A Associação dos Pais e Encarregados de Educação da Escola Delfim Santos (APEEDS) enviou um email a diversas entidades manifestando “a enorme preocupação perante um cenário de falta massiva de docentes na escola”.

● De acordo com o documento, assinado por Paula Anjos Rodrigues, presidente daquela entidade, “após a publicação das listas de Reserva de Recrutamento N.º 5, relativa à colocação de docentes, verifica-se que o Agrupamento de Escolas das Laranjeiras continua sem colocações ou concursos para as disciplinas e horários em falta”.
Segundo informação da direcção do Agrupamento das Laranjeiras, estão em falta 16 docentes. A nível nacional, este agrupamento é o que regista maior número de docentes por colocar, sendo também o que solicitou mais horários (20 durante os primeiros 10 dias de Outubro).
Para os dirigentes associativos, a situação é demasiado preocupante e grave por várias razões, pondo em causa a qualidade de ensino: “O 5.º ano deveria ser o início de uma bela aprendizagem e crescimento amparado pelos vários professores e não o início das faltas de professores e do desamparo dos alunos neste ciclo de vida”, justificam. Dada a crise sanitária, “não podemos ter alunos constantemente em furos no exterior das salas de aula, sem qualquer tipo de apoio”. Na Escola Delfim Santos, “as primeiras cinco semanas deste ano lectivo teriam como objectivo recuperar aprendizagens do ano atípico anterior”.
Para os encarregados de educação, o cumprimento da Constituição por parte do Estado está a “falhar redondamente nas suas obrigações”. Recorde-se que o N.º 1 do art. 74.º determina que “todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar”.
No documento afirma-se que “urge uma mudança estrutural ” na gestão dos recursos humanos e sugere-se ao Governo que organize um grupo de trabalho “que vise urgentemente a resolução desta questão que abala os alicerces da sociedade portuguesa”.
Para a APEEDS há que “dotar os professores deslocados de condições económicas que lhes permitam aceitar uma oferta longe de casa e com custos adicionais incomportáveis”. Por outro lado, a associação defende que se deve apostar “na requalificação do excedente de profissionais de 1.º Ciclo que ano após ano não conseguem colocação”. Quanto aos horários, os encarregados de educação propõem que “abranjam várias escolas geograficamente próximas de forma a que os docentes tenham um horário completo”. As escolas devem ter “autonomia própria para que, quando tudo falha, possam contratar directamente os seus docentes”, reivindicam.
A carta foi enviada a José Vítor Pedroso, Director-Geral da Educação, aos grupos parlamentares, a António Costa, Primeiro-Ministro, aos Secretários de Estado da Educação e à Comunicação Social.

Ministério da Educação defende-se
De acordo com o Ministério da Educação, a lista de disciplinas com falta de professores no País estaria desactualizada “porque algumas disciplinas já teriam a situação resolvida”. No dia 16 de Outubro, foram divulgadas as listas de colocação de professores, segundo as quais terão sido colocados 24 mil professores. Em todo o caso, o Ministério da Educação realça que a falta de docentes em número anormalmente alto deve-se à não aceitação de horários pelos professores. Por outro lado, registaram-se mais de 1.100 pedidos de mobilidade atribuídos e mais de 500 pedidos de declarações de protecção de imunodeprimidos e doentes crónicos.f
REDACÇÃO

Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.