António Cândido de Figueiredo foi um filólogo, poeta e escritor português.

Uma das suas obras de referência é o “Novo Dicionário da Língua Portuguesa”, cuja primeira edição data de 1899, tendo sido reeditada sucessivamente até aos nossos dias, com cerca de 25 edições. Para além de inúmeros estudos de filologia e linguística, Cândido de Figueiredo dedicou-se também à ficção, à crítica e à tradução, entre os quais ressalta o “Lisboa no ano 3000”, obra de crítica social e institucional, dado à estampa em 1892.

Também traduziu numerosas obras de filologia e linguística. Cândido de Figueiredo participou na comissão encarregada em 1911 de fixar as bases da ortografia da língua portuguesa, da qual faziam parte alguns dos maiores filólogos da época, como Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, José Leite de Vasconcelos, António Cândido de Figueiredo, Francisco Adolfo Coelho, Manuel Borges Grainha, entre outros.

O escritor nem sempre foi um bem-amado pelos representantes da intelectualidade da sua altura. Não obstante ser considerado “o dicionário”, segundo alguns críticos o “Novo Dicionário da Língua Portuguesa” tem boas definições, mas “nem sempre figura a pronúncia, traz pouca fraseologia, abona os seus relativamente poucos exemplos indicando a fonte, claudica muito na parte etimológica”. 

Vida de publicista

Cândido de Figueiredo foi poeta e jornalista de grande mérito, tendo colaborado em periódicos como O Panorama, Aljubarrota, Lusitano, Progresso, Bem Público, Voz Feminina, Revista dos Monumentos Sepulcrais, Almanaque de Lembranças, Notícias (que depois seria o Diário Popular), Grinalda, Crisálida, País, Hinos e Flores, Repositório Literário, Tribuno Popular, Independência, Recreio Literário, Folha, Panorama Fotográfico, Viriato, Gazeta Setubalense, Democracia (publicado em Elvas), entre outros.

Fundou e dirigiu o periódico A Capital e foi redactor do Globo. Também foi redactor do Diário de Notícias, no qual publicou valiosas crónicas literárias, que assinava com o pseudónimo de Cedef. Aliás, também assinou sob o pseudónimo (“O Caturra”) diversas crónicas no jornal humorístico A Paródia. Ao nível de revistas, Cândido de Figueiredo colaborou na Revista de Portugal e Brasil, Ocidente, República das Letras, Ribaltas e Gambiarras, A Arte Musical, O Branco e Negro, Serões e Atlântida.

EM 1876 FOI, COM LUCIANO CORDEIRO, UM DOS SÓCIOS FUNDADORES DA SOCIEDADE DE GEOGRAFIA DE LISBOA. O ESCRITOR NEM SEMPRE FOI UM BEM-AMADO PELA INTELECTUALIDADE DA SUA ÉPOCA.


De Viseu até Lisboa

Cândido de Figueiredo frequentou o Seminário de Viseu, estabelecimento onde concluiu o curso de Teologia, a 19 de Junho de 1867, sendo em seguida ordenado presbítero. Depois, cursou Direito na Universidade de Coimbra (entre 1869 e 1874), tendo participado na Questão Coimbrã, (também conhecida como Questão do Bom Senso e Bom Gosto), célebre polémica literária que marcou as tendências literárias na segunda metade do século XIX.

Em 1871 foi feito sócio do Instituto de Coimbra e no ano de 1874 foi eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, instituição da qual seria eleito sócio efectivo em 1915. Também no ano de 1874 foi eleito, por unanimidade, professor correspondente da Academia de Jurisprudência e Legislação de Madrid. Era também sócio da Academia Brasileira de Letras. Em 1878, por proposta dos orientalistas Julius Oppert e Guiard, foi eleito membro titular da Sociedade Asiática de Paris. Foi também membro do Congresso dos Orientalistas de Londres.

Em 1902 foi eleito membro da Real Academia Espanhola. Em 1876 foi, com Luciano Cordeiro, um dos sócios fundadores da Sociedade de Geografia de Lisboa. Quando faleceu (a 26 de Setembro de 1925 em Lisboa) era presidente da Academia das Ciências de Lisboa e foi sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Por distintos serviços públicos, em 1908 foi agraciado com a Carta de Conselho e com o grau de Cavaleiro e a cruz branca da Ordem da Coroa de Itália (Ordine della Corona d’Italia), do Reino da Itália. Foi galardoado com a Medalha de Honra do Congresso Jurídico do Rio de Janeiro e com as palmas de ouro num concurso poético da Académie de Toulouse.


De eclesiástico a advogado e político

O futuro filólogo abandonou a vida eclesiástica, para a qual fora aparentemente destinado pela família, obtendo do papa Leão XIII a dispensa do múnus eclesiástico. Casou então com Mariana Angélica de Andrade, enveredando pela advocacia. A par desta actividade, Cândido de Figueiredo exerceu algumas comissões oficiais por incumbência do Ministério do Reino na área da instrução pública, entre as quais o cargo de inspector das escolas do Distrito de Coimbra. 

Depois, ingressou na carreira dos registos e notariado, sendo nomeado conservador do Registo Predial da Comarca de Pinhel. Foi sucessivamente transferido para Fronteira e Alcácer do Sal, onde foi presidente da Câmara Municipal. A partir de 1876 fixou-se em Lisboa, abrindo um escritório de advocacia, onde trabalhava em parceria com Júlio de Vilhena.

Em 1881 foi nomeado secretário-geral da Bula da Cruzada e no ano seguinte professor provisório do Liceu Central de Lisboa. Algum tempo depois foi nomeado funcionário do Ministério da Justiça, carreira que seguiria durante o resto da sua vida profissional. Nesta carreira atingiu o lugar de subdirector-geral, no qual se aposentou depois de mais de 40 anos de serviço. Exerceu por várias vezes as funções de director-geral interino do Ministério da Justiça.

Em 1887 foi eleito vogal do Conselho Superior de Instrução Pública em representação do professorado de ensino livre. Foi nomeado em 1890, pelo Ministério do Reino, membro da comissão encarregada de rever a nomenclatura geográfica portuguesa. Em 1893, quando José Dias Ferreira presidia ao governo, foi nomeado governador civil do Distrito de Vila Real. Foi ainda secretário particular de Bernardino Machado, então Ministro as Obras Públicas e vice-cônsul do México em Lisboa.

Com a legenda “Filólogo e Escritor/1846 – 1925”, Cândido de Figueiredo passou a topónimo de uma artéria da Freguesia de São Domingos de Benfica identificada como Rua B do projecto aprovado em sessão de 19/04/1928, no então “projectado bairro novo de Benfica”, através da publicação do Edital municipal de 31 de Março de 1932.f

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