As obras do parque urbano da Praça de Espanha arrancam no segundo semestre deste ano e vão implicar um investimento superior a seis milhões de euros, mais três milhões do que inicialmente previsto. O projecto, vencedor de um concurso internacional promovido pela Câmara Municipal de Lisboa que envolveu nove propostas, foi o atelier NPK – Arquitectos Paisagistas Associados e deverá estar concluído até final de 2020.

● O projecto visa alterar radicalmente a actual Praça de Espanha através de uma transformação que “vai estabelecer novas continuidades pedonais e cicláveis, restabelecendo a ligação da antiga Estrada da Palhavã, ligando a Gulbenkian a Sete Rios”. Por outro lado, o novo parque vai ampliar os lugares de coexistência, no interior da cidade, entre as pessoas e a natureza, vai tornar mais presentes os sistemas e os elementos que a sustentam, o ar, a água, o solo e a biodiversidade”. O parque urbano terá a dimensão de cerca de 5 hectares, uma aérea equivalente à do Jardim da Estrela, e irá contemplar a plantação de mais de 630 novas árvores.

Ribeira do Rego a céu aberto
Um aspecto marcante do novo parque é a reabilitação dos cursos de água que existem na zona e foram enterrados. O riacho do Rego será recuperado, numa “renaturalização do caminho
da água”, e será construída uma bacia de retenção de águas com efeito de drenagem, para evitar as cheias que assolam esta zona. Além deste elemento central, o parque terá zonas de “clareiras de fruição”, parques infantis, esplanadas e quiosques.
José Veludo, da NPK, disse que o futuro parque “será um elemento de coesão do espaço público”, unindo os bairros do Rego, Azul, da Palhavã e o IPO, “que ficará ligado à estrutura ecológica, tal como devia ser norma para todos os equipamentos de saúde e ensino”.
O espaço verde vai entrar ainda pelo logradouro da Rua Eduardo Malta, ligando-o a Monsanto, integrará os teatros Aberto e Comuna, e as avenidas José Malhoa e Columbano Bordalo Pinheiro.
O projecto prevê ainda recuperar a antiga Estrada da Palhavã, “uma diagonal perdida”, para ligar a Gulbenkian a Sete Rios de forma pedonal. O projecto recupera o caminho Norte-Sul que liga Benfica ao centro.
O novo parque vai valorizar a circulação pedonal e ciclável. Uma das saídas do metro da Praça de Espanha ficará no meio do futuro parque.
Uma das questões que está a preocupar os moradores da zona é a questão da manutenção do novo parque urbano, crítica nos primeiros anos.

Trânsito polémico
O trânsito também será organizado de forma diferente: as faixas centrais desaparecem, assim como o terminal de autocarros que vai ser transferido para Sete Rios. Quem for de carro das avenidas de Berna ou António Augusto Aguiar vai poder seguir em direcção à Av. de Ceuta, e ir pela Avenida dos Combatentes rumo ao Marquês de Pombal, o que será mais simples. Mas o impacto da circulação automóvel nas zonas consolidadas limítrofes à Praça de Espanha está a preocupar diversos grupos de moradores da freguesia.

Ampliação do Jardim da Gulbenkian
O projecto vai também permitir a continuidade entre a praça de Espanha e o Jardim da Gulbenkian, com uma ponte pedonal a ligar os dois espaços, através de uma “intervenção artística”, que a fundação vai oferecer à cidade.
Este jardim vai passar a ocupar a quase totalidade do quarteirão, com a sua ampliação para o resto do antigo Parque de Santa Gertrudes, mal acabem as obras no espaço público. Para o efeito, a Fundação Calouste Gulbenkian vai lançar em breve um concurso de ideias. De fora ficam apenas a casa da Fundação Eugénio Almeida e o seu logradouro (o edifício que faz lembrar um castelo, na Rua Marquês da Fronteira). As obras estarão concluídas pouco depois do calendário previsto para a Praça de Espanha (2020).

Zona de escritórios
A Praça de Espanha vai ser um dos principais centros de escritórios e de desenvolvimento do sector terciário da cidade. Desde 2016, que está prevista a construção do edifício sede do Montepio Geral, da Lusitânia Seguros, a ampliação do IPO. No terreno do antigo mercado será construído um edifício com 145 metros que deverá ser a sede da Jerónimo Martins. Estão previstas outras novas construções como uma esquadra da PSP, um lar e um centro de dia.
A relação das novas edificações com as zonas consolidadas e as zonas de transição, além da pressão urbanística, são outros aspectos que também preocupam os moradores da zona.f

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