● O Sport Futebol Palmense (SFP) começou esta época futebolística um degrau acima da época anterior, na sequência da sua promoção da Divisão de Honra Distrital (actual 2ª Divisão Distrital) à Pro Nacional (actual 1ª Divisão Distrital), que antecede o primeiro escalão de profissionalizados. O êxito está associado ao percurso do clube nos últimos cinco anos. Para Rui Cordeiro, presidente do SFP,  “é importante olhar para a subida de Divisão como algo relacionado com um projecto consolidado”.
Eleita em 2014 para um mandato de três anos, a actual Direcção foi reeleita em 2017 para um mandato de cinco anos, após uma alteração estatutária. Até ao fecho deste artigo, o clube contava com dois empates (Alta de Lisboa e Ponterrolense) e uma vitória (Pêro Pinheiro).
 
Prioridades
Desde que assumiu o primeiro mandato, a Direcção definiu prioridades em três vertentes: desportiva, financeira e física (ou infra-estrutural). No plano desportivo, “o nosso objectivo era subir de escalão. Nunca pensámos subir em tão pouco tempo”, referiu-nos Rui Cordeiro. Na época actual, a meta é a manutenção pois “temos condições para o fazer”, confessa. Embora admita a ambição de melhorar sempre os resultados, o dirigente não antevê uma subida de escalão num futuro próximo, preferindo primeiro estabilizar o clube.
No plano financeiro, o importante é precisamente estabilizar o clube. Nos últimos seis anos, a dívida do clube foi reduzida para menos de metade. “Todas as dívidas de 2014 estão pagas ou estão em fase de regularização, o que permitiu recuperar o bom nome do clube”, acrescenta Rui Cordeiro.
A última vertente é a de infra-estruturas, a mais difícil de cumprir devido à necessidade de elevados investimentos, essencialmente em balneários, no campo, nas bancadas e na iluminação. Tais investimentos dificilmente serão possíveis sem participação pública, designadamente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica (JFSDB). Neste aspecto, ganham importância os patrocínios e apoios privados. “Tanto à CML como à Junta temos dito que não queremos que nos façam o trabalho todo, mas apenas que nos apoiem a dar condições aos atletas”, refere Rui Cordeiro. “Do nosso lado, temos que ser criativos ao ponto de encontrarmos as parcerias que permitam responder a outras necessidades, pois não podemos depender exclusivamente de instituições públicas”, acrescenta o dirigente. Segundo refere, a CML já presta apoio através do Contrato Programa de Desenvolvimento Desportivo, que todos os anos contempla uma verba considerada significativa face às necessidades do clube, “mas não a suficiente para investir numa obra”
Com a JFSDB, que nunca terá prestado um apoio financeiro directo, tem havido um diálogo para ajudar o clube na reformulação do complexo desportivo o que ainda não se concretizou. “Confesso que esperava mais das entidades públicas e privadas, mas também nos cabe convencer tais entidades de que estamos no caminho certo”, refere Rui Cordeiro. Decerto, a regularização das dívidas desde 2014 contribuiu para elevar a confiança de potenciais parceiros no clube.
 
Mais de 100 anos de história
Com 109 anos de existência e cerca de 220 atletas, entre seniores e escalões de formação, o SFP deve o seu recente êxito ao percurso de estabilidade seguido pela Direcção e colaboradores do clube, ao papel dos atletas e das suas famílias e ao treinador João Silva, com experiência no futebol sénior e de formação, que treina a equipa principal e coordena a formação, considera Rui Cordeiro. Foi desta combinação que resultou “o pequeno milagre” da promoção, reconhece o dirigente, que salienta ainda, a relação entre a formação e a equipa principal.
Na sua opinião, são interdependentes. Se é certo que a formação tenderá a alimentar os futuros seniores, também o é que só uma equipa sénior competitiva aliciará os mais jovens a escolher o clube. “Para um clube como o nosso não é possível viver com duas realidades autónomas”, refere.f
JORGE ALVES

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