● Conhecida por Quinta dos Ingleses, o lugar chamava-se inicialmente Quinta Nova ou de Santo António. Sabe-se que pertenceu a José Francisco da Cruz, 1.º Morgado da Alagôa, que se instalou, em meados do século XVIII, por influência do Marquês de Pombal nas terras da “Lobita” que anexavam as quintas da Ordem, do Selão e da Fonte da Aldeia. Depois, murou o terreno dando-lhe unidade e coesão e construiu a casa apalaçada, ricamente decorada e mobilada. A capela foi dedicada a Santo António. Um bonito jardim foi concebido com lagos, estátuas, vasto arvoredo e um pinhal. A área rústica chegou a produzir 500 pipas do famoso vinho de Carcavelos e tinha um laranjal de renome. No século XIX, o destino destes 54 hectares alterou-se na sequência de uma praga que comprometeu a produção do vinho.
A quinta, por ser novidade no lugar, passou a chamar-se “Quinta Nova”, embora o seu proprietário lhe desse o nome de “Quinta de Santo António”. Também era conhecida por “Quinta da Lobita” porque os seus terrenos eram assim conhecidos desde tempo idos.
A “Quinta Nova” foi readquirida, pouco depois da fundação, por herança, para o morgadio da Alagôa, por o seu titular dessa época ser descendente de José Francisco da Cruz. A família dos morgados da Alagôa possuía as mais antigas fazendas da região.
Em 1870, foi vendida, por 23 contos, à Eastern Telegraph Company, empresa inglesa de comunicações por cabo submarino que procurava um ponto para a sua rede de ligação entre Inglaterra e Bombaím (Índia) e, posteriormente, com os Açores, Cabo Verde e Brasil.
Em 1877, um violento incêndio destruiu quase por completo a ala este do edifício principal. Durante as obras de reconstrução, foram feitas várias modificações de acordo com as novas funções da empresa inglesa.
Neste processo de remodelação, a capela é completamente desactivada, sendo os seus azulejos transferidos para as paredes das escadarias do edifício central. A empresa adaptou o palácio de estilo senhorial a escritório inglês e acrescentou uma série de modernas edificações amarelas, nos quais instalou os seus serviços e os seus servidores. Foi o princípio da fixação de uma colónia inglesa na Costa do Sol. No final do século XIX, a companhia constrói um amplo conjunto de estruturas para a prática de futebol, râguebi, hóquei em campo, ténis, cricket e golfe, entre outras modalidades desportivas, para dar resposta aos hábitos da sua comunidade. Em 1932, ainda integrado na Eastern Telegraph Company, nasce o “St. Julian´s School” com o objectivo de receber cerca de 30 alunos ingleses cujos pais, funcionários da empresa, não desejavam enviar os seus filhos para Inglaterra. Devido à presença dos ingleses, a quinta passa a ser conhecida pela designação actual.
Em 1962, fechadas as comunicações por cabo submarino, a Eastern Telegraph Company vende a totalidade das suas instalações ao “St. Julian´s School”. Os terrenos envolventes foram vendidos à Savelos, Sociedade Imobiliária que, desde então apresentou vários projectos de urbanização, sucessivamente rejeitados e abandonados. Actualmente, é proprietária dos terrenos a empresa Alves Ribeiro.f

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