Cinema ar livreOs cinemas de bairro foram escolas de educação do gosto pela Sétima Arte. Quiçá o mais popular da freguesia tenha sido o Cinema Parque Oceano, ao ar livre, paredes meias com o Parque Morais, próximo da estação de comboios da Parede, no quarteirão formado pela Rua Domingos José Morais com a Rua Cândido dos Reis. Hoje está abandonado e degradado. Em 2017, ainda houve uma tentativa de revitalização do espaço sem sucesso. O único sobrevivente dos cinemas de bairro na freguesia é o ‘Atlântida-Cine’.

● Longe do fulgor de outros tempos, votado ao abandono durante décadas, o ‘Cinema Parque Oceano’ tem vindo a degradar-se numa das zonas nobres da Parede. A proprietária do espaço é a Parque Oceano, Lda, uma empresa com o Código de Actividade Económica 59140, respeitante a Projecção de Filmes e de Vídeos, cujo mais recente acto societário data de Fevereiro de 2020.
De acordo com um artigo publicado em 2005 no blog ‘Osga 100%’, a sala ao ar livre do Parque Oceano, também conhecida por ‘Cinema da Rua’, “tinha plateia, 1.º e 2.º balcões, WCs e um bar de apoio”. “As cadeiras de madeira não eram lá muito confortáveis, mas quem é que ligava a isso? O importante era mesmo o filme e a companhia, sim… porque íamos ao Cinema sozinhos, quer dizer, sem os adultos… era mesmo uma farra e tanto para putos dos 6 aos 12 anos”, acrescentou a autora, recordando os tempos passados vividos na Parede.
“É muito triste constatar que as nossas melhores recordações de infância estão em ruínas. Passados 40 e tal anos, o Parque Oceano foi abandonado, e nunca ninguém fez um esforço para o recuperar (daria um excelente espaço de lazer), por isso foi-se degradando até caírem os muros, e ser destruído por vândalos, que de certeza nunca lá assistiram a nenhum filme. Hoje passei por lá e o muro desapareceu de todo, a única coisa que ainda resta é a tela, mas deverá ser por pouco tempo, porque, de repente cheirou-me e investimentos imobiliários”, assinalou ainda a bloguista.

Dinamizar o Parque Oceano, cinema ao ar livre

Sete anos após esta publicação, um grupo de amigos deitou mãos à obra e lançou um projecto para dinamizar o Parque Oceano, com o objectivo de o reutilizar para o mesmo fim para que foi criado: exibir cinema.
“Somos um grupo de amigos que decidiu avançar com uma reabilitação do espaço, criando nós próprios uma tela e trazendo os nossos materiais de projecção para criar uma noite regular de Cinema ao Ar Livre na Parede, durante o Verão – com cadeiras e paletes, e pipocas e limonada grátis”, anunciou o colectivo.
Entre 2012 e 2018, a iniciativa de fazer regressar o Cinema ao Ar Livre ao Parque Oceano nos meses de Verão manteve-se.
Em 2017, os mentores da iniciativa fizeram saber, através das redes sociais: “procurámos, através da Junta de Freguesia da Parede, da Câmara Municipal de Cascais (CMC) e de outras entidades públicas, determinar quais os actuais donos do espaço para legitimar a nossa actividade e obter as condições plenas para a sua expansão e desenvolvimento. Infelizmente, a complexidade dos processos burocráticos tem-nos impedido sistematicamente de obter informação final sobre a situação actual do terreno.”
Durante esta fase de luta para tentar trazer uma vida nova ao Parque Oceano, como espaço de convívio, partilha e cultura na vila da Parede, os mentores da iniciativa chegaram mesmo a promover um abaixo-assinado que recolheu assinaturas entre amigos, familiares e entusiastas da Sétima Arte, que fizeram chegar à CMC, juntamente com uma proposta do arquitecto Miguel Pinto para reabilitar o espaço de forma a torná-lo novamente utilizável pela população. Uma proposta que nunca chegou a dar resultados.
Após anos de esforço e de luta para relançar o cinema ao ar livre, o ecrã panorâmico do Parque Oceano, estava preparado para projecção de Cinema Scope, voltou a cair no abandono total.
As duas últimas sessões referenciadas ocorreram a 29 de Julho de 2017, com a projecção musicada do documentário franco-americano ‘Nanook of the North’ (1922), dirigido por Robert Flaherty, e a 8 de Julho de 2018, com a exibição do filme de ficção científica ‘Blade Runner’ (1982), de Ridley Scott.

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‘Atlântida-Cine’: o sobrevivente

Em Carcavelos, merecem referência outras duas salas de Cinema, que acabaram por ter destinos distintos. O antigo ‘Vitória Cine’, também conhecido por Edifício Ludance, foi demolido em 2017, sem que tivesse sido possível levar por diante os projectos de requalificação da fechada e da cobertura do edifício, aprovado no Orçamento Participativo de 2014, e a recuperação do interior, votado em Orçamento Participativo de 2015.
No lugar do primeiro cinema da vila, surgiu um novo edifício, inaugurado em Setembro de 2018, destinado a albergar o espaço cultural CriArte, dotado com um auditório com capacidade para receber 200 espectadores, e que acolheu também duas associações juvenis (Criativa e Palco da Tua Arte). Este espaço cultural, que contou com um orçamento de cerca de 1,180 milhões de euros, alberga ainda uma Loja Cascais Jovem e um café.
A outra sala de Cinema, bem popular entre os carcavelenses, denominada ‘Atlântida-Cine’, inaugurada em Março de 1983, ainda funciona e está instalada no Centro Comercial de Carcavelos, bem ao lado da estação de comboios. Destacam-se neste espaço singular um bengaleiro vintage, o bar com cadeirões e uma antiga máquina de pipocas. Garantem os frequentadores que as cadeiras aveludadas da sala são confortáveis e que a programação é cuidada.f
LUIS CURADO

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