Escola de Estudos Pós-graduados em Saúde: obras atrasadas prevêem investimento de milhões

Escola de Estudos Pós-graduados em Saúde: obras atrasadas prevêem investimento de milhões

21 de Novembro de 2022 0 Por Luís Curado

Teve início a 12 de Outubro a construção do edifício sede da Escola de Estudos Pós-graduados em Saúde de Portugal (AHED) que vai integrar o Campus de Saúde da Universidade NOVA, no terreno ocupado pelo antigo Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida (HOJA), na Parede, junto à Avenida Marginal. Numa altura em que a obra devia estar finalizada, prevê-se que o investimento ascenda a quase 11 milhões de euros.

Vista geral da nova escola de saúde em Carcavelos

● O referido terreno foi adquirido em 2015 pela autarquia cascalense, que o comprou à Estamo, SA., empresa imobiliária do Estado, por 4,8 milhões de euros, um investimento a ser pago em 20 anos, sem juros. Na altura, a CMC assumiu o compromisso de recuperar o património adquirido para “servir a população e criar novos postos de trabalho”, anunciando a “criação de um polo de investigação na área da Saúde”. Volvidos sete anos, esse compromisso está agora em vias de concretizar-se.

Obras atrasadas
Apresentada oficialmente em Outubro de 2019 no Campus de Carcavelos da NOVA SBE, o edifício sede da AHED deveria estar acabado até ao final 2022. De acordo com o divulgado em Março deste ano no site da AHED (https://www.ahed.pt/en/news/view/lisboa-2020-pt-2020-ue), a data prevista para a conclusão do projecto era 31 de Dezembro próximo, com base num custo elegível de 10.883.371,08 euros, com co-financiamento de 4.353.348,43 euros por parte da União Europeia, através do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), no âmbito do Programa Operacional Regional de Lisboa 2020.
“A criação de tal centro de ensino foi possível com o esforço e dedicação dos fundadores ao longo de 2019. Uma nova estrutura, com construção a ser finalizada até 2022, foi projectada com foco na Educação em Saúde ao longo da vida para profissionais do sector, procurando contribuir e impactar a Educação em Saúde e também a Saúde dos Indivíduos em geral, tornando-se assim um projecto emblemático para Portugal”, é referido na página https://www.ahed.pt/en/about-ahed
Na mesma página, pode ler-se ainda que: “até ao final de 2018, cinco organizações conjugaram o desejo comum de criar uma iniciativa de Educação para a Saúde que pudesse reunir formação executiva e académica em muitas das matérias que dizem respeito à prestação de cuidados de saúde, identificando as necessidades de: Conteúdos inovadores, Treino prático, Experiências de aprendizagem multidisciplinar e transversal, Acesso a peritos e Graduações e créditos de uma distinta escola médica.”
Ainda segundo a informação divulgada, a AHED deveria começar a operar programas de educação em Saúde nas novas instalações em 2022, sendo referido que a nova escola terá “uma localização privilegiada, próximo de um passeio marítimo e do mar”, o que representa “um complemento à atractividade da oferta formativa para estudantes nacionais e estrangeiros”.
No início de 2020, a CMC anunciou que a intervenção, dividida em duas fases – a primeira até 2022 e a segunda até 2024 –, teria início em Janeiro desse ano com conclusão prevista até 2024, alertando para o facto de poder provocar “os constrangimentos habituais numa obra de grande dimensão”.
Não obstante o atraso das obras, a AHED já tem um programa de cursos agendados (https://www.ahed.pt/en/calendar), leccionados em inglês, a língua oficial da escola, alguns dos quais disponibilizados online. A maioria dos cursos tem funcionado nas instalações das entidades parceiras até estar concluído o edifício sede da Escola. Para já, a morada provisória da AHED localiza-se na Rua Manuel Joaquim Avelar, 118 – Piso 2, em Cascais, paredes-meias com a Loja de Cidadão de Cascais.
O projecto resulta de uma parceria, celebrada em 2019, entre a Nova Medical School, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa (NMS/FCM), a José de Mello de Saúde/CUF, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), a Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a CMC.

Articulação com Avenida Marginal
O site de apresentação da AHED acentua que a nova infraestrutura faz parte de um projecto que visa remodelar a parcela de terreno hoje ocupada pelo antigo Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida e refere que a solução apresentada pela equipa do arquitecto Frederico Valsassina “visa a articulação com a Avenida Marginal”, sendo que “na concepção das instalações da AHED e dos espaços envolventes, foi ainda tida em conta a morfologia específica do local, bem como a presença próxima do mar”.
Também “foi dado um cuidado especial na integração do edifício na envolvente, na criação de uma área verde relevante e na regeneração funcional e social do local, e na sua abertura para o exterior.” Entretanto, “para reduzir o impacto visual das estruturas, serviços e laboratórios que não necessitam de iluminação natural foram enterrados sob o solo”. Finalmente, “foi também dada especial atenção à preservação do que resta do antigo Forte do Junqueiro”.
A construção do edíficio está a cargo da Transfor, Engenharia e Construção SA, con sede em Lisboa.f LUIS CURADO

UM POUCO DE HISTÓRIA

● Conhecido igualmente como Forte de São Domingos de Rana, o Forte do Junqueiro foi construído por volta de 1645, no extremo ocidental da praia de Carcavelos, durante o reinado de D. João IV, durante a Guerra da Restauração (1640-1668), para tentar impedir eventuais desembarques de forças inimigas às ordens da Coroa de Castela.
Mais tarde, a instalação militar foi reabilitada e usada durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e durante as Invasões Francesas (1807-1810), incluída nas Linhas de Torres e no plano de apoio ao exército aliado britânico. Acabou por perder interesse estratégico e foi desactivado das funções militares em 1894.
Após a sua desactivação como praça militar, o forte foi alvo de alterações arquitectónicas a partir de 1897 e adaptado para permitir a instalação do Sanatório Marítimo de Carcavelos, inaugurado em 1902. Em 1921, esta unidade de saúde passou a denominar-se Sanatório Marítimo Dr. José de Almeida.
A partir dos anos 1970, a infraestrutura foi alvo de novas reconversões para receber doentes de traumatologia e ortopedia provenientes das urgências dos Hospitais Civis da região de Lisboa. Finalmente, em 1982, passou a ser designado por Hospital Ortopédico Dr. José de Almeida, nome que manteve até ser desactivado, em 2010.f

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Luís Curado

Tropecei na Fotografia ainda muito novo. Um dia, o meu pai levou para casa uma máquina reflex, que acabou por ir parar a um armário, onde eu a resgatei. Habituada a só funcionar nas férias e nos acontecimentos festivos, a pobre coitada foi posta à prova, e de que maneira. Tinha 12 anos, quando comecei a ‘cravar’ a família para satisfazer as necessidades fotográficas mais imediatas. Fiz do meu pai e da minha mãe e de mais uns quantos familiares mecenas à força e lá fui conseguindo comprar os primeiros rolos e revelar as primeiras fotos.

Com o tempo, a curiosidade foi dando lugar a uma paixão, que tem vindo a acompanhar-me ao longo da vida. Durante os anos dourados do analógico, do P&B passei para os slides. E fui experimentando de tudo um pouco: Paisagem, Retrato, Vida Selvagem, Concertos, Abstracto e… Macro. Foi ao mergulhar neste Mundo em ponto pequeno que descobri uma infinidade de pormenores a que não damos atenção no corre-corre do dia-a-dia. E aprendi a respeitar ainda mais a Natureza, também pela forma como nos surpreende a cada instante, a cada clique.

Da velhinha Nikon FM, comprada em segunda mão e que fazia os pombos voarem em redor a cada disparo, passei para outros modelos mais recentes e mais silenciosos. Com o tempo, os pombos da vizinhança deixaram de sofrer de taquicardia… Pelo caminho, fui guardando sempre as lentes que ia adquirindo, desde o pré-AI até à actualidade. Agora, na era do digital, elas continuam a ser companheiras fiéis e a funcionar muito bem nos corpos mais recentes. Sempre gostei desta aliança entre o moderno e o antigo.

Para mim, a Fotografia é um compromisso com o momento, captar o instante com o prazer de um olhar único, mostrar a marca do nosso sentir, estar lá, presente e com identidade própria. Testemunhar o irrepetível de um ângulo e com um enquadramento só nosso. É esse um dos grandes desafios da “arte de pintar com a luz”. E como escreveu o bom Fernando Pessoa: “Se eu vir aquela árvore como toda a gente a vê, não tenho nada a dizer sobre aquela árvore. Não vi aquela árvore”.