Vasco Fernandes é o novo presidente do Clube de Futebol Benfica (CFB), vulgarmente conhecido por Fofó, em resultado das eleições para os corpos sociais realizadas no passado dia 28 de Maio. Uma mudança que põe fim à continuidade de Domingos Estanislau à frente dos destinos da colectividade, onde esteve 35 anos. O novo dirigente promete realizar alguns melhoramentos nas actuais instalações, apostar na formação, desenvolver uma nova política desportiva e comercial e envolver mais a população de Benfica na dinâmica do CFB. Entretanto, vai ser realizada uma auditoria à situação económico-financeira do clube.

● Ao iniciar o seu mandato de quatro anos, Vasco Fernandes lamenta que até à data nenhum elemento da direcção anterior tenha procurado “passar as pastas aos novos dirigentes”. Essa transição assume especial importância, até “porque há pagamentos a fazer” e o clube tem dívidas, que o novo presidente ainda não está em condições de quantificar.
As contas do CFB foram aliás, um dos motivos que levaram Vasco Fernandes a concorrer contra Domingos Estanislau, com quem trabalhou no clube cerca de 20 anos. Essencialmente, “o que me fez concorrer foi o facto de não terem sido apresentadas, conforme solicitei, as contas de 2021”, explica. Embora as contas de 2018 a 2020 tenham sido aprovadas, depois de terem sido chumbadas em Assembleia-Geral, permanecem por apresentar as contas do ano passado. A falta de apresentação de contas levou a que, há alguns anos, o clube tenha perdido o estatuto de utilidade pública, lembra Vasco Fernandes. Descontente com a gestão de Domingos Estanislau, Vasco Fernandes demitiu-se da direcção, mas “nunca quis ser o seu sucessor”. “Foi algo que nunca esteve nos meus horizontes”, confessa.

Novos dirigentes do Clube Futebol Benfica debatem- -se com escassez de informação e ainda estão a 'tomar o pulso' à verdadeira situação do clube.

A insatisfação, porém, estendeu-se a outras situações, como o estado das instalações do clube que é considerado “muito mau”, além de não existirem “instalações para os sócios”. “Nos últimos seis anos, nada foi feito em termos de infraestruturas, sempre à espera que as obras do LIDL começassem”, alega.
Segundo Vasco Fernandes, “não se tem garantido o mínimo de manutenção das instalações". "Mesmo antes das obras do LIDL, a nova direcção vai avançar com algumas obras”, revela.
Para este dirigente, as actuais condições das instalações fazem com que os sócios não vejam “uma mais-valia no Clube, sendo que já não andavam muito satisfeitos com o anterior presidente”. "Quem decidiu demitir a anterior direcção foram os sócios”, acrescenta o novo presidente, adiantando que a nível desportivo, “o CFB não tem equipas nas principais divisões”.

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Aposta na formação

Sobre o futuro, Vasco Fernandes afirma que o projecto da sua direcção vai basear-se na formação em todas as modalidades, masculinas e femininas. Paralelamente, ambiciona chamar os sócios ao clube que “andam afastados porque não há nada para lhes oferecer”. O dirigente assinala que pretende envolver a população de Benfica no Fofó: “pretendemos que comece a interagir com o clube porque vai ser posta em prática uma dinâmica nova, desportiva e comercial”.
Quanto ao grande projecto de obras no clube financiadas pela cadeia de distribuição LIDL, que passará a ter uma loja em terrenos hoje atribuídos ao CFB, Vasco Fernandes afirma que “a situação actual não afecta o projecto” e que “o LIDL, por intermédio dos seus responsáveis, já confirmou a sua continuidade, independentemente de quem seja o presidente da direcção”. Vasco Fernandes recorda que participou nas negociações com o LIDL enquanto membro da direcção anterior. “Vamos esperar que as obras do LIDL comecem, o que deve suceder em Julho, e que sejam um incentivo para que os sócios, os familiares e os fregueses venham ao clube”, refere.

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Auditoria económico-financceira

As contas do Clube é outro tema que preocupa os novos dirigentes do Fofó que admitem avançar com uma auditoria à situação económica-financeira do CFB, além da inventariação do património, que se encontra disperso.
Por definir estão algumas situações, em parte dependentes do conhecimento que a nova direcção for tendo das realidades do clube. Uma delas tem a ver com a equipa ‘Lisboa Devils’, que hoje tem uma parceria com o CFB e a perspectiva de se converter numa secção de futebol americano do clube. “Não sei quais são os termos dessa parceria e nem sei sequer se há contrato, mas podem muito bem ficar no Clube, se for do interesse comum”, esclarece o novo presidente.
Outra situação em análise é a da utilização, pelo CFB, do campo de futebol usado pelo Estabelecimento Prisional de Monsanto que é do Grupo Desportivo da cadeia. “Ainda não há nada de concreto”, sublinha. “O que pode estar para breve é uma conversa com o Ministério da Justiça e é preciso um protocolo com a Junta de Freguesia para uso do campo por mais clubes”, refere. Vasco Fernandes admite parcerias com outros clubes da freguesia para esse efeito.
JORGE ALVES

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