● A construção da biblioteca municipal de Benfica está a servir de “joguete” entre Fernando Medina e Inês Drummond, presidentes da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia. Sem estar nos planos camarários a curto prazo, o primeiro autarca aventou a hipótese do novo equipamento ser construído nos terrenos contíguos ao Palácio Baldaya, onde estava instalado o Laboratório Nacional de Veterinária, substituindo os planos iniciais de ser edificada na urbanização localizada na antiga Fábrica Simões; a segunda autarca defendeu que “o equipamento previsto para a Fábrica Simões, no âmbito das contrapartidas, possa não apenas ser alocado a uma biblioteca municipal, mas a uma coisa mais ampla, permitindo ter uma zona de estudo, biblioteca e salas de ensaio”.
Segundo apurou o FREGUÊS DE BENFICA junto de fontes da CML e da empresa Teixeira Duarte, o projecto continua a prever a criação de uma biblioteca municipal. “Aliás, estamos interessados na manutenção deste equipamento, dado o conceito da “Fábrica 1921”, garantem-nos.
Desde 2011, que existe um compromisso entre as duas entidades para incluir na operação de urbanização a construção de uma biblioteca construída de raiz, tendo sido uma das condições para a sua aprovação. Numa proposta apresentada por Manuel Salgado, vereador do urbanismo, afirma-se que a solução urbanística “introduz uma área destinada a biblioteca municipal, com uma superfície de pavimento de 1850 m2” que se “localizará no piso térreo do edifício da antiga Fábrica Simões, preservando a sua fachada”.
Esta determinação é uma compensação em espécie que o promotor pagaria à autarquia pela operação de loteamento: “é do interesse público que o promotor entregue à Câmara Municipal a área destinada à instalação da biblioteca, sendo o valor dessa compensação em espécie, a deduzir ao montante das compensações, calculado em sede própria e até ao deferimento do processo”, afirma-se na mesma proposta que foi aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa. No âmbito dos 48 mil m2 de construção previstos no loteamento, deverão ser cedidos ao domínio público camarário 24 411,50 m2, sendo 14 535,02 m2 para equipamentos colectivos.

Sem data
A “biblioteca âncora” chegou a ser considerada prioritária no Programa Estratégico Biblioteca XXI – Uma Rede de Bibliotecas Públicas Municipais para a Cidade de Lisboa, a 9 Maio de 2012. Quatro anos mais tarde, Catarina Vaz Pinto, responsável do pelouro da Cultura, admitiu que “provavelmente” não se concretizaria a solução que estava prevista. O eventual abandono da Fábrica Simões seria também confirmado numa avaliação da autarquia em relação a uma iniciativa de cidadãos que tentou propor a inclusão da criação da biblioteca no Orçamento Participativo 2017/2018: “estão a ser estudados diversos espaços” que respondam aos requisitos definidos no âmbito do programa “Bibliotecas XXI”, sem qualquer referência ao espaço da Av. Gomes Pereira.
No dia 6 de Fevereiro deste ano, aquela autarca admitiu que a Biblioteca Municipal de Benfica não tem data de concretização.

Urbanização avaliada em 150 milhões de euros
A demolição da antiga Fábrica Simões, na Avenida Gomes Pereira, começou em Outubro passado, para dar lugar a uma urbanização, a “Fabrica 1921”. Neste momento as operações de limpeza dos cerca de 43.808 m2 de terreno estão concluídas. A construção do projecto, assinado pelo gabinete de arquitectura inglês, Broadway Malyan, devererá começar em breve. Os terrenos foram adquiridos por seis milhões e, depois de construída a urbanização, estão avaliados por 150 milhões de euros.

Edifícios de luxo
O projecto prevê a construção de três edifícios em 32 mil metros2 que terão entre quatro a oito pisos acima do solo, além de espaços comerciais na frente da Avenida Gomes Pereira. As tipologias vão variar entre T1 e T4, destinadas a um mercado médio/alto. Alguns apartamentos terão características especiais como jardins interiores e grandes áreas envidraçadas. Para já prevêem-se quatro segmentos de apartamentos para “diferentes estilos de vida”. Casas de autor, ambiente exteriores que proporcionam a vivência de uma moradia com design urbano e cosmopolita. Além do estacionamento para os residentes, prevê-se a criação de um parque exterior, um ginásio, piscina e um “rooftop” (espaço de lazer no topo dos edifícios). A Teixeira Duarte Real Estate promete a apresentação da urbanização para breve.f

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