Está para breve um ‘avanço significativo’ no projecto de criação do museu dedicado à Artilharia de Costa e à Fortificação Marítima na História de Portugal, no Alto da Parede, no cimo do Monte de Santa Luzia. Segundo uma fonte da Câmara Municipal de Cascais (CMC), “encontram-se concluída as negociações que decorreram entre o Exército Português, o Ministério da Defesa Nacional e o Município”.

● Gonçalo Venâncio, Chefe de Gabinete de Apoio à Presidência de Carlos Carreiras, revelou que a autarquia “aguarda agora a publicação em ‘Diário da República’ da portaria do Governo, que permitirá a assinatura do acordo alcançado e que será oportunamente anunciado”. Então, a CMC poderá vir a tomar finalmente posse da 2.ª Bataria do Regimento de Artilharia de Costa (RAC) talvez “ainda no primeiro trimestre do corrente ano”.
A informação foi revelada na sequência dos comentários publicados nas redes sociais por um grupo de fregueses descontentes com a falta de informação sobre este projecto e com o estado de degradação a que chegaram as antigas instalações da 2.ª Bataria do RAC, onde está previsto ser instalado o equipamento museológico.
Ana Andrada, uma das freguesas que participou na troca de argumentos publicados nas redes sociais, fez saber que enviou, no dia 4 de Dezembro de 2020, um email à CMC sobre o tema, depois de não ter conseguido obter qualquer resposta por parte da União das Freguesias de Carcavelos e Parede (UFCP) acerca do futuro do projecto museológico. Este contacto mereceu uma resposta por parte Gonçalo Venâncio, a 20 de Janeiro deste ano, a dar conta de que já foram concluídas as negociações estabelecidas entre a CMC, o Exército Português e o Ministério da Defesa Nacional “com vista à criação e implementação de um Museu dedicado à Artilharia de Costa e à Fortificação Marítima na História de Portugal, bem como à criação de um parque e jardins, que serão acessíveis ao público nos terrenos onde se situa o Forte da Bataria de Artilharia de Costa da Parede”.
As negociações entre as três entidades estavam num impasse desde final de Janeiro de 2014, após a assinatura de um protocolo de intenções com o Exército Português. Na altura, a autarquia presidida por Carlos Carreiras anunciou a intenção de criar o museu naquele local, enquadrado num parque verde para usufruto da população. O projecto, que resultaria da recuperação da 2.ª Bataria do RAC, foi anunciado para breve. Sete anos depois, ainda não saiu do papel. O ‘FREGUÊS DE CARCAVELOS PAREDE’ contactou os serviços de Comunicação e Relações Públicas do Exército Português para confirmar os termos do acordo, mas até ao fecho desta edição não foi possível obter qualquer resposta às nossas questões.

Fregueses desagradados
Cansados de esperar por novidades relativamente a este processo, cujas negociações entre a autarquia cascalense e o Exército Português estavam num impasse, vários fregueses deram conta do seu desagrado nas redes sociais, assinalando a falta de vigilância verificada no recinto, que tem vindo a ser alvo de furtos e actos de vandalismo ao longo dos anos.
“Anunciado como futuro espaço museológico, a antiga Bataria de Artilharia de Costa da Parede permanece ao abandono e cada vez mais vandalizada, com furtos frequentes de tudo o que é metal. Quando um dia decidirem passar à acção, será tarde demais”, escreveu Ricardo Grilo, no passado dia 25 de Janeiro na página do Facebook ‘2775 Parede Oficial’.
“Não sei quem é o responsável pelo abandono e pelo atraso no arranque do projecto, mas é um verdadeiro crime o que aqui se está a fazer. Fica o desabafo. E a minha tristeza, como paredense e como entusiasta de história militar do Século XX”, desabafou o mesmo freguês, sublinhando sentir-se descontente com a degradação do material e respectivos subterrâneos “a cada dia que passa”.

Presidente da Junta responde
Em resposta a um comentário de outra freguesa, que acusou a CMC e a UFCP de nada fazer, Nuno Alves, presidente da Junta, referiu que “o espaço é da responsabilidade do Governo”, não se tendo concretizado a sua transição para o Município. Segundo o autarca, “a Junta bem gostava que estivesse na dependência da CMC para termos uma recuperação à semelhança da recuperação do forte de Santo António do Estoril, o antigo forte Salazar” que se encontra aberto ao público.
Entretanto, um grupo de fregueses liderado por Fernando Fánan Lima, administrador da página ‘2775 Parede Oficial’ no Facebook, prometeu avançar com uma petição pública no caso de nada ser feito.f

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