● A implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, levantou a questão da nova bandeira de Portugal. O novo governo reuniu, a 15 daquele mês, um grupo de personalidades com grande prestígio para que elaborasse um projecto. Dessa comissão  faziam parte: o pintor Columbano Bordalo Pinheiro; o jornalista João Chagas; o escritor Abel Acácio de Almeida Botelho; o capitão de artilharia José Afonso Pala e o primeiro-tenente da Marinha António Ladislau Parreira.  A 29 de Outubro de 1910, surgiu a primeira versão concebida por Columbano e o primeiro relatório de Abel Botelho, que foi analisado, no dia seguinte, em Conselho de Ministros. Abel Botelho, no relatório, pormenorizou cada um dos elementos utilizados, entre os quais as cores definidas por Columbano: o vermelho como a “cor combativa e quente, é a cor da conquista e do riso; uma cor cantante, alegre, lembra o sangue e incita à vitória”; e o verde, como a “cor da esperança e do relâmpago, significa uma mudança representativa na vida do País”. A 6 de Novembro, o Conselho de Ministros analisou nova versão. A aprovação foi a 29 de Novembro. O primeiro feriado nacional, decretado pela República, 1 de Dezembro de 1910, foi o Dia da Bandeira. A Assembleia Constituinte aprovou a Bandeira Nacional a 19 de Junho de 1911.
 
A polémica
Duas tendências antagónicas dividiram a sociedade na altura: uma inspirava-se nas bandeiras dos centros republicanos e das sociedades secretas que promoveram a revolta; outra defendia a abolição dos símbolos monárquicos, mas a manutenção do azul e branco. Guerra Junqueiro, por exemplo, apresentou uma proposta tendo como cores o azul e o branco. Dizia que não eram as cores do Rei, mas sim as cores da “alma nacional”, que não deviam ser abolidas. Neste sentido, seguia a proposta de António Arroio, que assim se juntava a Sampaio Bruno, Roque Gameiro e Henrique Lopes de Mendonça, o autor da letra d’A Portuguesa.
O vermelho e verde
A 5 de Outubro de 1910, na Câmara Municipal de Lisboa, foi hasteada uma bandeira verde e vermelha que eram as cores da Maçonaria e do federalismo ibérico, defendido por Henriques Nogueira, Latino Coelho eTeófilo Braga. A sua origem foi a seguinte: José de Castro, presidente da Comissão de Resistência e grão-mestre adjunto da Maçonaria a substituir, nas funções,  Magalhães Lima, exilado em Paris, pediu a Adelaide Cabete para, juntamente com Carolina Ângelo, ambas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e da Maçonaria Feminina, fazerem “no maior sigilo” 20 bandeiras verdes e vermelhas, no prazo máximo de 48 horas”. Tratava-se da preparação da  revolução marcada para Julho, adiada para Agosto e, depois, para Outubro.f

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