. O acesso às praias foi autorizado para a prática de actividade física individual ou com o acompanhamento de mais uma pessoa. Com base nestas regras, é permitida a prática de desportos no mar, desde que não se permaneça parado no areal.

VIGILÂNCIA COM DRONES NAS PRAIAS

A Câmara Municipal de Cascais propõe vigilância das praias com drone e bandeira de lotação máxima, manifestando-se contra o uso de torniquetes para controlar o acesso às praias. Esta solução também não é considerada exequível pelas autoridades marítimas. Cerca de 150 elementos dos Fuzileiros vão apoiar a actividade da Polícia Marítima, mas não exercerão funções de coacção policial. O Almirante Mendes Calado revelou que a actuação dos Fuzileiros será essencialmente pedagógica, para que as “pessoas se autodisciplinem” na protecção durante a época balnear.

TÉNIS REGRESSA AO CLUBE NACIONAL DE GINÁSTICA

O Ténis regressou ao Clube Nacional de Ginástica no passado dia 6 de Maio. Devido aos riscos derivados da pandemia de COVID-19, esta prática desportiva só é possível nos campos ao ar livre e até um máximo de quatro atletas por campo.

Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.