O “FREGUÊS DE BENFICA” sabe que está para breve o anúncio do projecto para a nova Igreja de São José, no Bairro da Boavista. O assunto está nas mãos de Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e deverá ser tornado público antes das eleições autárquicas, previstas para o final deste ano. Recorde-se que em 2021 assinala- -se o Ano de São José.

● Embora a construção do novo templo e a requalificação do Largo da Igreja sejam projectos distintos, a relação entre os dois espaços foi essencial para a valorização do projecto vencedor do concurso para a nova igreja. A praça vai dar à Escola Básica e Jardim de Infância Arq. Ribeiro Telles, que também vai ser demolida para dar lugar a um novo edifício. O novo estabelecimento de ensino implica a demolição da “igreja velha”.
No princípio deste ano lectivo, os alunos deveriam ser instalados em contentores provisórios, mas acabaram por continuar a utilizar a escola antiga.
A construção do novo equipamento escolar tem sofrido sucessivos atrasos para descontentamento de pais e encarregados de educação.

Igreja: ambição antiga
Em Maio de 2009, a ‘Benfica Viva’, revista de comunicação institucional da Junta de Freguesia (JFB), publicou uma notícia, segundo a qual o Bairro da Boavista iria ter uma nova igreja. O artigo anunciava a celebração de uma escritura do terreno para a futura construção do templo. Este pequeno avanço, concessão do direito de superfície, demorou, pelo menos, três anos a ser desbloqueado entre a JFB e a Câmara Municipal de Lisboa. A nova igreja é uma aspiração bem mais antiga da população do bairro, que sofreu avanços e recuos por parte da autarquia. A actual Igreja é um dos edifícios mais antigos do bairro.
Mais de dez anos depois, no ano passado, foi finalmente lançado, no ano passado, o concurso para a elaboração do projecto de execução para a construção da Igreja do Bairro da Boavista – Centro Social e Paroquial de São José da Boavista, no valor de 89.690 euros. Concorreram 13 proponentes, tendo sido vencedora a proposta elaborada por Matos Gameiro arquitectos e Atelier Bugio.
O júri considerou que esta proposta se destacou pela “notável integração da volumetria proposta no contexto urbano e na sua articulação com o espaço público envolvente”. Em causa esteve a solução desenhada para a Praça, “pela sua amplitude, caracterização arquictetónica e, sobretudo, pelo potencial de apropriação proporcionado pela sua estruturação em três áreas distintas, em que a área central é coberta”. Através desta cobertura, a Igreja encontra o seu equilíbrio “entre uma presença relevante e a nova hierarquização pretendida para os equipamentos públicos do Bairro”. O Largo da Igreja, criado pelo edital municipal nº 77/2004 de 18 de Novembro de 2004, assume uma nova dignidade urbanística e integradora do espaço público. Trata-se de uma “peça única” formada por uma edificação mural que se estende a nascente, definindo o limite por recessos e avanços, onde escadas e rampas superam os desníveis do terreno, fechando o lado norte.
O volume da Igreja é colocado num ponto central da nova praça, “numa posição elevada, solta do solo, colocada entre o céu e a terra, evocando Deus e a ascensão – formando um quadrado coberto abaixo, um local de acolhimento e permanência em um ambiente protegido do excesso de sol e chuva”. Debruçado sobre a praça, ”o adro estabelece-se num nível intermédio que reserva um local protegido e próprio para a Igreja, com uma vocação única”. Segundo o projecto, “a própria Igreja combina a proporção tradicional de uma nave única com as directrizes do Concílio Vaticano de não separação estrita entre a assembleia e o presbitério”. Uma orientação predominante combina-se com a forma da assembleia que encontra o seu centro litúrgico de referência no altar. De acordo com os autores, “pretende-se atingir uma certa verticalidade espacial, procurando uma hierarquia nítida entre a nave principal e a nave lateral, que, no seu desenvolvimento, estrutura um espaço mais recatado e organiza os locais para o baptistério, a entrada e para o confessional, no topo oposto”. Estas soluções deram ao projecto, “uma notável clareza, consistência formal e inovação da solução apresentada, em que o desenho e enquadramento do corpo suspenso da igreja é reforçado pelas materialidades propostas, resultando numa composição harmoniosa e coerente com o desenho e materialidade dos espaços interiores.”
A Igreja São José foi planeada e edificada no projecto habitacional do Bairro da Boavista, inaugurado em 1941, pelo Marechal Óscar Carmona, então Presidente da República, acompanhado do Cardeal Cerejeira, sendo um dos primeiros bairros sociais a serem construídos para alojar as populações com carências sociais. Em 2003 foi elevada a sede paroquial, actualmente dirigida pelo Padre Ricardo Jorge Ribeiro Freire de Oliveira.f

Veja as imagens do projecto

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