Com o número de casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus COVID-19 a aumentar no País, e depois de a Organização Mundial da Saúde ter declarado uma pandemia que tem alastrado de forma global, o Governo decretou, a 12 de Março, o encerramento até ao final do mês de todas as escolas, creches e ATL (Actividades de Tempos Livres) públicas e privadas. A medida não foi surpresa para os docentes. Entretanto, o coronavírus já chegou à freguesia, nomeadamente à Nova School of Business and Economics. O Colégio Marista de Carcavelos tinha colocado em quarentena professores e alunos que tinham feito uma viagem de finalistas a Itália e dois alunos do Agrupamento da Parede também estiveram em isolamento. Todos os casos não confirmaram a infecção.

Em comunicado difundido no passado dia 13 de Março, a Nova SBE (Nova School of Business and Economics) informou ter sido conrmado o caso de um aluno contagiado com a COVID-19. Tratou-se de um aluno de nacionalidade portuguesa, que depois de um período de férias no estrangeiro regressou a Portugal no início deste mês, “proveniente de um país então ainda não referenciado como área de transmissão activa do vírus e, até agora, assintomático”, refere o comunicado. Até à reabertura das instalações, as actividades lectivas continuam a funcionar “com o ensino à distância, como já programado”.

A Nova tem recomendado aos alunos, docentes, investigadores e funcionários que tenham regressado de zonas consideradas críticas a quarentena, prevista, de 14 dias. “A Nova está particularmente atenta à situação e devidamente preparada para responder em conformidade”, garante a instituição.

SEM SURPRESA

A medida decretada pelo Governo “não foi surpresa” para a direcção do colégio Marista de Carcavelos, que “já aguardava essa decisão”, encarada como “a mais adequada e proporcional face à situação” vivida no País. “Temos procurado agir de forma responsável, sem precipitações, em conformidade com a Autoridade Nacional de Saúde e ao encontro das necessidades de todas as nossas famílias”, afirma Carla Freitas, vice-directora do colégio. “Obviamente, o contexto escolar é de risco muito elevado e tempos extraordinários requerem, de facto, medidas extraordinárias, assinala a mesma responsável, acrescentando que “o vírus foi declarado pela OMS como pandemia e que a fase de mitigação obriga a este tipo de decisões, para segurança e bem de todos”, salienta.

Em relação aos efeitos do encerramento do colégio no programa escolar, Carla Freitas garante que estão a ser criadas condições para que sejam mínimos: “Durante as próximas duas semanas, os alunos continuarão a trabalhar em casa, com a orientação e acompanhamento dos professores que enviarão diariamente tarefas e darão algumas aulas não presenciais (através da plataforma Teams)”, esclarece. “Se o cenário se prolongar ao longo do terceiro período, logo equacionaremos mais formas de minimizar o impacto na leccionação dos conteúdos programáticos”, afirma Carla Freitas. Caso a situação de agrave, “acreditamos que o próprio governo, acabe por tomar outras medidas excepcionais neste âmbito, reequacionando, por exemplo, o calendário escolar e o calendário de exames”, salienta.

A responsável ressalva que “é fundamental não encarar este encerramento como férias antecipadas” e refere que a direcção do colégio “aconselha a seguir rigorosamente as recomendações associadas a esta suspensão de actividades dos alunos nas escolas, nomeadamente o cumprimento das regras de higiene, de distanciamento social e, sobretudo, de contenção da participação de alunos em actividades, iniciativas e deslocações a locais que potenciem o contágio”.

Carla Freitas refere que se trata de um tempo de união, citando São Marcelino Champagnat, fundador do Instituto dos Pequenos Irmãos de Maria e das Escolas Irmãos Maristas, que aconselhava aos primeiros irmãos “que haja entre vós um só coração e um só espírito”.

FINALISTAS EM QUARENTENA

O Colégio Marista de Carcavelos chegou a manter em quarentena, como medida preventiva, cerca de 90 participantes, entre alunos e professores, numa viagem de finalistas a Itália, que decorreu entre os dias 20 e 27 de Fevereiro. “Foi-lhes aconselhado ficarem de resguardo, em casa, até dia 9 de Março”, referiu Carla Freitas, esclarecendo que os alunos que faltaram às aulas durante o período da quarentena estiveram em três locais italianos que não tinham sido identificados como áreas afectadas ou interditadas.

“Optou-se pelo regresso à escola no dia 10 de Março dos participantes na viagem, uma vez que os alunos estiveram em Veneza no sábado de Carnaval, dia 22 de Fevereiro”, explicou aquela responsável. “Tendo em consideração o contexto festivo, seria o local de maior risco, pese embora todos os casos assinalados na zona Norte do país se encontrarem a mais de 300 quilómetros de Veneza”, referiu. “Todos os outros locais onde estiveram, incluindo Roma, eram considerados ‘zonas verdes’ pelas autoridades locais, que não impuseram quaisquer restrições nos dias em que lá estiveram, apesar de os nossos alunos seguirem meticulosamente as orientações dos professores no que respeita aos cuidados de higiene”, informou o colégio Marista de Carcavelos.

Durante a quarentena, os pais dos alunos fizeram chegar ao colégio informações relativas ao estado de saúde dos jovens, que, tal como os professores acompanhantes, não mostraram sintomas suspeitos de poderem ter contraído o novo coronavírus. A 10 de Março, alunos e professores puderam regressar ao colégio, onde foram sujeitos aos mesmos cuidados de protecção partilhados por todos os membros da comunidade educativa. Situação que se vericou até ser anunciada a decisão do Governo de encerrar todos os estabelecimentos de ensino.

MEDIDA ADEQUADA…

Maria da Graça Oliveira, directora do Agrupamento de Escolas de Carcavelos (AEC), considera que a medida de suspensão das actividades lectivas presenciais “é adequada ao período excepcional que vivemos.” Para esta responsável, “não foi uma surpresa, uma vez que houve uma evolução da doença muito signicativa com medidas cada vez mais restritivas”. “Caso não houvesse suspensão, uma grande maioria dos pais não iria enviar os filhos à escola”, refere salientando que já havia turmas do segundo ciclo com apenas quatro alunos a assistirem às aulas. “Neste momento, não sabemos quais as consequências desta suspensão das actividades lectivas presenciais e é muito difícil fazer previsões”, comenta.

O AEC integra oito escolas: Escola Básica e Secundária de Carcavelos, Escolas básicas do 1.º Ciclo do Arneiro, Carcavelos, Lombos, Rebelva e Sassoeiros e Jardins de Infância do Arneiro e Carcavelos.

…E PROPORCIONAL

Reagindo à decisão tomada pelo Governo de encerrar todas as escolas públicas e privadas, pelo menos até ao final de Março, José Bentes Guerreiro, director do Agrupamento de Escolas da Parede (AEP), também considera a medida “adequada e proporcional”, assinalando que “as escolas estavam a defrontar-se com muitas ausências de alunos que tinham como justicação a opção dos encarregados de educação pelo isolamento, em casa, dos seus educandos”. Situação que no seu entender, “criava desigualdade entre os alunos”.

Sobre as implicações que este encerramento possa ter no programa escolar, nomeadamente nas matérias a leccionar durante o presente ano lectivo, o director do AEP não tem dúvidas: “a suspensão das actividades lectivas tem naturalmente implicações no desenvolvimento natural do processo de ensino e aprendizagem e naturalmente na leccionação do programa de cada disciplina”. Neste momento, “estão a ser encontradas outras formas, nomeadamente através de ensino à distância, de e-mail ou por outras formas de comunicação”, para tentar reduzir o impacto da medida no normal funcionamento das aulas.

No agrupamento não foram ainda detectados quaisquer casos suspeitos da COVID-19. “Só dois alunos foram aconselhados a ficar em casa, um por ter viajado por Itália durante o Carnaval e outro por ter contactado com alguém suspeito de ter contraído a doença, o que não se veio a confirmar”, revelou. O agrupamento integra a Escola Secundária da Parede, Escolas Básicas de Santo António, Afonso do Paço, São Domingos de Rana 2 e Murtal e Jardim de Infância Almirante Nunes da Mata.

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