Joaquim Banha é apaixonado pelas longas viagens de automóvel. Já realizou várias, sempre por gosto de viver a aventura. A mais recente, a “For a Better World”, realizou-se a solo entre 22 de Maio e 26 de Junho deste ano. No final da aventura, vencidas todas as contrariedades, regressou a casa cheio de memórias e recordações, algumas das quais revelamos agora.
• Aos 75 anos, este automobilista aventureiro natural de Viana do Alentejo, mas a viver na Parede, fez a proeza de percorrer 14.532 quilómetros, entre esta localidade do concelho de Cascais e o Cabo Norte, na Noruega. Apesar de viajar sozinho, contou com algumas plataformas de apoio pelo caminho, mais concretamente em Saragoça e Torregrossa (Espanha), Sinshein e Wolfsburgo (Alemanha) Estocolmo (Suécia) e Tromso (Noruega).
Durante 36 dias, este automobilista sénior cruzou os territórios de oito países: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Noruega, ao volante de um Volkswagem Carocha com quase 70 anos.
A viagem de Joaquim foi divulgada nas redes sociais, através de crónicas publicadas no Facebook e no seu blog. “Os que me seguiram puderam acompanhar as peripécias diárias e as minhas abordagens sobre os vários temas relacionados com as ameaças ambientais, como a subida do nível das águas, a meteorologia extrema, a ameaça à vida selvagem, as florestas em declínio, refugiados climáticos, escassez de comida e de água, secas, aumento de doenças causadas pelas alterações climáticas, aumento do número e violência dos incêndios, tsunamis, entre outros aspectos.”
 
Momentos mais marcantes
Durante a viagem com mais de 14 mil quilómetros, Joaquim Banha enfrentou inúmeras dificuldades e peripécias. “Numa paragem que fiz em Espanha para beber café e atestar de combustível, à saída quase não via o carro, que estava tapado por um grupo de chinesas que lhe tiravam fotografias”, revela o antigo fotógrafo e gestor. Mas nem todos os momentos foram divertidos. Joaquim Banha recorda um em especial, quando se dirigia a Tromso, depois de sair do Cabo Norte: “fui surpreendido com a queda de neve e a formação de gelo”. Como o carro tem pneus muito estreitos, mesmo tentando seguir o trilho dos outros veículos a situação foi bastante complicada. “Senti calafrios ao pensar que se caísse numa ribanceira só me descobririam dias depois”, relata. A passagem por um túnel com vários quilómetros de comprimento foi também uma “tortura”. “O túnel era bastante antigo, a iluminação estava avariada e o meu carro tinha luz fraca”, afirma. “Só a velocidade reduzida, entre os 15 e os 20 quilómetros por hora, e o reflexo dos sinais de trânsito é que me ajudaram a sair daquele inferno”, refere.
Outro grande imprevisto deu-se quando o vidro do pára-brisas se partiu ao atravessar a Suécia, tendo sido obrigado a “conduzir mais de 6.000 quilómetros com um vidro improvisado de acrílico, até conseguir trocá-lo na Alemanha.” Já no regresso a Portugal, nova contrariedade: “o dínamo deixou de funcionar, o que me obrigou a desligar tudo o que consumisse energia, como telemóveis, GPS e outros instrumentos, para poder chegar ao fim da viagem”, salienta.
 
Desistir nunca
Apesar dos obstáculos, Joaquim Banha sempre acreditou que alcançaria o seu objectivo: “a palavra desistir não faz parte do meu vocabulário”, garante, recordando a chegada ao Cabo Norte como o melhor momento da viagem, a 9 de Junho. “Chegar ao Cabo Norte foi muito gratificante e senti uma paz enorme por mais esta vitória”, lembra acrescentando que se “tratou de um momento único que ficará para sempre gravado na minha memória.”
Gratificante foi também o regresso a Portugal, depois de tantos quilómetros pelas estradas da Europa. “À chegada, senti uma enorme paz interior e, obviamente, muito cansaço.” Um cansaço que não o impede de estar já a pensar nas novas viagens que sonha realizar, porque ele e o “Sozinho” (ver caixa) não conseguem estar parados por muito tempo.
Esta e outras aventuras protagonizadas por Joaquim Banha podem ser acompanhadas na Internet em https://eurotourvw2019.digitalnet.pt.f
Luis Curado
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