A prevenção de incêndios em Monsanto é garantida pela Polícia Florestal de Monsanto (PFM), que tem uma componente montada, única no País. Ao todo são seis elementos, numa unidade de 28 daquela polícia, e só desempenham funções diurnas.
 
● Com a extinção do Corpo Nacional da Guarda Florestal, em 2006, os seus efectivos foram integrados no Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR). As únicas polícias florestais fora da GNR passaram a ser a Polícia Florestal de Monsanto (PFM), integrada na Polícia Municipal de Lisboa, sob tutela da Câmara Municipal de Lisboa (CML), desde 2011, e as polícias Florestais da Madeira e dos Açores, que ficaram sob tutela dos respectivos Governos regionais.
Destas três, apenas a de Lisboa tem polícia montada, composta por seis dos 28 efectivos e nove cavalos, mantidos numa cavalariça com mais de 30 anos em pleno Parque Florestal de Monsanto a cargo de cinco tratadores e um ferrador.  Os cavalos consomem em média cerca de 6 toneladas de palha e 900 quilos de ração a cada dois meses. São diariamente lavados, escovados e penteados após cada patrulha.
Em cada estábulo, a palha é renovada diariamente. A palha velha segue para estrume ou para os viveiros da CML. Para o transporte dos cavalos, a Polícia Municipal disponibiliza dois veículos com capacidade para dois animais cada. Por dia, nos dois turnos (das 08h00 às 16h00 e das 14h00 às 22h00), cada guarda montado cavalga cerca de quatro horas, com capacete, luvas e arma.
Embora a PFM mantenha os 900 hectares do parque (cerca de 1/10 da área de Lisboa) sob vigilância 24 horas por dia, o serviço a cavalo só se faz de dia por não ser viável sem luz. “Imagine andar a cavalo no meio da mata, de noite, completamente às escuras”, explica um mestre florestal. Os polícias a cavalo acedem a zonas mais difíceis do parque, onde os veículos motorizados não chegam.
 
Formação em equitação
Ao longo do ano, fora da época de maior risco de incêndios, uma das funções destes guardas, que gostam de destacar, é sensibilizar crianças dos 6 aos 12 anos para a equitação, através do volteio a cavalo. Estas acções decorrem nos dois picadeiros existentes junto às cavalariças: um, circular, com a idade dos estábulos; outro, maior, construído há 16 anos.
A acção é antecedida de um briefing sobre cuidados a ter com os cavalos, técnicas de montar e o papel da polícia montada. Cada criança recebe uma touca higiénica de plástico e um capacete de segurança e monta sobre uma mantilha colocada no cavalo. Segundo o mesmo mestre florestal, por ano, cerca de 5 mil crianças participam neste volteio. O interesse em participar nestas acções é elevado: “muitas são recusadas devido à falta de meios humanos e materiais para responder às solicitações”, refere.
 
A missão
A PFM é responsável pela prevenção de fogos em Monsanto e fazem parte das suas funções vigiar, sensibilizar, identificar incêndios, apoiar no combate ao fogo e investigar as suas causas.  Os efectivos da PFM têm idades compreendidas entre  40 e 59 anos e são distribuídos por três categorias: guarda florestal, mestre florestal e mestre florestal principal.
Além dos elementos afectos à policia montada, cinco efectivos estão destacados na sala de operações da Polícia Municipal, em Monsanto. Juntamente com elementos dos bombeiros e do Serviço Nacional de Protecção Civil (SNPC), participam na videovigilância do parque. Este sistema é composto por quatro câmaras instaladas em locais estratégicos. 
Os restantes 17 efectivos da PFM estão no serviço motorizado, seja nas viaturas atribuídas a esta polícia, duas moto-4 e duas pick-up, seja noutros veículos da Polícia Municipal. As pick-up têm um depósito para 400 litros de água, com moto-bomba, duas mangueiras e uma pistola de jacto, e  estão preparadas para uma primeira intervenção em caso de incêndio até à chegada dos bombeiros. 
 
Polícia residente
Dividido em quatro quadrantes pela Polícia Florestal de Monsanto e pelo Regimento de Sapadores de Bombeiros, que ali tem um quartel, o PFM alberga fauna e flora diversificada, além de estradas, trilhos, parques recreativos, zonas militares e ainda 50 moradias de guardas florestais (também chamadas casas função), das quais 23 com guardas no activo, 13 com guardas reformados, 10 desocupadas e 4 cedidas a entidades privadas. São casas para residência dos guardas florestais, com uma pequena horta e, nalguns casos, dotadas de cavalariça. Segundo apurámos, as casas desocupadas estão em processo de requalificação para cedência a entidades privadas.
O Parque de Monsanto dispõe também de uma rede de pontos de água, composta por vários depósitos que formam uma reserva estratégica de água, dezenas de bocas-de-incêndio, um plano de água e um tanque de rega.
Ilícitos diversos
No âmbito da sua missão, a PFM depara-se com diversos ilícitos. Alguns são sazonais, como a caça (para comércio, por exemplo) e a apanha de lenha, cogumelos ou pinhas (necessárias à alimentação dos esquilos). Outros ocorrem durante todo o ano, como a descarga de resíduos sólidos ou o vandalismo. Registam-se, também, pequenos fogachos, nalguns casos com origem humana, prontamente detectados e debelados. Este ano ocorreram, pelo menos, cinco focos de incêndio. As proibições visam defender o ecossistema e prevenir o risco de fogo, a principal preocupação em Monsanto. Já a prostituição foi oficialmente extinta na zona em 2005, com a implementação do traço contínuo amarelo em todas as estradas do PMF que permite sancionar quem pára ou estaciona a viatura.
 
Episódios rocambolescos
Entre os episódios mais rocambolescos relatados pelos polícias florestais estão a detecção de indícios de bruxaria, nalguns casos praticada com velas, uma perseguição a cavalo a jovens que faziam um fogacho na mata, durante a qual um dos fugitivos caiu, obrigando o perseguidor a saltar sobre ele para não o magoar.
Uma outra situação teve a ver com  uma senhora que não respondeu a um telefonema programado para evacuação durante a realização recente de um simulacro por estar a dormir com o telefone desligado.f
jorge alves

Comente esta notícia

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.