Elvira de Sales Velez Pereira, de seu nome completo, nasceu em Lisboa, na freguesia da Santa Isabel, a 19 de Novembro de 1892. Aos seis anos deixou Lisboa rumo a Torres Novas, onde ficou a residir até atingir a maioridade. A arte de representar foi, desde cedo, uma forte determinação da actriz que dá nome a uma rua de Benfica.

Família contra vocação Empresário do Teatro Virgínia em Torres Novas, o pai contratava várias companhias para actuarem neste espaço, durante o Verão, principalmente o Teatro Ginásio de Lisboa que fechava portas durante este período do ano. Assistir às peças que passavam pela província despertou “o desejo louco de ser actriz”, segundo as suas próprias palavras. O encanto pela arte de representar radicou-se na sua alma de tal modo que nem a tentativas do seu pai para a afastar dos palcos tiveram êxito. Uma das estratégias foi forçar Elvira a tirar o diploma de professora primária. Ao atingir a maioridade, a futura actriz correu atrás do seu sonho: rumou a Tomar, onde colaborou com grupos de teatro amador.

Família contra vocação Mais tarde radicou-se em Lisboa. Quis o destino que fosse publicado no “Diário de Notícias” pelo Teatro Moderno um anúncio para corista. Logo, e perante os escrutinadores das candidaturas disse de rompante: “Não quero ser corista; quero ser alguém no teatro!”, despertando a atenção dos avaliadores, tendo sido recomendada ao empresário do Teatro. Em 1913, com 21 anos, estreou-se na opereta “Os Grotescos”. Foi o primeiro passo de uma carreira que se foi consolidando. Em 1914, começa a trabalhar no Teatro S. Luís, ao lado de grandes nomes do teatro português da época: Ângela Pinto, Chaby Pinheiro, Adelina Abranches, António Silva, Aura Abranches, Maria Matos e Vasco Santana. Depois, integrou a companhia de Palmira Bastos, a sua grande inspiração e mentora. Dedicada, estudiosa, empenhada e com muita força de vontade, Elvira Velez viu o seu talento ser reconhecido. Então conheceu Henrique Pereira, também actor, com quem viria a casar. Do seu casamento nasceu uma filha, Irene Velez, também actriz, casada também com um homem da rádio e da política, Igrejas Caeiro. Para além de ter passado por diversas companhias (Companhia Berta de Bivar, Teatro Variedades, Companhia Teatral Portuguesa, Maria Matos, Mirita-Vasco, entre outras) fez ainda várias digressões.

Cinema, rádio e televisão Elvira Velez experimentou com sucesso todos os géneros, do drama à comédia, da tragédia à opereta, revista ou farsa. Na revista, destaca-se “Abril em Portugal”. No entanto, o género em que é mais recordada é a comédia, muito graças ao cinema, que nos trouxe algumas interpretações inesquecíveis. Participou em filmes como “Aldeia da Roupa Branca” (1938), “Agora é Que São Elas” (1954), “As Pupilas do Senhor Reitor” (1960), “O Primo Basílio” ou “Encontro com a Vida” (1960). Numa das suas passagens pela RTP, em 1962, Elvira Velez participou num programa semanal, num musical que tinha o título “O Pátio da Milagres”. A actriz passou também pela “Rádio – Emissora Nacional” e “Rádio Clube Português”, nas quais fez teatro radiofónico, assim como trabalhos em publicidade. Elvira Velez confessou, que se sentia muito “querida pelo povo”. Elvira Velez morreu em 1981 no Alto do Lagoal, em Caxias, com 89 anos. Quem a conheceu diz que era muito boa pessoa e Vasco Santana chamou-lhe “aquela santa”. Foram 89 anos de talento e dedicação e figurará sempre no “quadro de honra” dos nossos artistas.

Prémios e distinções Recebeu o Prémio Lucinda Simões para Melhor Actriz, em 1970, no papel da “Titi” na peça “A Relíquia”, de Eça de Queiroz, exibida no Teatro Maria Matos. Recebeu diversas condecorações, entre elas, a Ordem de Sant’iago da Espada, assim como os prémios da Caritas e da Cruz Vermelha. A 8 de Março de 1993, “Dia Mundial da Mulher” descerrou-se a placa toponímica em Benfica numa praça do Bairro da Boavista. f

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