● A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) recomendou ao Executivo que faça diversas intervenções no Bairro do Calhau, nomeadamente ao nível dos equipamentos, espaço público e apoio social. Esta deliberação, aprovada por unanimidade, surge na sequência de uma petição pública que foi entregue a 9 de Maio naquele órgão autárquico com 487 assinaturas. Trata-se do “Bairro do Calhau vs Isolamento, População Envelhecida vs Necessidades Urgentes” que contou com a oposição de António Cardoso, presidente da Junta de Freguesia, e da Associação de Moradores Flor da Serra.
Segundo os subscritores, o Bairro do Calhau tem um problema de isolamento, agravado pela sua população envelhecida e um conjunto de necessidades urgentes que “urge resolver”, denunciando a forma como este bairro tem sido negligenciado ano após ano.
Ao nível dos equipamentos e espaço público, os deputados municipais defendem “que se encontre uma solução para o equipamento municipal que esteve cedido aos escuteiros”, acrescentando que “sendo um espaço central, poderá ser objecto de um programa inter-geracional, debatido com a população do bairro em processo participativo”.
No documento, defende-se que a CML, em articulação com a Junta de Freguesia, “proceda à requalificação do muro de contenção nas traseiras da associação de moradores” e reforce a “segurança e limpeza periódica do Parque Florestal de Monsanto, tendente à resolução do problema de esgotos”.
Quanto à intervenção social, a AML recomenda que se “criem as soluções e projectos adequados para a promoção do envelhecimento activo e saudável entre a população do Bairro do Calhau”, aconselhando o desenvolvimento de parcerias com várias entidades, nomeadamente a Junta de Freguesia, Santa Casa da Misericórdia, Segurança Social, ACESS – Agrupamento do Centro de Saúde de Sete Rios e parceiros da Rede Social”.
Os deputados municipais pretendem que os pelouros dos Direitos Sociais e do Desenvolvimento Local da CML avaliem, junto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, “a possibilidade de deslocação periódica ao bairro do Serviço de Saúde Mais Próximo” e a “possibilidade de encontrar “parceiros” para a construção de um projecto tendente a abastecer o bairro de produtos de mercearia, para atenuar o seu isolamento”.
Estas recomendações foram propostas pelos membros da 6.ª Comissão Permanente de Direitos Sociais e Cidadania (CPDSC) da AML, tendo sido aprovadas no dia 28 de Novembro.
Paula Marques, vereadora com o pelouro da Habitação e Desenvolvimento Local da CML, afirmou na ocasião que o Bairro do Calhau é um dos “exemplos de isolamento da cidade” até pela sua inserção geográfica e que as questões “levantadas pela petição são pertinentes”.
 
Qualidade de vida acima da média
António Cardoso, presidente da Junta de Freguesia, que numa Assembleia de Freguesia, entretanto realizada,  procurou descredibilizar os promotores da petição e refutar o seu conteúdo, considerou na CPDSC que “há um conjunto de questões e problemas já identificados pela Junta de Freguesia que foram apresentados à CML”.
No entanto, não foram adiantas quais as medidas propostas e prazos de execução. O presidente da Junta considera que o Bairro do Calhau tem boas condições e uma qualidade de vida acima da média”, salientando que o bairro é um refúgio no meio da cidade que se encontra em pleno pulmão de Lisboa, o Parque Florestal de Monsanto”.
A 15 de Julho, os deputados municipais visitaram aquela zona da freguesia acompanhados por António Cardoso. Os eleitos consideraram que, “genericamente”, o bairro tem boas condições quanto ao edificado e ao espaço público, reconhecendo que a sua localização tem várias barreiras naturais e urbanas, “havendo escassez de serviços públicos e comércio”.  Os membros da Comissão salientam a atitude positiva e construtiva da Junta de Freguesia “com vista à melhoria das condições e qualidade de vida no Bairro do Calhau”.
Os deputados municipais sublinham que é importante assegurar que a população do bairro, envelhecida,não fica esquecida: “portanto, é necessário que todas as entidades trabalhem em conjunto, procurando encontrar soluções inclusivas que permitam trazer vida ao bairro, não obstante a sua localização geográfica e as barreiras urbanísticas existentes”.f

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