• O primeiro edifício projectado pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, então com 26 anos e que projectaria alguns dos mais emblemáticos edifícios lisboetas nas duas décadas seguintes, distinguido com o Prémio Valmor, em 1923, poderá em breve ser sujeito a obras na sua fachada, estimadas em cerca de 100 mil euros, admitiu ao FREGUÊS DE AVENIDAS NOVAS o seu proprietário, José Oliveira Nascimento.
A intenção é realizar as obras, independentemente do pedido de interesse municipal do imóvel feito à Câmara Municipal de Lisboa (CML) há alguns anos e que ainda aguarda resolução. Não é a primeira intervenção no edifício, situado na Av. da República 49, em Lisboa. Segundo o próprio, já nos anos 90 foram feitas obras de fundo.
Este é um dos 13 imóveis existentes nas Avenidas Novas distinguidos com o Prémio Valmor. A freguesia detém o maior número de edifícios com este prémio, alguns dos quais de interesse público ou municipal. Um edifício está classificado como monumento nacional. Sem esquecer as Menções Honrosas e os Prémios Municipais de Arquitectura.
Associação dos Arquitectos não comenta
Convidado a comentar o estado de conservação dos edifícios distinguidos da freguesia, o presidente da Ordem dos Arquitectos (OA), José Manuel Pedreirinho, optou por não prestar depoimento, remetendo-nos para o Conselho Regional do Sul da OA, onde nos admitiram que ninguém era conhecedor da matéria.
Em todo o caso, no seu livro de 2018 “História Crítica do Prémio Valmor”, editado pela Argumentum, José Manuel Pedreirinho considera que este prémio, “apesar de alguns percalços”, tem-se mantido “uma referência quase obrigatória e como um certificado de qualidade periodicamente atribuído a determinadas obras de arquitectura”, sendo “muito provavelmente o mais antigo prémio de arquitectura com estas características a ser atribuído”.
De acordo com o autor, “a localização dos edifícios distinguidos com o Valmor reflecte pois aquilo que foi ao longo dos anos a expansão e desenvolvimento de Lisboa, bem como o seu significativo crescimento”.
 
Prémio criado em 1898
Instituído em 1898 na sequência de um testamento de Fausto Queiroz Guedes, segundo Visconde Valmor, no qual se atribuíam “cinquenta contos de reis para a cidade de Lisboa” (conforme escrevem em “100 Anos de Prémio Valmor” o presidente da OA e José Carlos Nascimento), destinados a criar um fundo cujos “rendimentos anuais constituiriam um prémio para ser atribuído, em partes iguais, ao proprietário e ao arquitecto do mais belo prédio ou casa edificados”, desde que o imóvel tivesse uma estrutura arquitectónica clássica, “grega ou romano- gótico ou do renascimento”.
O prémio seria atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e foi entregue pela primeira vez a uma obra de 1902 (embora à posteriori, pois o primeiro regulamento é de 1903).
A autarquia elaborou um regulamento que previa a constituição anual de um júri de três arquitectos, escolhidos pela CML, Academia Real de Belas-Artes e Sociedade dos Arquitectos Portugueses. Uma nomeação que se manteve até 1982, ano em que o regulamento foi alterado e o prémio associado ao Prémio Municipal de Arquitectura (instituído em 1943), passando a denominar-se Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura. Em 1904, a CML impôs aos proprietários dos edifícios premiados uma placa com o ano e os nomes dos titulares e dos arquitectos distinguidos.
No mesmo ano, pela primeira vez, a distinção não foi atribuída, facto que se repetiria por mais de 30 vezes até hoje.f
JORGE ALVES

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