A pandemia provocou uma quebra de 50 por cento nas receitas do Sport Futebol Palmense (SFP). Apesar de algum apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e da Junta de Freguesia, o presidente, da colectividade, Rui Cordeiro, admite que teria preferido um auxílio maior em recursos não financeiros, como Equipamentos de Protecção Individual (EPIs) e testes.

● A crise sanitária provocou uma quebra de receitas de 50 por cento entre Março e Novembro no SFP, refere Rui Cordeiro. No plano desportivo, as receitas diminuíram face à limitação das competições. Mas não só. Também os proveitos do património que a instituição arrenda diminuíram devido a dificuldades dos inquilinos.
De acordo com Rui Cordeiro, o Clube resiste graças à reestruturação da dívida, “que lhe permite manter os compromissos e cumprir as obrigações”, e ao esforço e empenho dos colaboradores, dirigentes e atletas, bem como das suas famílias. Um esforço que o presidente do SFP agradece.
Todavia, Rui Cordeiro lamenta a insuficiência do apoio público. “Temos material necessário para lidar com a pandemia, como luvas, máscaras, desinfectante, mas precisávamos de apoio da CML e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica (JFSDB) que “mostraram pouca disponibilidade e diligência no que podia ser a sua resposta”, adianta o dirigente.
Embora admitindo que a CML concedeu ao Clube um apoio extraordinário de dois mil euros devido à pandemia e manteve o apoio financeiro regular habitual e que a JFSDB ofereceu um dispensador de gel, o presidente do SFP sente uma falta de apoio generalizado: “face à pandemia, mais do que de dinheiro, precisávamos de meios para a combater, como Equipamentos de Protecção Individual (EPIs) ou testes”, refere, acrescentando que “mais importante do que o dinheiro seria haver um apoio regular por parte das autarquias em recursos”. Rui Cordeiro vai mais longe: “Diria até que abdicávamos da vertente financeira, se tivéssemos a certeza que havia um apoio regular em termos de EPIs, testes COVID-19 e desinfecção das instalações”, realça.

Um caso
Um dos recursos que Rui Cordeiro lamenta não poder proporcionar, por falta de capacidade do SCP, são testes regulares de COVID-19 aos colaboradores do SFP. “No início da época, em Setembro, testámos os nossos colaboradores e gostávamos de o fazer com maior regularidade. mas falta-nos capacidade financeira”, afirma. Em todo o caso, o Clube tem um plano de contingência aprovado pela Associação de Futebol de Lisboa “que todos cumprem à risca, sejam dirigentes, colaboradores, atletas e pais”, salienta Rui Cordeiro. Mesmo assim, desde o início da pandemia, o Clube registou um caso de infecção, “contraído fora das instalações”, admite. Foi um atleta, “que se encontra bem”, acrescenta. “A infecção foi detectada pelos pais e comunicada atempadamente ao Clube”, adianta o dirigente.
O ‘Palmense’ cancelou os treinos desse escalão e contactou de imediato a autoridade de saúde local, “que considerou o caso de baixo risco, pelo que pudemos retomar de imediato os treinos do escalão em causa”, esclarece Rui Cordeiro. “Por precaução demos mais uns dias”, adianta.

Falta de público
Para a quebra acentuada de receitas também contribuiu a realização de jogos de Futebol 11 sem público. “O Clube tem capacidade para 400 espectadores e podia ter 5% ou 10% de público, 20 ou 40 pessoas, distribuídas por zonas diferentes do campo”, refere Rui Cordeiro. Até porque como os pais já assistem aos treinos, um por atleta, e tendo os escalões cerca de 20 atletas, “acabamos por já ter 20 pessoas nas bancadas a assistir aos treinos dos filhos”, sublinha.
Outro efeito da pandemia foi uma diminuição de atletas no clube. “Não sabemos qual a razão efectiva, mas acreditamos que é por precaução”, refere o presidente do SFP.
A pandemia, porém, reforçou o empenho do clube em apoiar a freguesia. “A direcção do ‘Palmense’ sempre quis que o Clube tivesse uma missão para além da vertente desportiva”, sublinha Rui Cordeiro. Neste sentido, desenvolve uma acção social de distribuição de alimentos ou bens por pessoas mais carenciadas”, refere.
Dado que a JFSDB “nunca respondeu aos nossos pedidos de uma lista das fregueses carenciadas, recorremos a outras entidades”, acrescenta. Neste momento, o SFP procede a uma recolha de bens e alimentos que entregará à Paróquia de São Tomás de Aquino, que a distribuirá pela população carenciada, “dado que já têm gente no terreno e uma rede implementada para o efeito”. A instituição tenciona contactar as outras duas paróquias da freguesia e associações de moradores.
Outro projecto é a intervenção profunda nas instalações, “que é visivelmente necessária”, adianta Rui Cordeiro. A requalificação está estimada em 500 mil euros, valor muito acima da capacidade do SFP. O dirigente admite que embora seja importante o apoio público, o Clube deve ser criativo na procura de soluções, designadamente junto de entidades privadas. Porém, o SFP tem realizado directamente algumas intervenções mais pequenas e imediatas, como o reforço da iluminação, a aquisição de novos bancos de suplentes ou a renovação de balneários.f

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