Cerca de 40 reclusos das cadeias da região de Lisboa que foram libertados para evitar a propagação da COVID-19 estão a viver temporariamente no Parque de Campismo de Monsanto (PCM), alojados em bungallows. Entretanto, foram libertados cinco presos do Estabelecimento Prisional de Monsanto, onde não se regista qualquer caso de contágio.

A opção pelo PCM deveu-se à constatação pelos serviços prisionais de que alguns presos não tinham tecto nem família que os acolhesse, o que poderia criar um novo problema social ao tornarem- se sem-abrigo. No Parque de Campismo, os reclusos têm acesso a cuidados médicos e são acompanhados pela Junta de Freguesia de Benfica, responsável pelo fornecimento de refeições e pela associação de apoio aos reclusos ‘O Companheiro’, que desenvolve processos de integração na vida activa após um período de formação profissional.

No PCM já estavam a morar temporariamente três dezenas de profissionais de saúde, da Protecção Civil Municipal e dos bombeiros. Alguns destes elementos estão em isolamento por terem sido infectados pelo coronavírus, enquanto outros preferem residir no parque para não colocarem em perigo as respectivas famílias. No mês passado, o Governo tinha decidido o encerramento dos parques de campismo por causa da pandemia, tendo os seus ocupantes sido mandados embora. 

MONSANTO SEM CASOS

Desde que entrou em vigor o pacote de medidas para minimizar o risco de contágio por Covid 19 nas prisões, foram libertados cinco reclusos do Estabelecimento Prisional de Monsanto, informou Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). Três estavam em regime fechado e dois em regime aberto. A todos, faltavam menos de dois anos para concluírem o cumprimento das penas, refere o mesmo responsável.

De acordo com Jorge Alves, até 16 de Abril, não se tinha registado qualquer caso de infecção por Covid 19 neste estabelecimento prisional entre reclusos, guardas ou funcionários.

O presidente do SNCGP refere que o Estabelecimento Prisional de Monsanto dispõe de gel desinfectante, produto para desinfecção das instalações e máscaras protectoras. Este responsável lamenta que por ordem superior só seja distribuída uma máscara diária aos guardas e aos funcionários. Se esta se estragar, só terão uma nova no dia seguinte. Aos reclusos não está atribuída máscara. 

Jorge Alves contesta igualmente a proibição de uso de viseiras nas prisões, excepto se houver necessidade de uma intervenção de segurança.

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