Na véspera do regresso às aulas, a 7 de Fevereiro, e em tempo de confinamento obrigatório, o Governo anunciou a criação de um canal televisivo de ensino à distância para os alunos do 10º e 12º anos. Para isso, fez saber que estariam disponíveis, através do pequeno ecrã, blocos pedagógicos acessíveis na posição 8 da TDT (Televisão Digital Terrestre) e no canal 444 do Cabo. Deste modo, os alunos do Ensino Secundário sem acesso à Internet poderiam seguir as aulas pela TV.

Na realidade, esta foi uma solução de recurso encontrada pelo Governo para resolver o problema registado com o atraso na entrega dos computadores prometidos aos estudantes provenientes de famílias em situação económica mais frágil. Computadores, cujos contratos de aquisição e respectivos prazos de execução, disponíveis para consulta na plataforma Base (contratos públicos online), inviabilizariam à partida a entrega atempada dos equipamentos informáticos.

No concelho de Cascais, para ajudar a resolver este problema, a Autarquia presidida por Carlos Carreiras tomou a iniciativa de entregar 1.700 computadores e tablets aos 11 Agrupamentos de Escolas existentes no território concelhio, com o propósito de os emprestar aos estudantes. “Para que as nossas crianças e jovens não fiquem para trás na sua aprendizagem”, justificou o autarca, acrescentando que os computadores seriam emprestados até chegarem os “que o Ministério da Educação prometeu”.

Computadores insuficientes

No que diz respeito ao Agrupamento de Escolas da Parede (AEP), os computadores necessários entregues pelo Governo para apoiar os alunos provenientes de famílias de rendimentos mais baixos dentro dos escalões abrangidos pela Acção Social Escolar “não foram suficientes para fazer face às necessidades identificadas”. Segundo José Bentes Guerreiro, director do AEP, receberam computadores 73 alunos do 1º ciclo, 90 alunos dos 2.º e 3.º ciclos e 78 alunos do Ensino Secundário.

Face à escassez de equipamentos, o Agrupamento teve necessidade de recorrer ao empréstimo de computadores anunciado pela Câmara Municipal de Cascais, em substituição dos computadores prometidos pelo Governo. “Numa primeira fase foram solicitados 38 computadores, acrescidos de mais 13”, precisou José Bentes Guerreiro, adiantando que foi preciso solicitar mais empréstimos de computadores atendendo a ainda existirem alunos sem acesso a esses equipamentos.

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Na fase de ensino à distância verificada após a pausa lectiva extraordinária (22 Janeiro/5 Fevereiro) decretada pelo Governo devido à COVID-19, os professores receberam formação e apoio para prepararem as aulas nas plataformas digitais. “Existe uma equipa de apoio para o ensino à distância, foram efectuadas sessões de formação internas para apoio aos docentes e foi criado um e-mail institucional para o apoio permanente aos docentes em contexto de ensino não presencial”, revelou o director do AEP, sendo que

A plataforma digital utilizada pelo Agrupamento para as aulas à distância é o Gloogle Classroom.

Planos de actividades cumpridos

No que diz respeito à forma como estão a decorrer as aulas à distância, José Bentes Guerreiro esclarece: “De uma forma geral, são cumpridos os planos de actividades previamente elaborados pelos directores de turma em articulação com os professores do conselho de turma, os quais foram divulgados aos alunos e encarregados de educação. As aulas síncronas são realizadas de acordo com as orientações definidas e aprovadas em Conselho Pedagógico e correspondem a pelo menos metade da carga lectiva presencial de cada disciplina”.

Em relação aos testes já realizados durante o presente ano lectivo, “atendendo aos resultados escolares do 1.º Período, inferimos que os resultados escolares estão alinhados com os anos anteriores, ou seja, verificam-se nas diferentes disciplinas alguns desvios em relação às metas de sucesso preconizadas. À semelhança de anos anteriores, foram definidas, pelos diferentes grupos disciplinares, medidas de promoção do sucesso a implementar para promover a melhoria dos resultados ao longo do ano”, assinala o director do AEP.

Questionado sobre se está a ser estudado algum tipo de apoio extra para tentar suprir dificuldades que os alunos possam estar a sentir para atingir o nível esperado, José Bentes Guerreiro realça que “as medidas de promoção do sucesso visam colmatar as dificuldades dos alunos”. “Salienta-se a importância da avaliação formativa – avaliação para as aprendizagens –, na qual o feedback assume grande relevância como mecanismo de regulação. Por outro lado, os apoios pedagógicos e as salas de estudo permitem também dar resposta (colmatar) dificuldades mais específicas”, acrescenta.

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AEC solicita apoio

O Agrupamento de Escolas de Carcavelos (AEC) recebeu em tempo útil os computadores necessários fornecidos pelo Governo para apoiar os alunos provenientes de famílias de rendimentos mais baixos dentro dos escalões abrangidos pela Acção Social Escolar. “Consideramos que sim. No início de Fevereiro tínhamos distribuído os seguintes computadores emanados do Ministério da Educação: 1º ciclo – 71, 2º e 3º ciclos – 120, e Secundário – 31”, refere a Directora do AEC.

No total, este agrupamento de escolas recebeu computadores para 316 alunos, “considerando os equipamentos tecnológicos cedidos pelo Ministério da Educação e os restantes cedidos pela Câmara Municipal de Cascais”. Nesse sentido, o AEC teve necessidade de recorrer ao empréstimo de computadores anunciado pela Câmara Municipal de Cascais. “Solicitámos esse apoio ao Município, que contribuiu com 94 computadores para alunos do Escalão B”, assinala Maria da Graça Oliveira.

No que diz respeito à formação e apoios recebidos pelos professores para prepararem as aulas nas plataformas digitais, a directora do agrupamento referiu que “no contexto de estado de emergência em virtude da COVID-19, o desenvolvimento do plano de E@D do AEC foi um processo em constante construção, alicerçado na procura permanente das melhores respostas às características dos alunos que frequentam o Agrupamento, do seu Projecto Educativo, do Projecto Curricular de Escola, quer ao nível tecnológico, quer das competências digitais”.

Assim sendo, destaca a responsável: “Desde o primeiro confinamento que essa tem sido uma preocupação do Agrupamento, disponibilizar o maior número de recursos quer de equipamento, quer de formação interna, assim como de ferramentas digitais, para que os nossos professores se sintam confortáveis e em segurança na utilização das plataformas digitais”.

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Feedback positivo

Entretanto, as aulas à distância têm corrido de acordo com o planeado. “Têm sido implementadas todas a medidas definidas no nosso Plano E@D. O feedback recebido por parte dos alunos, encarregados de educação e docentes é positivo”, destaca Maria da Graça Oliveira, revelando que “as aulas estão a decorrer com a tranquilidade necessária”, acrescentando que a plataforma digital que tem sido utilizada pelo AEC é o GSuite para a Educação.

Em relação à avaliação dos testes já realizados durante o presente ano lectivo, a responsável comenta: “No AEC a avaliação é formativa e procuramos que cada aluno atinja o seu sucesso e o seu patamar de excelência. Assim privilegiamos a utilização de diferentes instrumentos de avaliação 2/2 e os testes/provas nem sempre são os instrumentos privilegiados. Mas realizado o balanço do final do primeiro semestre, os resultados alcançados são semelhantes aos alcançados em anos anteriores nesta altura do ano”.

Sobre a possibilidade de ser implementado algum tipo de apoio extra para tentar suprir algumas dificuldades que os alunos possam estar a sentir para atingir o nível esperado, Maria da Graça Oliveira realça que “uma das preocupações do AEC são as aprendizagens dos alunos e se o processo que está a ser realizado/implementado vai permitir que cada aluno atinja o seu sucesso”. Como tal, adianta: “É recorrente as nossas equipas educativas reflectirem sobre as metodologias e as dinâmicas em sala de aula, a realização de monotorização das aprendizagens para que possamos atempadamente reagir e corrigir alguns aspectos que possam não estar a decorrer como o desejado”.

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