● José Santos, fundador e presidente do Clube dos Orquidófilos de Portugal (COP), sediado em Benfica, alimenta a paixão por esta espécie de flores “desde que se lembra”. Um sentimento que quase o deixa sem palavras. “São plantas distintas, raras e com uma forma de plantar diferente”, realça.
As preferidas são as Cymbidium, uma espécie asiática. Ainda recorda o momento em que as observou pela primeira vez: “Uma senhora da Madeira foi viver para perto da minha casa, em Milfontes, e trouxe-as consigo”, conta. “Quando as vi tive uma sensação inexplicável, à semelhança do que acontece com os grandes amores”, confessa. Fruto desse interesse, que tem vindo a ser alimentado pela dedicação, estudo e investigação, resultou numa das poucas obras sobre estas plantas no nosso País: “A Paixão das Orquídeas”, um manual cuja primeira edição foi lançada em 2013.
 
O Clube

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Esta paixão fez com que animasse um grupo de amantes de orquídeas que acabou por resultar na criação do Clube dos Orquidófilos de Portugal, há seis anos. Hoje, com cerca de 300 associados, o COP organiza viagens para observar as orquídeas no seu habit natural. Já passaram por Madagáscar, Costa Rica, Panamá, Equador e Malásia, entre outros países. O COP organiza também eventos como a III Exposição Internacional de Orquídeas de Oeiras que se vai realizar no espaço ARLIS de Oeiras (Rua Coro de Santo Amaro de Oeiras 4A), entre os dias 13 e 17 de Novembro.
O COP é uma associação sem fins lucrativos que visa juntar os amantes por estas “jóias botânicas”, como gostam de se referir às orquídeas, procurando divulgar a história destas espécies e o seu papel na sociedade e cultura. Com cerca de 300 associados, o clube está aberto a todos para “partilhar experiências e conhecimento”.  No mundo existem cerca de 800 géneros e 30 mil espécies, a maior família botânica, e em Portugal perto de 70. 

 
Propriedades medicinais
As primeiras referências às orquídeas devem-se a Teofrasto, filósofo e botânico discípulo de Aristoteles e considerado o “pai da botânica”. Este autor descreveu uma orquídea silvestre europeia, referindo-se ao seu uso para curar a esterilidade masculina. A ele se deve o nome: pela primeira vez surge a palavra “orchis” (“testículo” em grego) aludindo à lenda de Orchis e dada a semelhança entre as raízes turberosas duplas dessas orquídeas e os órgãos genitais masculinos. Acreditava-se que os bolbos das Orchis máscula faziam os homens gerar filhos varões. Usadas como afrodisíaco, as raízes das orquídeas eram maceradas e ingeridas. Também os romanos as relacionavam com a fertilidade. Os Astecas e Maias bebiam uma mistura de orquídeas (Vanilla) com chocolate para dar poder e força; os chineses, mastigavam o sulco das flores porque acreditavam que os curaria de doenças pulmonares.
Os Descobrimentos deram um impulso a estas flores como plantas ornamentais e na Europa chegaram a ser consideradas como sinónimo de riqueza dado o seu exotismo, excentricidade, ostentação e raridade. Em 1640 apurou-se que medicamentos de orquídeas estavam entre as drogas mais vendidas em Londres para a cura de febres, inchaços e feridas, sendo também sinónimo de “luxo”.
As propriedades das orquídeas são conhecidas um pouco por todo o Mundo. Hoje,  as propriedades terapêuticas das orquídeas são usadas  na massoterapia, cromoterapia e aromoterapia. De acordo especialistas,  as propriedades as orquídeas são benéficas para quem sofre de stress e depressão.
O extrato de orquídea é também usado na indústria cosmética como ingrediente contra o envelhecimento, permitindo melhorar o aspecto da pele, reduzir manchas e uniformizar a pigmentação. A flor tem um efeito antioxidante, devido à substância mucilagem, com alto poder de retenção de água, sendo usada na fórmula de hidratantes corporais e faciais.
 
Planta misteriosa
As orquídeas sempre foram rodeadas por uma áurea de mistério e uma sensação de inatingibilidade.  Na Renascença, surgiu uma teoria segundo a qual provinham do acasalamento com animais, dado que não se viam as sementes.
Só muito mais tarde, tudo foi desvendado. Charles Darwin (1809-1882) foi um apaixonado pelas orquídeas que produzia numa estufa em Downe. Foi quando passeava nas suas propriedades, dominadas por orquídeas silvestres,
que observou as danças de insectos à volta das flores e lhe sugeriu a ideia que os insectos fossem usados como polinizadores.
Mais recentemente, em 2007, descobriu-se na República Dominicana, um fóssil com cerca de 20 milhões de anos com polén de uma orquídea designada por Meliorchis caribea. Este pólen foi preservado em âmbar, juntamente com uma abelha polinizadora.f

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