A Câmara Municipal de Lisboa (CML) procedeu ao abate de árvores na Praça de Espanha, provocando um coro de protestos.

As primeiras denúncias surgiram nas redes sociais e foram feitas pela Plataforma de Defesa das Árvores (PDA), que terá alertado também para a inoportunidade da iniciativa, dado ocorrer em época de nidificação.

A 21 de Abril, a PDA enviou uma carta a Fernando Medina, presidente da Edilidade, pedindo a suspensão do abate das árvores. Segundo Rosa Casimiro, membro daquela organização, árvores saudáveis estavam sinalizadas para abate sem terem sido pres- tados esclarecimentos públicos devidos por lei.

“Não encontramos no site da Câmara nenhuma autorização, que é obrigatória, sobre o abate”, referiu ao Jornal de Notícias. No Verão passado, a CML tornou pública uma autorização para o abate de 40 árvores, mas as 20 sinalizadas agora “não constam da lista”.

PEV E PAN QUESTIONAM

Na sequência destas denúncias, os grupos municipais do Partido Ecologista Verdes (PEV) e do Partido Animais e Natureza (PAN) questionaram o Executivo sobre a questão. No requerimento do PEV, afirma-se que “estes abates não estavam previstos no projecto de reabilitação urbana da Praça de Espanha, questionando-se a autarquia sobre se “o mesmo terá sofrido alterações face à sua versão inicial”. Esta força política também pretende saber se o município autorizou e fundamentou o abate das árvores com base num estudo fitossanitário. A 23 de Abril, o PAN também questionou a CML sobre o tema.

A requalificação da Praça de Espanha vai implicar o aumento das 300 árvores existentes antes da intervenção para cerca de mil exemplares. Segundo a CML, 81 das árvores existentes não serão deslocadas e 84 serão transplantadas dentro da zona da empreitada, principalmente na Rua Eduardo Malta. De acordo com a autarquia, 165 árvores serão mantidas. O ‘FREGUÊS DE AVENIDAS NOVAS’ interrogou a CML sobre o assunto, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta.

SEIS MILHÕES DE EUROS PARA REQUALIFICAR

O parque verde da Praça de Espanha deverá estar concluído este ano, implicando um investimento superior a seis milhões de euros. O novo equipamento vai contar com “um número muito significativo de árvores”, zonas de “clareiras de fruição”, parques infantis, esplanadas e quiosques, além de alguns cursos de água, um elemento central do parque. A empreitada, que teve início a 13 de Janeiro, inclui também uma transformação da rede viária actual em dois grandes cruzamentos.

No final de Abril, o trânsito sofreu alterações. A Avenida de Berna passou a ter acesso directo à Avenida Calouste Gulbenkian. Também a Avenida dos Combatentes passou a ter ligação directa com a Avenida António Augusto de Aguiar, Avenida de Berna e Avenida Calouste Gulbenkian.

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