Cerca de 2,5 milhões de euros vão ser investidos na requalificação do Parque Eduardo VII. O início das obras prevê-se para breve, anunciou João Paulo Saraiva, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML). Entretanto, surgem críticas ao estado de conservação dos pisos e à manutenção dos jardins, concebidos pelo arquitecto Keil do Amaral.

● A polémica surgiu na sessão da Assembleia Municipal do passado dia 2, durante a qual os deputados do PSD apresentaram proposta de recomendação à CML, intitulada ‘Pela Restauração e Preservação do Parque Eduardo VII’. No documento, afirma-se que “a composição geométrica de sebe de buxo idealizada pelo arquitecto Keil do Amaral encontra-se deteriorada, verificando-se o desaparecimento de vários exemplares, enquanto os existentes se encontram envolvidos em erva alta, que os descaracteriza, existindo zonas onde o traçado geométrico já é inexistente”. Na proposta salienta-se que “a zona alcaltroada se encontra em mau estado de conservação”, podendo representar um “perigo de queda para quem usufrui do espaço”. Segundo os sociais-democratas, “existem inúmeras caldeiras de árvores que se encontram vazias ou por plantar” e a deservagem “não é realizada com a periodicidade necessária à sua adequada manutenção”.
Junto à Estufa Fria existe uma cerca de arame farpado “completamente corroído pela ferrugem, com falhas e cortes, onde existe acumulação de folhas, ervas e lixo”, alertam.

Assembleia dividida
O PSD concluiu que “a actual imagem do Parque Eduardo VII é de degradação e abandono”. Os proponentes reclamam que a CML devolvesse ao Parque Eduardo VII “a sua antiga glória” (ponto 1) e que a sua preservação “seja realizada de forma continua e regular (ponto 2). Por outro lado, defendem que “todos os contratos e protocolos para realização de eventos incluam “medidas para mitigar o seu impacto naquele espaço público”, bem como” compensações para os arranjos necessários após da sua realização” (ponto 3). Finalmente, propunham que “parte da receita do licenciamento dos eventos fosse “consignada para a preservação do espaço” (ponto 4).
As acusações foram refutadas pela vereação socialista que lembrou os diversos investimentos aplicados na reabilitação de várias infraestruturas daquele espaço público, entre as quais realçam a requalificação do Pavilhão Carlos Lopes, que, depois de anos de abandono, reabriu em 2017 como espaço de eventos e exposições. Embora reconhecendo algumas falhas nos buchos e a existência de buracos nos pavimentos, João Paulo Saraiva elogiou o trabalho continuado dos 20 jardineiros afectos àquele espaço, revelando que está para breve o início das obras para reabilitação dos pavimentos e sistema de drenagem naquele local. A proposta foi votada por pontos: os socialistas votaram contra em todos e o PSD, CDS, PPM, MPT e o deputado independente Rodrigo Mello Gonçalves votaram sempre a favor. Só os pontos 2 e 3 foram aprovados pela AML com os votos dos restantes partidos e deputados independentes. com abstenção. Ana Gaspar, presidente da Junta de Freguesia, absteve-se nestes itens e no quarto ponto, votando contra no primeiro.

Desde 2016
Estas obras no Parque Eduardo VII têm sido anunciadas várias vezes. Pelo menos desde 2016 que responsáveis da autarquia fazem declarações públicas sobre o assunto. A 15 de Dezembro nos Paços do Concelho, Ângelo Mesquita, então responsável pelo departamento do Ambiente, fez uma apresentação sobre a reabilitação do Parque Eduardo VII. Na altura, este responsável autárquico reconhecia que devido às chuvas intensas e à pouca capacidade de drenagem e escoamento, a degradação do Parque Eduardo VII era já evidente. “Somos confrontados com caminhos completamente deformados e pavimentos muito degradados”, afirmou na altura acrescentando que a degradação acentuada existia nos sistemas do Parque, nomeadamente na rede de drenagem. O início das obras chegou a estar previsto para 2017 com o objectivo de “naturalizar” o sistema de drenagem do parque. A 20 de Fevereiro deste ano, o Executivo aprovou a aquisição de serviços (designada por AD 491/2016) a uma sociedade de consultadoria designada por ‘flow.ges – Gestão Avançada de Sistemas de Saneamento e Ambiente’, para elaborar um projecto de Execução para Reabilitação dos Pavimentos e Sistema de Drenagem do Parque Eduardo VII no valor de 44,5 mil euros.
A Outubro de 2019, a AML aprovou a proposta para assumir um compromisso plurianual, com repartição de encargos entre 2019 a 2021, no âmbito de uma empreitada para Reabilitação dos Pavimentos e Sistema de Drenagem do Parque Eduardo VII. O investimento total é de 2,580 milhões assim distribuídos: um milhão de euros no presente ano; o restante em 2022.
A 9 de Abril de 2020, a CML aprovou o que foi classificado como o ‘pacote de investimento do mandato’, lançando concursos ou adjudicando obras num valor superior a 67,1 milhões de euros, entre os quais a requalificação do sistema de drenagem do Parque Eduardo VII. As obras devem prolongar-se durante 2021. Durante este período a Feira do Livro deverá mudar de local.f
REDACÇÃO

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