Planta do Parque de Santa Gertrudes restaurada

Planta do Parque de Santa Gertrudes restaurada

29 de Novembro de 2022 0 Por Jorge Alves

Uma antiga planta topográfica do Parque de Santa Gertrudes, que apresentava patologias e um estado degradado de conservação, foi restaurada.

● Em Outubro deste ano, a Fundação Eugénio de Almeida (FEA) referiu que a “qualidade do papel em que foi elaborada”, as “condições de acondicionamento a que terá sido sujeita” e “anteriores restauros de que foi objecto” contribuíram para a degradação da planta.
Perante as circunstâncias, determinou-se a “realização de uma intervenção com vista à planificação do suporte, preenchimento de lacunas, consolidação das zonas de dobra ou com rasgões, para além de um adequado acondicionamento do documento com vista à sua posterior desmaterialização e restauro digital”.
O restauro do documento decorreu em duas fases. Num primeiro momento, estabilizou e reforçou-se o papel que serve de suporte físico ao documento. Numa segunda fase, realizou-se um postal digital.

Datação incerta
Sem assinatura nem data precisa, a planta deve remontar a 1870, 1871 ou 1872, segundo Rui Carreteiro, arquivista da FEA, e mede 1700mm x 1200mm.
De acordo com a instituição, é provável que tenha feito parte de um “levantamento geral das propriedades da Casa Eugénio de Almeida” ou “constituísse a base de vários planos desenvolvidos para este espaço, como foram os casos dos realizados por Jacob Weiss, Valentim José Correia ou pelo próprio Cinatti, autor do projecto das cocheiras e cavalariças”, e que “nesta planta aparentava já se encontrar executado”.
De acordo com a FEA, José Maria Eugénio de Almeida, “grande proprietário agrícola nas regiões de Trás-os-Montes, Ribatejo, Alentejo e Algarve”, quis obter informação detalhada sobre o seu património, “condição fundamental para a definição de estratégias de investimento integradas e para apoiar tomadas de decisão sobre aspectos práticos de gestão que passavam, por exemplo, pela localização de aquíferos e recursos hídricos, a situação dos centros de exploração agrícola, a localização das vias de comunicação terrestres, fluviais e marítimas em relação às zonas de armazenagem, ou pela simples demarcação dos seus prédios para evitar pendências sobre direitos de propriedade ou fazê-los valer em tribunal se fosse necessário”.
Com esse propósito, “ordenou que se procedesse ao levantamento topográfico das suas propriedades, ‘empreendimento’ que contou com a colaboração de vários técnicos, alguns deles nomes bem conhecidos à época, como foram os casos do engenheiro Nicolas Le Crenier (que trabalhou no projecto da estação de Santa Apolónia), dos irmãos Francisco e César Goulard (entre muitos outros trabalhos, haviam participado no levantamento topográfico da planta de Lisboa sob a direcção de Filipe Folque), do engenheiro militar Manuel Raimundo Valadas e dos cenógrafos e arquitectos José Cinatti e Achille Rambois”.
A planta agora restaurada é, porventura, parte deste levantamento. Os trabalhos decorreram sob a responsabilidade da FEA em colaboração com a empresa ‘Água de Cal Conservação e Restauro’.
Os principais responsáveis do restauro foram Rui Carreteiro, da FEA, e Luís Pereira, da empresa de conservação.f

JORGE ALVES

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