Começaram as obras para a criação de uma ciclovia na Avenida Lusíada, da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa e EMEL. O maior congestionamento de tráfego, o aumento da poluição atmosférica e sonora e o risco que representa a utilização de blocos de betão para separar a ciclovia das outras faixas de rodagem são motivos de preocupação para os fregueses.

● A construção de uma ciclovia que retirará uma das vias em diversos troços da Avenida Lusíada vai agravar as condições de circulação nesta artéria da cidade, “sendo expectável o agravamento do congestionamento quando o tráfego retomar a normalidade, ainda que em horas mais concorridas seja já visível a acumulação de automóveis, em particular no acesso da Av. Marechal Teixeira Rebelo à Avenida Lusíada”, considera José Antunes, um activista da freguesia. Para este morador, “uma via rápida, que permitia evitar o atravessamento de artérias que cruzam zonas densamente habitacionais e comerciais, caminha para deixar de o ser”.
Segundo este freguês, “é naturalmente caricato que uma autarquia que se vende como promotora de uma política “verde” insista em medidas que só vêm agravar a poluição atmosférica e sonora, com especial dano para os residentes de S. Domingos de Benfica, que residem mais próximo daquele eixo viário”. José Antunes considera que a nova ciclovia terá “uma utilização mais residual e, fundamentalmente, para lazer”.
Segundo estudos da CML de 2013, a Avenida Lusíada registava um fluxo automóvel em hora de ponta de cerca de 2500 viaturas entre as 8h00 e as 9h00 no sentido Colombo – Santa Maria. No sentido contrário, observava-se um fluxo semelhante entre as 18h00 e as 19h00. Para quem usa a via, não será descabido assumir que esse fluxo tenha aumentado ligeiramente até aos anos mais recentes anteriores à pandemia.

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Separadores de betão aumentam risco

A colocação de separadores de betão é criticada pela associação ‘Mobilidade com Liberdade’, um movimento informal que se assume como “apolítico, independente, crítico da actual gestão camarária, defensor da mobilidade para todos em Lisboa, contra a ditadura das ciclovias e das bicicletas, contra a retirada de estacionamento aos cidadãos”. A separação da ciclovia da faixa de rodagem feita com separadores de betão “é potencialmente fatal para motociclistas e automobilistas”, acrescentando que “em certos pontos serão interligados”, como na Av. Marechal Gomes da Costa, “noutros serão separados e unidos com correntes”, refere a associação. “A exposição das arestas é perigosa em caso de colisão, além de que os próprios blocos, usados em separado, não têm a mesma capacidade de retenção na situação de despiste de um veículo seguido de embate”, sublinha.
Esta associação é favorável a uma “reestruturação da rede de transportes públicos e de uma rede viária eficaz e segura para todos os que nela precisam de se fazer transportar em viatura própria”.

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MUBi saúda

Ao ‘Freguês de Benfica’, a Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) saudou a iniciativa, acrescentando que “estabelece uma ligação ciclável entre a zona ocidental da cidade e o planalto central, através da Av. dos Combatentes e Av. de Berna, e a Cidade Universitária, através da futura ciclovia da Av. Egas Moniz”. Para esta entidade, viabiliza-se “a escolha da bicicleta como meio de transporte a estudantes residentes em Benfica e Carnide, bem como a trabalhadores que necessitem de deslocar-se ao centro da cidade por efeitos de trabalho”.
A MUBi refere ainda que a “Av. Lusíada é o trajecto mais directo entre Benfica e uma zona da cidade com muitas universidades”, mas que é “pouco utilizada por ciclistas devido à insegurança que sentem ao partilharem a via com automóveis”. Quanto ao projecto, a MUBi referiu que “o perfil de autoestrada que a Av. Lusíada apresenta impossibilita um desenho de ciclovia urbano e com ligação aos bairros da cidade que atravessa”, adiantando que “a colocação de muros de betão é consequência da necessidade de criação de condições de segurança para os utilizadores de bicicleta, mais vulneráveis, que de outro modo estariam sujeitos às velocidades abusivas praticadas neste eixo”. Segundo esta associação, a alternativa avançada pela CML “é a solução possível até à realização de obras de fundo neste eixo”.
Dado que a ciclovia incide numa via de ligação importante à freguesia, como é a Av. Lusíada, procurámos ouvir a opinião das várias associações de moradores. A Associação de Moradores Bairro de Santa Cruz de Benfica e Zonas Contíguas afirmou que desconhece o projecto, não sendo a sua área de intervenção, pelo que não comenta. O ‘FREGUÊS DE BENFICA’ solicitou uma reacção ao vereador com o pelouro da Mobilidade Urbana, Miguel Gaspar, a algumas críticas ao projecto, mas até ao fecho da edição não obtivemos resposta.f
REDACÇÃO

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