No próximo ano, o Metropolitano de Lisboa (ML) vai vender um terreno com seis hectares em Sete Rios, encaixando mais de 30 milhões de euros. Este local será destinado a habitação, serviços, comércio e turismo, além da prevista central de autocarros.
● Entretanto, foi criada na Câmara Municipal de Lisboa (CML), uma unidade de execução que está a trabalhar naquela intervenção urbanística. A construção em altura vai alterar o perfil da Praça Humberto Delgado, estando em debate os índices de edificabilidade. No protocolo assinado a 10 de Dezembro de 2003 entre a CML e o ML, afirma-se que aquele índice de edificabilidade será o previsto no Plano Director Municipal de Lisboa para locais equivalentes.
A CML pretende libertar solo permeável e espaço público, compatibilizando-os com a requalificação da zona integrada no projecto camarário “Uma Praça em Cada Bairro”.
Para drenar as águas pluviais vai ser construído “um grande colector do sistema geral de drenagem, que vem da Estrada das Laranjeiras”, sendo ainda concluída a galeria da estação de Metro de Sete Rios, que está interrompida, permitindo a circulação subterrânea de pessoas. A CML considera que se vai construir uma “interface potente” dos diversos transportes públicos daquela zona: metro, comboios, central de autocarros e um futuro terminal dos Transportes Sul do Tejo (TST). A Central de Camionagem terá 36 lugares cais, 60 lugares de estacionamento para autocarros e parque público para ligeiros (360 lugares). Este equipamento será construído pelo ML após obtenção do alvará de loteamento.  A sua propriedade será transferida, posteriormente, para a CML.
 
Pressão para a venda
A pressão para a venda dos terrenos até 2020 pode ser um engulho entre a autarquia e o Metropolitano: ”Vender o terreno em bruto sem a proposta estabilizada com o município será sempre muito problemático”, disse no princípio do ano, Manuel Salgado, vereador do Urbanismo.
Em 2003, a CML aprovou o protocolo entre o Município de Lisboa e o MP no qual eram estabelecidas as condições e obrigações de cada uma das partes sobre o terreno em causa. Do lado da autarquia, seria aprovado um Plano de Pormenor de Reordenamento e dada autorização ao Metropolitano de Lisboa para relocalização da Central de Camionagem do Arco Cego para as suas instalações em Sete-Rios.
Protocolo rasgado?
Os terrenos em causa seriam alvo de uma valorização imobiliária, com o objectivo expresso destinado a garantir, no quadro das responsabilidades do MP, a constituição de um fundo de pensões, ou um mecanismo semelhante, para os seus trabalhadores. Actualmente, existem dúvidas quanto a este tópico. 
O Ministro do Ambiente terá afirmado em Agosto do ano passado que o resultado da venda do referido terreno se destinará a custear a obra de expansão da rede do Metro. A mesma intenção surge também nos relatórios do Metropolitano de Lisboa. A questão deverá gerar alguma polémica entre os deputados municipais que, já  em Setembro de 2018, pediram um ponto de situação à CML.f

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